Quarto entrevistado na série de sabatinas do GLOBO, Extra, Valor e CBN com os candidatos ao governo do Rio, nesta quinta-feira, o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) procurou se colocar como contraponto a outros antigos ocupantes do Palácio Guanabara.
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Em uma hora e meia de sabatina, na qual direcionou ataques e acusações a mais de uma dezena de políticos, Garotinho teve como principal alvo o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), que se tornou impopular após a Lava-Jato. Na sabatina, porém, Garotinho foi questionado sobre sucessivas mudanças de partido que o levaram a já ter apoiado o próprio Cabral e também o ex-governador Cláudio Castro (PL), outro de seus alvos mais recorrentes (veja a íntegra da sabatina no link abaixo).
O candidato do Republicanos procurou minimizar essas trocas e a dificuldade para conseguir apoio de alas do próprio partido na eleição deste ano.
A série de sabatinas foi iniciada na terça-feira com Douglas Ruas (PL), e continuou na quarta com William Siri (PSOL). Na sexta, Eduardo Paes (PSD) será o último entrevistado. Veja a seguir os principais pontos da sabatina de Garotinho:
1- Cabral como principal alvo
Pressionado na atual campanha pelo alto índice de rejeição medido em pesquisas de intenções de voto, Garotinho atribuiu sua impopularidade à imagem negativa de outros ex-governadores, e procurou se diferenciar especialmente de Cabral — a quem apoiou na sua primeira eleição, em 2006, e depois se tornou adversário.
Garotinho antecedeu Cabral no governo — ele se elegeu ao Palácio Guanabara em 1998, e em 2002 apoiou a eleição da esposa, Rosinha —, e buscou na sabatina comparar à própria gestão à do rival.
Ele criticou o modelo de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) implementado por Cabral, por exemplo, e tratou a iniciativa como uma versão piorada do modelo de polícia de proximidade no governo Rosinha, chamado de Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE). O candidato do Republicanos também acusou Cabral de desfalcar o caixa do Rioprevidência, fundo de pensão estadual que Garotinho citou ter criado em seu governo com receitas de royalties de petróleo.
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A lista de ataques a Cabral também incluiu casos de corrupção. O ex-governador se apresentou como responsável por denunciar à Procuradoria-Geral da República desvios do governo Cabral envolvendo empreiteiras como a Odebrecht, no que avaliou como a origem da Lava-Jato.
Garotinho alegou que esses casos são diferentes de “erros administrativos” que levaram ele mesmo a ser alvo de mais de uma prisão e de uma condenação por improbidade que pode deixá-lo inelegível.
O candidato do Republicanos também acusou aliados do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), seu rival na eleição ao governo, de estarem numa lista de políticos que seriam beneficiados pelo bicheiro Adilsinho, preso em operação da Polícia Federal. Ao citar essas investigações contra Cabral e outros políticos, porém, Garotinho foi questionado sobre o fato de ele próprio ter sido citado numa lista de pagamentos ilícitos da Odebrecht, e novamente alegou se tratarem de situações distintas:
— É diferente você estar na lista da Odebrecht e estar na lista de um assassino, bicheiro, comandante da máfia do cigarro. Uma coisa é financiamento de campanha ilegal, que era feito no Brasil de forma recorrente. Quando eu fui à PGR entregar a denúncia contra Sérgio Cabral, um procurador disse: “O senhor está na lista da Odebrecht”. Perguntei a ele se, no seu escritório de advocacia, ele dava recibo de todas as contratações. Quando sou oposição declarada, você acha que o sujeito vai declarar que doou dinheiro à minha campanha? Vocês, mais uma vez, querem transformar o denunciante em denunciado — argumentou.
2- Esquiva na eleição presidencial
Diferentemente dos dois primeiros entrevistados — Douglas Ruas, que declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL), e William Siri, que mostrou apoio ao presidente Lula (PT) —, Garotinho se esquivou na sabatina de declarar apoio a algum dos presidenciáveis.
Questionado sobre o assunto, ele afirmou que “nenhum dos candidatos toca no ponto principal, que é a desigualdade causada pela concentração de renda”. Garotinho criticou especialmente o governo Lula pelo que chamou de apoio ao “sistema financeiro e a essa política de juros altos”:
— Lula chamava o (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso de “pai” dos banqueiros. Ele é a mãe. (…) Em 2002, eu não fui para o segundo turno (da eleição presidencial) por muito pouco, e Lula me chamou para ser ministro. Perguntei o que ele ia fazer na economia, e ele disse que ia colocar o Henrique Meirelles na presidência do Banco Central. Eu disse que ele estava de brincadeira. Passamos a campanha atacando o sistema financeiro e os bancos, para nomear um cara que tinha acabado de sair da presidência do banco de Boston (BankBoston)? — relembrou.
