BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Das aulas sobre explosivos ao uso de criptomoeda, como agia o recrutador do Estado Islâmico no país

BRCOM by BRCOM
março 10, 2026
in News
0
Bandeira e facão apreendidos pela PF — Foto: Reprodução

Mesmo após o grupo ter sido derrotado na Síria e no Iraque, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou um relatório no início de fevereiro elevando o nível de ameaça representado pelo Estado Islâmico (Isis) devido à sua capacidade de recrutamento virtual. No Brasil, a Polícia Federal (PF) descobriu uma rede digital de aliciamento da organização terrorista a partir da prisão de um programador de 45 anos, que utilizava criptografia de ponta, possuía carteira de criptomoedas e participava de fóruns internacionais com o objetivo de “islamizar o Brasil”, de acordo com as investigações.

  • Leia mais: O que se sabe sobre o caso da psicóloga brasileira que está desaparecia há cinco dias na Inglaterra
  • ‘Treinando caso ela diga não’: PF investiga perfis que publicaram vídeos misóginos nas redes

O relato sobre a mobilização virtual do grupo originou-se a partir de um comunicado da agência americana FBI, segundo a qual um usuário identificado como “Salafi860” era “ativo em grupos on-line do Isis focados em disseminar propaganda da Isis, fabricar explosivos e orientar o planejamento de ataques”. Salafi860 foi avaliado como um “risco de segurança” para o Brasil, informou o adido do FBI à PF.

A partir de uma lista de IPs elencados pelos norte-americanos, a corporação iniciou uma investigação e chegou a Thiago Barboza de Paula, de 44 anos, morador de São Carlos (SP). Ele havia participado de cursos de informática, programação e engenharia de materiais; fazia viagens frequentes à Tríplice Fronteira; e montara um grupo de estudo islâmico em uma universidade pública.

Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), Barboza “integrou” o Isis, “compartilhou material para fomentar atentados terroristas” e tinha o intuito de “recrutar e treinar operadores do Estado Islâmico no Brasil”. Entre as provas contra o réu, os agentes listam o conteúdo que ele compartilhava em fóruns on-line — textos que ensinavam “o básico no mundo dos explosivos”, um “guia do mujahid (combatente) para sobrevivência e esconderijo”, “operações de martírio” e “manual de explosivos da CIA”. Havia ainda um desenho que mostrava o mapa do Brasil, preto, com os dizeres “ISLAP – Islamic State Latam Province – Soon” (em tradução livre: “Província latino-americana do Estado Islâmico – em breve”).

De acordo com os investigadores, o grupo se comunicava por meio de uma plataforma de código aberto, que costuma ser utilizada por agentes de inteligência e forças policiais devido à sua capacidade de funcionar em servidores próprios e não depender de nuvens externas das big techs. Ele também usava um sistema de criptografia de “alta complexidade”, como consta no laudo da perícia, que impediu o acesso a parte do conteúdo dos seus dispositivos.

Do material que foi possível recuperar, estava um SMS enviado a ele, de março de 2022, no qual um interlocutor se colocava à disposição para uma ação em nome de Deus. “O dia que o Santo Eterno e Bendito mandar eu ir eu vou. Medo é uma ilusão, a vida de verdade não é aqui. Que Allah te instrua, irmão”, dizia a mensagem.

Os agentes o traçaram com o perfil de alguém que “domina tecnologia, demonstra domínio de idiomas, possui carteira de criptomoedas e administra fórum on-line mantido por organizações terroristas”. Na casa de Barboza, a PF encontrou frascos com substâncias que poderiam ser utilizadas na preparação de explosivos, como coquetéis molotov, glicerina, ureia, peróxido de oxigênio, etanol e amônia, além de itens de manipulação química, como vidros de Becker e termômetro.

Também foram localizados no imóvel uma bandeira do Estado Islâmico, um documento que mostrava o juramento de fidelidade ao Califado e três alcorões com marcações na “surata 8, versículo 60” (referência ao codinome “Salafi860”). O trecho fala em “mobilizar todo o poder que dispuserdes, em armas e cavalaria, para intimidartes, com isso, o inimigo de Allah”.

Conteúdo:

Toggle
  • ‘Muçulmano praticante’
  • ‘Uso de ativos virtuais’
      • Das aulas sobre explosivos ao uso de criptomoeda, como agia o recrutador do Estado Islâmico no país

‘Muçulmano praticante’

Ao ser interrogado pela Justiça, Barboza negou ser o detentor do perfil “Salafi860” e alegou que nunca havia ouvido falar em “Estado Islâmico Brasileiro”. A defesa ressaltou que ele é “muçulmano praticante, mas sem qualquer ligação com extremismo religioso ou grupos terroristas”. Os advogados sustentaram no processo ainda que os itens apreendidos com ele foram “possivelmente plantados” por um vizinho muçulmano com quem ele teve um entrevero.

