Copacabana, o bairro que ficou conhecido como “Princesinha do Mar” por conta da canção de Alberto Ribeiro e Braguinha, se transformou ao longo das décadas de um bucólico areal, onde só haviam chácaras e sítios, com acesso limitado, para um bairro vibrante, densamente povoado e de grande importância cultural e turística da cidade. Embora sua urbanização tenha sido impulsionada pela abertura do Túnel Velho, em 1892 e pela construção da Avenida Atlântica, em 1905, foi principalmente a partir da inauguração do imponente Copacabana Palace, em 1923, que o local começou a ganhar o destaque que tem até hoje, ao virar centro de moradias para diversas classes sociais.
Foi lá, por volta dessa época que surgiu o hábito de circular pelo calçadão, passar o dia na praia, cultuar o corpo, tostar no sol (antes, o bronzeamento era sinônimo de trabalhadores braçais) e desfilar uma moda praia que evoluía a cada verão — de trajes ultra pudicos ao maiô, as décadas de 1920 e 1930 em Copacabana viveram uma verdadeira revolução no quesito vestuário, como mostra a historiadora Julia O’Donnell, no livro “A invenção de Copacabana – Culturas urbanas e estilos de vida no Rio de Janeiro (1890-1940)”, lançado em 2013, pela Editora Zahar.
A chegada dos ônibus, em 1931, e a finalização das obras do Corte do Cantagalo, em 1938, facilitaram a explosão demográfica na região. Na década de 1940, Copacabana chegou à marca de 75 mil habitantes e 800 lojas. Segundo o último Censo do IBGE, a população do bairro já está em 128.919 moradores.
Para suportar o impacto dos automóveis, a Avenida Atlântica foi duplicada nos anos 1970 e adquiriu a forma que tem hoje. O conjunto composto por pista dupla, canteiro central, calçadão e larga faixa de areia é o grande marco urbanístico de Copacabana, assinado por Lucio Costa.
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Construída em 1906 com 41.500 metros e um design fortemente influenciado pelo que se via às margens do Rio Tejo, em Portugal, a Atlântica era constantemente danificada por ressacas, até que uma reforma, em 1919, resultou no seu alargamento e resolveu o problema.
Nesta época, surgiu o primeiro sistema de iluminação da orla e a divisão em duas pistas. A partir de então, a via tornou-se uma das principais da cidade. Quatro anos depois, com a construção do hotel Copacabana Palace, alcançou a fama internacional.
Para o historiador Rafael Soares Gonçalves, por volta dos anos 1940, quando a cidade para a ser configuradas por zonas (Sul, Norte e Oeste), Copacabana ganha destaque como o protótipo da representação da Zona Sul, o que se confirma no final da década seguinte com a ascensão da Bossa Nova, gênero musical essencialmente carioca nascido no bairro.
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— E os anos 40 também é, talvez, o momento que se consolida essas ideias de zonas. Então, a gente vai criar a ideia de uma zona sul, que até então isso não fazia parte das representações da cidade. Copacabana vai ser o modelo, inicialmente, desse protótipo do carioca —, diz.
A década de 50 foi marcada pelo crescimento econômico acelerado do país, impulsionando a construção de prédios de apartamentos. Nesse contexto, Copacabana se consolida com a imagem de bairro elegante e desejável. Nos anos 1970, enfrenta os desafios de um crescimento desordenado, especulação imobiliária e favelização.
Hoje o bairro passa por um processo de revitalização. Enquanto no passado era visto como um endereço de elite, hoje abriga várias classes sociais. O bairro, que ainda atrai muito turistas, é conhecido no exterior pela sua beleza e icônico calçadão, além dos grandes eventos como as festas de réveillon e megaeventos como o show da cantora Lady Gaga, que em maio levou mais de 2 milhões de pessoas à praia.