Em contrapartida à recente guinada petista nas redes sociais, o PL passou a pagar pelo impulsionamento de publicações que culpam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela imposição das tarifas de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Desde a última semana, o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro patrocinou oito posts em redes como Instagram e Facebook, com valores de até R$ 1.500. A postagens com mais alcance chegou à faixa de 700 a 800 mil impressões até aqui.
- ‘Não posso falar’: À espera de Moraes, Bolsonaro decide evitar Congresso e se reúne com aliados na sede do PL
- Entrevista: ‘Pela primeira vez conseguimos dialogar com parte do eleitor de Bolsonaro’, diz novo presidente do PT
A estratégia foi antecipada pelo jornal “Folha de S. Paulo” e confirmada pelo GLOBO na biblioteca de anúncios da Meta, dona do Facebook e Instagram. A prática é pouco comum na sigla, que aposta no engajamento orgânico e investe no impulsionamento de forma esporádica. Antes da ofensiva atual, iniciada em 16 de julho, os últimos casos haviam ocorrido entre março e abril. Os exemplos anteriores, por sua vez, são de outubro de 2022, mês da última eleição presidencial.
Na postagem com mais impressões, o PL afirma que Bolsonaro é perseguido “sem provas”, enquanto Lula está livre e com mandato, “apesar de provas”. Em outra publicação impulsionada, a sigla diz que o petista é culpado pela taxação anunciada por Trump. Imagens com as frases “soberano é o povo” e “defenda o Brasil do PT” estão entre as escolhidas pelo partido.
O PL também investe em postagens com outras pautas relacionadas à economia. Em uma delas, a sigla afirma que o Pix “só existe graças ao governo Bolsonaro” e alega que a esquerda “já quis monitorar a ferramenta. Já em outra, o partido diz que a mudança no IOF, proposta pelo governo Lula, afetaria sobretudo a população pobre.
O PT gastou, desde junho, ao menos R$ 470 mil apenas com anúncios no Facebook e Instagram que propagam a reação ao tarifaço e o discurso de pobres contra ricos. As duas pautas são caras ao governo Lula e viraram apostas para a gestão do petista ampliar sua popularidade.
O investimento levou o PT a aparecer como segundo maior anunciante das plataformas da Meta entre os dias 13 de junho e 12 de julho, com gasto estimado em R$ 428 mil no período, atrás apenas do governo federal. Procurado para comentar os anúncios, o partido não respondeu.
Parte das publicações mais recentes usa imagens geradas por inteligência artificial. Em uma delas, a tecnologia serviu para criar um vídeo que coloca Bolsonaro como um boneco ventríloquo de Trump. Batizada de “bolsoneco”, a figura busca associar o ex-presidente a uma marionete e desgastar a imagem do adversário. Segundo dados da Meta, empresa dona do Facebook e do Instagram, o partido impulsionou duas versões do anúncio, que custaram ao menos R$ 40 mil.
Entre o dia 1º e 7 de julho, o PT gastou de R$ 90 mil a R$ 100 mil com um anúncio, também com imagens criadas por IA, no qual defendia a taxação dos mais ricos e das casas de apostas. “Com taxação de 140 mil super-ricos e apostas on-line, 25 milhões de brasileiros deixarão de pagar Imposto de Renda”, diz o anúncio, que usa a expressão “Taxação BBB: bilionários, bancos e bets”.
O vídeo mostra um grupo diverso de pessoas sentado em uma mesa de restaurante no formato do mapa do Brasil. Um deles, que veste terno, é alvo de reclamações por ter consumido mais e pago menos que os outros. “Relaxa, Boteco do Brasa, aqui sempre foi assim”, responde o homem. Outra cliente retruca: “Sempre foi, mas não precisa continuar sendo. Vamos rachar a conta do jeito certo”. No mesmo período foi vinculado outro anúncio sobre o tema, com uma foto do presidente Lula erguendo uma placa com os dizeres “Taxação dos super ricos!” em um evento na Bahia.