Bandeira e facão apreendidos pela PF — Foto: Reprodução

“O próprio Thiago relatou em juízo que emprestava seu celular regularmente ao vizinho, com quem teve um desentendimento dias antes da sua prisão. Tal indivíduo, também muçulmano e frequentador do mesmo ambiente, tinha acesso ao imóvel e ao aparelho — circunstância que amplia a margem de dúvida quanto à real autoria das postagens atribuídas ao perfil investigado”, afirmou a defesa.

Procurado pelo GLOBO, o advogado Vinícius Pinheiro Bomfim dos Santos acrescentou que “as conclusões da investigação e da acusação foram construídas com base em provas frágeis e controvertidas, e não em elementos técnicos seguros”. Segundo a nota enviada, o trabalho da PF se “apoiou em dado técnico oriundo do exterior sem validação pericial robusta no Brasil”.

Preso em dezembro de 2024, Barboza foi condenado a 11 anos de prisão pelo crime de promover organização terrorista e realizar atos preparatórios de terrorismo, em julho de 2025. A Procuradoria entrou com recurso para aumentar a pena do réu.

A partir do material encontrado em seus equipamentos, a PF está em busca de outros brasileiros que teriam sido recrutados pelo Estado Islâmico — um deles, de 18 anos, foi preso no fim de janeiro de 2026 em Bauru, no interior de São Paulo. Leonardo Claro Teles Rosa era suspeito de estar montando um colete de bombas e guardar em um armário do trabalho a substância nitrato de ureia, que oferece potencial explosivo.

‘Uso de ativos virtuais’

Mapa do Brasil com os dizeres “Província latino-americana do Estado Islâmico em breve” — Foto: Reprodução
Mapa do Brasil com os dizeres “Província latino-americana do Estado Islâmico em breve” — Foto: Reprodução

Na representação, os investigadores afirmaram que o recrutamento não se dava apenas de maneira virtual. A PF lista uma sequência de ocorrências registradas pela universidade pública onde ele cursava Engenharia de Materiais. Em uma delas, um aluno relatou ter sido procurado por ele para “ser cooptado para a fabricação de bombas”. Em outra, um servidor disse que o ouviu falar ao telefone sobre ensinar como “disparar dispositivos à distância”. Conforme os relatos, os alvos de Barboza eram estudantes estrangeiros em situação de vulnerabilidade.

No relatório de fevereiro, a ONU destacou a “tendência de jovens serem cada vez mais visados para radicalização e recrutamento, especialmente pelo Isis”. O texto ainda alerta para o potencial de expansão do grupo terrorista por meio do “uso de ativos virtuais”.

O Estado Islâmico (EI) surgiu a partir de uma ramificação da rede jihadista al-Qaeda no Iraque depois da invasão do país em 2003, liderada pelos Estados Unidos. Após sucessivas mudanças de nome, adotou a alcunha atual em 2013. No ano seguinte, rompeu laços com a al-Qaeda e autoproclamou um califado com capital em Raqqa, na Síria.

À época, a organização controlava vastas áreas no Iraque e na Síria. No entanto, uma ofensiva militar de uma coalizão internacional comandada pelos EUA, junto a forças locais, levou ao colapso territorial do califado entre 2017 e 2019.

Hoje, o Estado Islâmico não controla territórios significativos, mas continua ativo como rede insurgente e terrorista descentralizada. A organização mantém células no Iraque e na Síria e expandiu filiais para outras regiões, especialmente na África e na Ásia. Seu foco atual é promover atentados, radicalizar simpatizantes pela internet e sustentar franquias regionais.

Das aulas sobre explosivos ao uso de criptomoeda, como agia o recrutador do Estado Islâmico no país

Previous Post

Rabo de cavalo alto volta à tendência após visual de Virgínia Fonseca; veja como apostar no penteado

Next Post

Modelo que recebeu curtida e é seguida por Neymar procura deixar seguidores ‘obcecados’ por suas fotos; conheça

Next Post
Pauline Tantot — Foto: Reprodução/Instagram

Modelo que recebeu curtida e é seguida por Neymar procura deixar seguidores 'obcecados' por suas fotos; conheça

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.