Uma nova carta eleva a temperatura da disputa societária entre John Textor e os demais acionistas da Eagle Football Holdings, dona de 90% das ações da SAF do Botafogo. Na missiva, Textor acusa Christopher Mallon, advogado nomeado diretor independente da Eagle, de ter feito “declarações difamatórias, imprecisas, enganosas e claramente feitas com intenção maliciosa de prejudicar minha reputação”. O documento, de 9 de agosto, é uma resposta do americano à carta enviada por Mallon ao Botafogo associativo, em que ele questiona a legitimidade dos atos de John Textor e nega a existência de um empréstimo de R$ 152 milhões cobrado pela SAF.
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Na carta, de cinco páginas, Textor afirma que o texto de Mallon “foi claramente escrito para incluir afirmações sensacionalistas, em uma carta ao clube social do Botafogo, que é conhecido por ser um corpo grande e não confidencial, com a intenção de que tais afirmações fossem repetidas publicamente para prejudicar minha reputação, enfraquecer minha imagem pública e destruir o notável apoio público a mim e à SAF Botafogo, entre os membros do clube social e os torcedores do Botafogo”. Ainda segundo Textor, “seus advogados no Brasil o convenceram a incluir declarações difamatórias e prejudiciais em uma carta de simples aviso a acionistas, apenas com o objetivo de destruir minha forte reputação pública no Brasil, também com o conhecimento de que tais afirmações sensacionalistas também destruiriam minha reputação globalmente”.
Mallon, advogado britânico especializado em reestruturação empresarial, foi alçado ao cargo de diretor independente da Eagle em abril deste ano, após uma reunião do Conselho de Administração da holding motivada pela grave crise no Lyon e pela pressão de credores. O encontro foi presidido pelo próprio Textor. Após a reunião, uma série de alterações acabou tirando poder de decisão de Textor na holding — e, na prática, impediu que o americano, mesmo como sócio majoritário, deliberasse sem o aval de um independente.
Na carta, entretanto, Textor minimiza o poder de Mallon dentro da companhia: “O exercício dos direitos do diretor independente não prejudica meu direito e autoridade contínuos de representar legalmente a Eagle Bidco, na qualidade de diretor da Eagle Bidco e de diretor-presidente do Eagle Football Group. Em nenhum lugar do Acordo Complementar está escrito que eu não tenho mais o poder de celebrar contratos juridicamente vinculativos em nome da Eagle Bidco”. Na carta enviada ao clube social, Mallon alega que o americano perdeu o poder de representar a Eagle. Segundo Mallon, “o sr. Textor não tem autoridade para representar legalmente a Eagle Bidco, inclusive na condição de acionista majoritário da SAF”.
Textor também acusa Mallon de agir sob interesses dos demais sócios, hoje em litígio com ele. “A Eagle Bidco começou a operar como uma empresa controlada por credores, em que você está operando sob extrema pressão para tomar decisões baseadas exclusivamente nas direções do credor”, escreveu. O empresário também contesta a versão de que teria sido responsável por “irregularidades financeiras” no Lyon e rebate a acusação de não ter participado do fundo emergencial que salvou o clube francês do rebaixamento, lembrando que foi quem mais aportou recursos no grupo desde 2022. Textor também afirmou que apresentou documentos comprovando os repasses de R$ 152 milhões do Botafogo à Eagle e ao Lyon, contrariando a alegação de Mallon de que não há provas sobre o empréstimo.
A carta foi anexada pela SAF ao processo movido pela Eagle para anular decisões tomadas pelo clube com a participação de Textor. A holding acusa o americano de tentar tomar o controle total da SAF do Botafogo por meio de uma manobra financeira que envolve a emissão de novas ações, a conversão de dívidas em participação societária e o uso do próprio patrimônio do clube como instrumento de poder. Já a SAF alega que a Eagle tem buscado inviabilizar o fluxo de caixa necessário para o funcionamento do clube.