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outubro 4, 2026
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Das redes ao recorde nas urnas: quem é o bolsonarista Lucas Pavanato, o deputado mais votado de São Paulo

Por · outubro 4, 2026
Das redes ao recorde nas urnas: quem é o bolsonarista Lucas Pavanato, o deputado mais votado de São Paulo


O bolsonarista Lucas Pavanato (PL) consolidou seu nome como o deputado federal mais votado de São Paulo e o segundo mais votado na história do Brasil, atrás apenas de Nikolas Ferreira. Aos 26 anos, o paulista ultrapassou a marca recorde de Eduardo Bolsonaro e consolida sua ascensão como uma das mais barulhentas lideranças da direita no país.
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Apesar de ter construído sua base eleitoral por meio de debates sobre a pauta de costumes, o parlamentar planeja ampliar seu escopo de atuação. Em entrevista ao GLOBO na véspera do pleito, Pavanato afirmou que usará seu capital político recém-adquirido para priorizar temas de segurança pública e educação. O principal objetivo de seu mandato já está definido: trabalhar pela redução da maioridade penal.
— Quero que a maioridade penal seja, no mínimo, reduzida. O Nikolas vai ser um dos meus maiores aliados lá dentro. Nós vamos ter um grupo dentro da Câmara, que eu tenho certeza de que vai ser de parlamentares eleitos e bem votados. São os jovens, que entraram na direita por caminhos parecidos, leitores de Olavo de Carvalho e de outros autores conservadores. E nós juntos vamos trabalhar em Brasília pra que as nossas pautas avancem — disse.
Histórico
Pavanato começou a vida política em 2016, aos 17 anos, quando participou das manifestações a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Criado em uma família evangélica pentecostal, com primeiros discursos feitos na Assembleia de Deus, Pavanato ingressou na política formal por meio do Movimento Brasil Livre (MBL).
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Ao se mudar para a capital paulista, começou a trabalhar na Câmara Municipal ao lado do então vereador Fernando Holiday. Foi estagiário, assessor e chefe de gabinete, período em que conheceu de perto as regras do regimento e o ritmo do processo legislativo.
Com o tempo, o político avaliou que o discurso estritamente liberal tinha menor apelo nas urnas. O distanciamento do MBL e do Partido Novo — sigla pela qual ficou na suplência de deputado estadual em 2022 — marcou seu reposicionamento rumo ao bolsonarismo e a filiação ao PL.
A aposta no conservadorismo ideológico foi impulsionada por uma forte estratégia digital. Hoje com mais de um milhão de seguidores no Instagram, Pavanato passou a produzir conteúdos baseados no confronto com opositores em universidades e espaços públicos. A fórmula inclui embates em podcasts — como o episódio de tensão em que teve a camisa rasgada por um adversário — e a defesa de pautas como a proibição de mulheres trans em banheiros femininos e a abertura de CPIs contra grupos de moradia.
Estratégia de confronto
A máquina de engajamento de Lucas Pavanato foi turbinada por uma estratégia de confronto direto. O episódio de maior repercussão e tensão ocorreu durante uma participação no RedCast, quando o bolsonarista protagonizou uma briga acalorada com Junior Freitas, então candidato a vereador pelo PSB.
A confusão escalou rapidamente após Pavanato afirmar que o pai já falecido do adversário político não teria orgulho de ter um filho como ele. A provocação resultou em um copo d’água atirado em seu rosto, xingamentos de ambas as partes e um tumulto generalizado que terminou com a camisa do futuro recordista de votos rasgada, exigindo a intervenção da equipe do estúdio para evitar agressões físicas.
Além do ambiente digital, o ringue de Pavanato se estende para as ruas e universidades, onde ele rotineiramente aborda opositores, feministas e pessoas transexuais com o objetivo de gerar cortes com alto potencial de viralização. Foi essa postura bélica que o fez bombar inicialmente com um vídeo afirmando ser “difícil ser homem” e “honrar as calças que veste”.
As polêmicas focadas na pauta de costumes também já lhe renderam dores de cabeça institucionais: na época em que ainda era assessor de Fernando Holiday, foi acusado de transfobia em uma CPI presidida pela então vereadora — e hoje deputada federal — Erika Hilton (PSOL), após publicar um vídeo em que comentava uma postagem sobre mulheres trans.

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