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setembro 23, 2026
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Defesa de Lindsay Clancy, mulher acusada de matar os três filhos nos EUA, pede investigação de jurado que impediu veredito

Por · setembro 23, 2026
Defesa de Lindsay Clancy, mulher acusada de matar os três filhos nos EUA, pede investigação de jurado que impediu veredito


O advogado de defesa de Lindsay Clancy, acusada de homicídio pela morte por estrangulamento de seus três filhos em 2023, pediu a um juiz que investigue um jurado do caso. O crime aconteceu na casa da família, em Massachusetts, nos Estados Unidos. A mulher foi levada ao banco dos réus e nunca negou o assassinato das crianças, com idades entre 8 meses e 5 anos. O julgamento foi anulado no início deste mês depois que o júri enviou um comunicado dizendo que, “com o coração pesado”, não havia conseguido chegar a um veredito unânime.
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O advogado de Lindsay Clancy, Kevin Reddington, quer que o tribunal investigue a atuação de Michael Desronvil, único jurado que queria considerar a mulher culpada, como o uso de telefone celular durante as deliberações e o questionário que ele preencheu.
O advogado de Desronvil, Edward Paltzik, disse que essa ação da defesa era um ataque contra seu cliente por cumprir seu dever cívico. O jurado era o único dos 12 que considerava que Clancy deveria ser responsabilizada criminalmente pela morte dos três filhos. A estratégia da defesa tem sido de que a mulher estava, na época, em meio a um quadro de psicose pós-parto.
Em sua petição apresentada na última sexta-feira (18), Kevin Reddington solicitou ao tribunal que analisasse as ligações e mensagens de texto feitas pelo “Jurado Doe” entre 8h e 16h30 durante todos os dias em que o júri deliberou e que examinasse a veracidade das respostas dadas por ele durante o processo de seleção do júri, destacou a rede britânica BBC.
Na ocasião em que o julgamento foi anulado, o júri enviou um comunicado dizendo que, “com o coração pesado”, não havia conseguido chegar a um veredito. Um dia antes, outra comunicação havia indicado que um dos jurados não estaria seguindo corretamente as instruções de Sullivan sobre o conceito de dúvida razoável, padrão de prova exigido para que um réu seja considerado culpado. A mensagem dizia que o jurado expressou dúvidas sobre a culpa de Clancy, mas se recusou a votar por sua absolvição.
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Vários jurados afirmaram, após o término do julgamento, que a decisão final foi de 11 a 1 a favor da absolvição de Clancy.
Entenda o caso
Clancy foi acusada de de homicídio em primeiro grau pelas mortes dos filhos Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de 8 meses, que ocorreram em 24 de janeiro de 2023, na casa da família, em Massachusetts.
Clancy não contesta que matou as crianças, mas se declarou inocente das acusações de assassinato. Seu advogado sustentou que ela sofria de psicose pós-parto e havia alucinado com a voz de um homem ordenando que ela matasse seus filhos e depois se suicidasse.
Ex-enfermeira obstétrica de um hospital de Boston, ela buscou tratamento com uma equipe de médicos que lhe prescreveram mais de uma dúzia de medicamentos.
A promotoria, por sua vez, sustentava uma versão diferente, afirmando que Clancy tomou uma decisão intencional e calculada para matar os filhos, planejando expulsar seu então marido, Patrick Clancy, de casa no dia dos assassinatos. Ele declarou, em depoimento, que havia retornado de uma série de compras e encontrado as crianças no porão com faixas elásticas em volta do pescoço. Cora e Dawson já estavam mortos, enquanto Callan morreu dias depois.
No sistema jurídico dos EUA, os casos de psicose pós-parto são tratados como qualquer outra alegação de insanidade — para serem bem-sucedidos, devem atender à definição de insanidade do estado em questão. Os estados geralmente utilizam uma variação de uma entre várias definições.
Massachusetts, de forma incomum, exige que a acusação, e não a defesa, prove que um réu com doença mental “mantinha a capacidade substancial de compreender a ilicitude ou criminalidade de sua conduta e de adequar sua conduta às exigências da lei”.
Especialistas afirmam que provar em tribunal se um réu sofreu de psicose pós-parto pode ser difícil. Isso se deve em parte à complexidade do diagnóstico. Os sintomas frequentemente incluem paranoia e um afastamento da realidade, o que dificulta aos médicos basearem-se apenas nas descrições dos pacientes sobre o que estão vivenciando. Além disso, para alguns pacientes com o transtorno, o estado mental pode variar a cada hora.
— É uma condição caracterizada pela alternância entre períodos de lucidez e períodos de inconsciência — disse ao New York Times Michelle Oberman, uma jurista que estudou casos de mães que cometem homicídio.
Os Estados Unidos são uma exceção na forma como lidam com esses casos. Cerca de três dezenas de outros países têm leis penais específicas que regem o infanticídio pós-parto, estabelecendo penas significativamente menores ou encaminhando as mães para tratamento em vez de encarceramento.

Defesa de Lindsay Clancy, mulher acusada de matar os três filhos nos EUA, pede investigação de jurado que impediu veredito