Temas recorrentes em crônicas de Luis Fernando Verissimo, que morreu neste sábado (30), aos 88 anos, em Porto Alegre, onde morava, o cotidiano da classe média brasileira e as alegrias e dificuldades da vida a dois foram abordados no especial “A comédia da vida privada”, adaptação da obra do autor gaúcho exibida em 23 de agosto de 1994 na TV Globo. Estrelado por Fernanda Torres, Debora Bloch, Malu Mader, Paulo Betti, Marco Nanini e Tony Ramos, o especial deu origem ao programa homônimo que foi sucesso na grade da emissora entre abril de 1995 e agosto de 1997.
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Inicialmente baseados nas crônicas de Verissimo, a partir de 1996 os episódios passaram a ter diversos autores, como Pedro Cardoso, João Falcão, Adriana Falcão, Guel Arraes, Alexandre Machado, Fernanda Young e Jorge Furtado.
O episódio piloto conta a história de três casais que se casaram no mesmo dia: Antonio (Paulo Betti) e Bia (Malu Mader); Claudio (Marco Nanini) e Diana (Fernanda Torres); e Edgar (Tony Ramos) e Fátima (Debora Bloch). Dividida em três atos, a trama mostra desde o encontro dos seis em um baile de carnaval — com direito a brigas por ciúmes e os malabarismos para esconder as traições — às reuniões dos personagens para celebrar o aniversário de casamento, muitas delas frustradas. Ao longo do episódio, público acompanha discussões sobre a rotina do casamento e a separação de dois dos casais – por motivos inusitados e hilários, como a incapacidade de Claudio para abrir um pote de pepinos.
Em outro episódio, “Apenas bons amigos”, que foi ao ar em junho de 1995, quatro amigos (Fernanda Torres, Paulo Betti, Pedro Cardoso e Diogo Vilela), que se conheceram em uma bar na final da Copa de 70, na qual o Brasil conquista o tricampeonato, decidem se reunir de quatro em quatro anos no mesmo lugar para torcer pela Seleção. Ao longo das duas décadas seguintes, marcadas por importantes eventos da história do país, a trama acompanha as mudanças na vida dos personagens, de um falso exílio durante o regime militar à gravidez indepedente de Ella, vivida por Fernanda Torres.
Os quatro se encontram nos jogos do Brasil de 1974, 1980, 1984 e 1990, mas sem conseguir assistir às partidas juntos até o fim, a Seleção vive um jejum de títulos nessas duas décadas — até que, na final da Copa do Mundo de 1994, eles reecontram no enterro de um dos amigos e assistem juntos ao jogo, que dá ao Brasil o título de tetracampeão mundial.
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Cinsagrado com o Grande Prêmio da Crítica pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 1995, e eleito como melhor programa de séries e seriados da televisão brasileira pela agência TV Press no ano seguinte, o programa foi vendido para diversos países, entre eles Angola, Canadá, Chile, Eslováquia, França, Lituânia, República Tcheca e Turquia.