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Em outro momento, Garotinho disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro “teve quatro anos (de mandato), com dois de pandemia”, e que nesse período “dá para se fazer muito menos do que nos 18 anos” que representam o tempo total do PT na Presidência.
O candidato do Republicanos, porém, evitou declarar voto em Flávio ou em outros candidatos citados na sabatina, como Augusto Cury (Avante), atual terceiro colocado nas pesquisas:
— Não é uma eleição presidencial que me empolgue. Mas não vou anular, vou votar em alguém.
3- Dificuldades com alianças partidárias
Instado na sabatina a explicar as constante mudanças de partidos, depois de ter passado por nove siglas — PDT, PSB, PMDB, PL, PRP, Patriota, PROS, União Brasil e Republicanos — desde sua primeira eleição, Garotinho minimizou dificuldades para manter alianças políticas nos últimos anos.
Ele se definiu como “trabalhista” e afirmou que só deixou o PDT por divergências com o presidente da sigla, Carlos Lupi. Ao explicar sua filiação ao Republicanos neste ano, Garotinho argumentou ter sido levado à sigla por sua filha, a ex-deputada Clarissa Garotinho, dizendo que ela “foi candidata a senadora na última eleição” pelo partido. Clarissa, porém, concorreu em 2022 ao Senado pelo União Brasil.
Garotinho também afirmou que “estava no PRB”, antigo nome do Republicanos, quando tentou se candidatar a governador em 2022 — à época, porém, ele tentou concorrer a deputado federal pelo União Brasil e teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral.
— Eu sou um cara muito firme, nunca deixei de ser trabalhista. Se tem alguém que conhece trabalhismo, chama-se de Garotinho — disse o ex-governador na sabatina.
Questionado ainda sobre o fato de sua candidatura não estar atraindo apoio de integrantes da Igreja Universal, que tem influência sobre o Republicanos, Garotinho disse “nunca ter visto o bispo Macedo”, líder da igreja, no partido. No Rio, bispos influentes da Universal vêm sinalizando apoio a Paes.
— Não estou disputando eleição para papa. Só porque é da Universal tem que votar em mim? Cada um é livre, vota em quem quiser — ironizou Garotinho.
4- Expansão das barcas como alternativa a metrô
Na sabatina, o ex-governador defendeu que a Linha 3 do metrô, antigo projeto para ligar a capital fluminense a Niterói e São Gonçalo, seja feita através de “super barcas velozes”, e não sob trilhos. Garotinho argumentou que se trata de uma solução financeiramente mais viável para a mobilidade urbana, inclusive para a região metropolitana e a Zona Oeste da capital.
— Em vez de fazer por baixo (da Baía de Guanabara), vamos fazer 70 linhas com super barcas velozes. Vamos integrar toda a região metropolitana, inclusive a Barra da Tijuca. Custará dez vezes menos do que se fizesse escavação. A Linha 3 será um metrô de superfície feito por barcas — argumentou.
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Segundo Garotinho, a ideia surgiu a partir de experiências observadas em Sydney, na Austrália.
Ele também afirmou que outra medida “totalmente viável” para aprimorar a mobilidade do estado é a construção de 11 viadutos na Avenida Brasil, que consta em seu programa de governo.
5- Foco em retomada de 20 comunidades
Na área de segurança pública, o ex-governador disse que o enfoque de um eventual governo será a retomada de um grupo de 20 comunidades que ele apontou como bases da facção Comando Vermelho para “recrutar traficantes de fora” do estado”.
— O Comando Vermelho deixou de ser uma facção. É uma franquia. E cada grupo é responsável por um estado no Brasil. Por exemplo, o chefe no Complexo do Alemão comanda (o crime) na Paraíba. Desarticulando essas áreas, o crime vai se desorganizar. Não vamos resolver, mas vai melhorar. O que vai cair muito, por exemplo, é roubo de carga e de automóveis.
Na sabatina, Garotinho também procurou diferenciar sua proposta de um “Bope 2.0”, para ocupação e retomada de territórios dominados por facções criminosas, do antigo programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) implementadas no governo Cabral. Segundo o candidato do Republicanos, seu objetivo é aumentar o efetivo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para fazer operações de ocupação.
Segundo o ex-governador, as UPPs não deram certo por terem se expandido com “viés eleitoral” e porque permitia “que os bandidos todos saíssem, sem ninguém ser preso”.
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De trocas de partido a comparações com Cabral: veja cinco pontos da sabatina de Garotinho ao GLOBO, Extra, Valor e CBN
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