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Deftones lança décimo álbum e conquista uma nova geração com ajuda das redes sociais

BRCOM by BRCOM
agosto 23, 2025
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Deftones — Foto: Devin Oktar Yalkin/The New York Times

Numa tarde quente de agosto, dentro da Atomic Records — uma loja de música simples escondida em um centro comercial de Burbank, Califórnia — os cinco integrantes do Deftones levavam pilhas de vinis até o caixa.

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Abe Cunningham, o baterista, vasculhava uma pilha grossa: The Residents, Prince, The Pretenders. Frank Delgado, que toca teclado e faz os efeitos com pick-ups, saiu com “Neon Lights” do Kraftwerk e um disco de Alice Coltrane. O vocalista Chino Moreno pegou um vinil que nunca tinha ouvido falar, atraído por um soldado romano de aparência feroz na capa, e citou alguns de seus favoritos de diferentes épocas: o álbum de estreia do Danzig, “Viva Hate” do Morrissey, e qualquer coisa do Cocteau Twins.

Deftones — Foto: Devin Oktar Yalkin/The New York Times

Essas escolhas poderiam parecer surpreendentes para uma banda considerada a vanguarda do movimento nu metal do final dos anos 90. Mas o gosto eclético do Deftones provou ser a chave para a longevidade da banda. Enquanto colegas como Limp Bizkit e Mudvayne se mantinham no metal pesado com ritmos sincopados e fusão com rap, o Deftones explorava elementos de shoegaze, post-punk e new wave, sempre com uma base de metal alternativo pulsante.

“Sempre tentamos evitar nos encaixar em um único som,” disse Moreno, 52. “Fazíamos música para nós mesmos, com base em todas as influências que gostamos. E essas influências são realmente diversas.”

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O caminho, no entanto, foi tudo menos fácil. Vícios, bloqueios criativos, a morte de um membro da banda — “todo clichê que você possa imaginar,” contou Moreno numa entrevista na loja, sentado com os colegas em cima de caixas de madeira entre os corredores de vinis usados.

Mas o grupo resistiu — e está prosperando. Nesta sexta-feira (22), o Deftones lançará seu décimo álbum, “Private Music”, cheio de melodias cintilantes, sintetizadores com glitches e os vocais elevados de Moreno entrelaçados com os riffs pesados e em afinação baixa de Stephen Carpenter.

O som pode soar familiar, mas o público que o recebe é relativamente novo. Impulsionados pelas redes sociais, pela nostalgia dos anos 2000 e pelo renascimento do shoegaze, muitos jovens estão descobrindo o catálogo da banda pela primeira vez.

“O som deles sempre teve os elementos essenciais,” disse George Clarke, vocalista da banda Deafheaven, que conheceu o Deftones por um videoclipe que passou na TV da avó nos anos 2000. “Hoje, quando ouço os discos antigos deles, 20 anos depois, percebo sons novos, porque me tornei um ouvinte mais atento.”

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Delgado, 54, atribui parte desse novo interesse à facilidade de acesso que a internet proporciona. “Antigamente, você tinha que garimpar, ir até lojas de disco, sentar em cabines de audição, perguntar ao atendente o que valia a pena,” disse.

O ressurgimento também trouxe novos tipos de fãs aos shows — incluindo jovens mulheres —, ultrapassando o público majoritariamente masculino que dominava a cena nu metal no início.

O Deftones tem “um nível de complexidade harmônica que é muito emocional e que você não ouve muito no metal,” disse Willow Smith, cantora e atriz que já fez covers da banda, por e-mail. Ela descreveu o grupo como “extremamente inspirador”. “Há uma feminilidade e um anseio lindos na performance de Chino, que destacam ainda mais essa complexidade.”

As raízes do Deftones estão em Sacramento, Califórnia, ainda nos anos 80, quando Moreno e Cunningham estudavam na mesma escola e conheceram Carpenter pela cena local de skate. Carpenter era fã de Anthrax, Slayer, Metallica; Moreno curtia new wave; Cunningham se inspirava em The Police e Mitch Mitchell (do Jimi Hendrix Experience). Eles recrutaram o baixista Chi Cheng, um tipo hippie extrovertido que adorava reggae e funk.

A banda logo se tornou presença constante na cena de rock e skate de Sacramento. Seu álbum de estreia, “Adrenaline” (1995), era direto e agressivo, com músicas como “7 Words” e “Bored” mostrando os riffs cortantes de Carpenter e a raiva nos vocais de Moreno. O nu metal ganhava forma, com álbuns de Korn, Incubus e Limp Bizkit tocando frequentemente nas rádios e na MTV.

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Mas foi com o segundo disco, “Around the Fur” (1997), que a banda se destacou como experimental. Faixas como “My Own Summer” combinavam os vocais sussurrados de Moreno com seus gritos característicos, enquanto as linhas de baixo errantes de Cheng ganhavam protagonismo ao lado dos riffs pesados de Carpenter.

