Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, terá de lidar, veja só, com uma ação judicial por danos morais. Ele é acusado de expor dois homens com deficiência visual que trabalhavam no camarote do governo do Estado, na Marquês de Sapucaí, durante os desfiles das escolas de samba.
A queixa surgiu após a circulação de um vídeo do chefe do Executivo carioca que viralizou nas redes sociais. Nas imagens, ele aparece imitando pessoas com deficiência visual durante o carnaval, segurando uma bengala-guia e usando óculos escuros. Os objetos, na verdade, pertenciam a um dos autores da ação.
A história por trás da gravação é narrada na petição apresentada pelos massoterapeutas Alexandre Barbosa e Jonnathan Moreno Barros. Eles contam que foram convidados pelo governo do Estado para atuar na Sapucaí, realizando sessões de massagem com visitantes dos camarotes. Ao perceberem a chegada do gestor municipal ao espaço, decidiram se apresentar.
“O prefeito, sem autorização e sem qualquer consentimento, retirou de Alexandre seus óculos e sua bengala, instrumentos essenciais à sua orientação e locomoção, e passou a imitar, de forma caricatural e jocosa, gestos associados à deficiência visual, expondo os autores ao ridículo perante centenas de pessoas presentes”, afirma a petição.
Segundo os autores, foi necessário pedir a devolução dos pertences à primeira-dama do Rio, que teria conversado com o mandatário. “O momento que deveria representar valorização profissional converteu-se em exposição pública indesejada e humilhante, ferindo a dignidade de quem apenas esperava respeito”, explicam:
O advogado dos massagistas acusa o político de capacitismo e injúria, apontando a “instrumentalização da deficiência para fins de chacota e escárnio”. Teria ocorrido, também, “exposição vexatória deliberada”, o que justificaria a responsabilização civil e o pagamento de indenização. A dupla afirma ainda que não houve qualquer pedido de desculpas por parte do governante.
Na ação, os autores pedem indenização de R$ 100 mil para cada um. O município do Rio também foi incluído no processo. Há ainda a solicitação de que o dirigente municipal faça uma retratação formal pelo episódio. Dias depois da repercussão do caso, o prefeito foi questionado sobre a atitude e classificou o episódio como “infeliz”.

