Réu no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) por fraude em evento esportivo, o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, deu um passo atrás no processo. O jogador é acusado de ter forçado cartões amarelos, em 2023, para gerar lucro em apostas para o irmão, que também responde ao processo, e, inicialmente, a defesa do atleta havia entrado com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para anular a investigação. Na última quinta-feira, no entanto, os advogados recuaram e desistiram de protocolar o recurso. As informações são do ge.
No entendimento da defesa de Bruno Henrique, a 7ª Vara Criminal de Brasília, responsável por conduzir a ação penal, não tem competência para julgar os fatos investigados. A defesa do réu pleiteava a anulação de todos os atos processuais já praticados e o envio dos autos à Justiça Federal. No mês passado, os advogados fizeram a primeira tentativa, com um pedido de habeas corpus ao STJ, que foi negado pelo ministro Joel Ilan Paciornik, em decisão monocrática. Ele apontou que o debate deveria ser realizado por meio do procedimento do conflito de jurisdição, e não através do habeas corpus.
Na sequência, os advogados entraram com mais um recurso no STJ, desta vez para tentar reverter a decisão de Paciornik. A defesa entrou com um agravo regimental, pedindo para que o habeas corpus fosse julgado por um colegiado. Na última quinta, o órgão marcou para a próxima terça-feira o julgamento do novo recurso, que seria apreciado pela Quinta Turma. Foi quando os advogados de Bruno Henrique protocolaram a desistência do recurso, que foi homologada horas depois da decisão.
Em julho, o TDJDFT acolheu a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e tornou Bruno Henrique e o irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, por fraude em evento esportiva, mas indeferiu a denúncia por estelionato. A investigação, aberta pela Polícia Federal em novembro de 2023, encontrou indícios de que o jogador teria recebido um cartão amarelo de propósito em uma partida entre Flamengo e Santos, pelo Brasileirão, em setembro.
A Polícia Federal deflagrou a operação “Sport-fixing” em 5 de novembro de 2023 e cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, entre Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre os alvos, estavam Bruno Henrique e Wander, e mensagens recuperadas de celulares revelaram conversas em que os dois combinavam o dia que o jogador seria punido com um cartão amarelo.
“Quando pessoal mandar tomar o 3 liga nós hein (sic)”, diz Wander em uma conversa. “Contra o Santos”, responde Bruno Henrique, pedindo para o irmão procurar a data da partida. Em outra mensagem, o jogador alerta o irmão para não utilizar a própria conta quando for realizar apostas: “Vc não pode ser. Temos nome igual”, diz ele.
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