“Esse continua sendo um dos meus discos favoritos, e depois da recepção que tivemos, ganhamos confiança pra fazer o que quiséssemos,” disse Moreno. “Não tínhamos limites — estávamos empolgados.”

No álbum “Saturday Night Wrist” (2006), a banda se aventurou ainda mais. Delgado misturava turntablism e synths glitchados, enquanto a bateria de Cunningham trazia elementos do jazz. Os vocais de Moreno remetiam à poesia evasiva de Dave Gahan (Depeche Mode) e ao lirismo melancólico de Robert Smith (The Cure). (Gahan, aliás, é fã: “Chino e o Deftones transcenderam o tempo e expandiram seus limites criativos,” disse por e-mail.)

Mas o estilo de vida desregrado da banda cobrou seu preço. Alguns enfrentaram vícios e divórcios. Moreno teve dificuldades para compor “Saturday Night Wrist”, e sua confiança caiu ainda mais quando a gravadora tentou colocá-lo para escrever com compositores profissionais.

“Foi tipo um episódio de ‘Behind the Music’,” brincou Moreno, citando o famoso documentário da VH1 sobre bandas cheias de drama.

A tragédia veio em 2008. Enquanto gravavam o álbum “Eros”, o baixista Chi Cheng sofreu um grave acidente de carro que o deixou em coma. O projeto foi engavetado e nunca lançado. Cheng faleceu em 2013.

“A morte do Chi nos fez colocar tudo em perspectiva. Tentamos não dar nada disso como garantido,” disse Moreno. Cunningham, 52, assentiu com a cabeça. “Somos sortudos por ainda termos uns aos outros,” acrescentou.

A banda seguiu em frente com o baixista Sergio Vega (ex-Quicksand). Ao longo da década seguinte, o Deftones continuou explorando o som, flertando com o otimismo etéreo (“Diamond Eyes”, 2010), o hardcore e o dream pop (“Koi No Yokan”, 2012) e os contrastes sensuais de “Gore” (2016) e “Ohms” (2020).

Chino Moreno, dos Deftones — Foto: Devin Oktar Yalkin/The New York Times
Chino Moreno, dos Deftones — Foto: Devin Oktar Yalkin/The New York Times

Momentos difíceis ainda surgiriam. Vega deixou a banda em 2021 e foi substituído por Fred Sablan, ex-baixista de Marilyn Manson.

Carpenter, 55, foi diagnosticado com diabetes tipo 2 e parou de viajar de avião devido à ansiedade. Em turnês internacionais, um amigo de Sacramento o substitui. Às vezes, os desentendimentos criativos surgem em público.

“Se fôssemos terminar a banda ou deixar de ser amigos, já teria acontecido,” disse Moreno rindo.

Carpenter completou: “É normal não gostar de alguém às vezes, sabe? Tipo, eu te odeio agora. Mas na real, eu te amo.”

Em 2022, a banda viu um novo pico de popularidade. O nu metal — um rótulo que sempre tentaram evitar — estava ressurgindo, e o trabalho do Deftones se destacou. Jovens descobriram músicas como “Cherry Waves” e “Hole in the Earth” após viralizarem nas redes. “Change (In the House of Flies)” ultrapassou meio bilhão de reproduções no Spotify. No ano passado, 50 mil ingressos para um show do Deftones com o System of a Down em São Francisco se esgotaram em 90 minutos.

“Talvez os jovens estejam descobrindo a versão deles de Depeche Mode, The Smiths, The Cure, em termos de lirismo e clima,” disse Jeff Sosnow, executivo da Reprise/Warner Records, em entrevista.

Carpenter comentou sobre uma piada interna da banda: “Nossos discos demoram uma década pra de fato acontecer. Lançamos, e só dez anos depois eles fazem o que achávamos que fariam no lançamento.”

O novo álbum, “Private Music”, tem 11 faixas experimentais e concisas. Uma delas, “Souvenir”, é um hino espacial que traz frescor e positividade:

“We gaze at the night, we own it, it’s divine / We ride,” canta Moreno.

(“Olhamos para a noite, ela é nossa, é divina / Nós seguimos.”)

Moreno, prestes a completar três anos de sobriedade, diz que se sente mais presente, responsável e focado. A terceira faixa do álbum se chama “Ecdysis” — termo que descreve o processo de muda de pele de répteis — e sugere uma transformação pessoal.

“Passei por aquele medo que muitos artistas têm: se tal droga tem algo a ver com a criatividade,” disse. “Mas assim que comecei a criar sem ela, percebi que não precisava. E talvez por isso tenhamos feito um dos nossos melhores discos — ele está no mesmo nível de tudo o que já fizemos.”

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