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novembro 4, 2026
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Democrata Abdul El-Sayed é eleito como primeiro muçulmano ao Senado dos EUA

Por · novembro 4, 2026
Democrata Abdul El-Sayed é eleito como primeiro muçulmano ao Senado dos EUA


O médico Abdul El-Sayed, de 42 anos, será o primeiro senador de origem árabe e muçulmano do país dos Estados Unidos. Com a vitória na disputa no estado americano do Michigan (projetada pelo jornal The New York Times e pela rede de TV CNN), os democratas garantem a manutenção de uma cadeira em um dos estados mais importantes para a definição do equilíbrio de forças no Congresso americano. Filho de imigrantes egípcios e integrante da ala à esquerda do partido, ele chegará à Câmara Alta após uma campanha que dividiu os próprios correligionários, colocou a guerra em Gaza no centro do debate e foi marcada por ataques relacionados à sua origem e religião.
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O resultado marca uma vitória crucial para o Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, nas quais estão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e 36 governos estaduais. No Michigan, a disputa ganhou importância adicional por ocorrer em um estado que alternou entre os dois partidos nas últimas eleições presidenciais: Joe Biden venceu em 2020, enquanto Trump levou o território em 2016 e 2024, sempre com margens apertadas.
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El-Sayed enfrentou o republicano Mike Rogers, ex-deputado, ex-agente do FBI e veterano de guerra que já havia concorrido ao Senado em 2024, quando perdeu por uma pequena margem. A vaga ficou aberta após a decisão do democrata Gary Peters de não disputar a reeleição. O triunfo de El-Sayed também representa a chegada ao Senado do primeiro cidadão de origem árabe e pode ter repercussões sobre os rumos do Partido Democrata na preparação para a disputa presidencial de 2028.
Filho de imigrantes
Nascido no Michigan, El-Sayed é filho de imigrantes muçulmanos do Egito. Seu pai chegou ao estado na década de 1970, durante um período de expansão da imigração árabe para a região. O Michigan abriga uma das comunidades árabe-americanas mais antigas, numerosas e atuantes dos EUA, estimada em aproximadamente 400 mil pessoas.
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Médico e epidemiologista, El-Sayed construiu sua trajetória política fora do grupo tradicional de lideranças democratas. Sua candidatura ao Senado ganhou força com um discurso crítico à influência de grandes doadores e de organizações pró-Israel sobre a política americana. Na campanha, defendeu a ampliação da cobertura universal de saúde pública, o corte do financiamento do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), responsável pela política migratória do governo Trump, e o fim do apoio militar americano a Israel.
Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, dirige-se a apoiadores em seu evento da noite da eleição no Majestic Theatre, em Detroit, Michigan, em 4 de agosto de 2026
JEFF KOWALSKY / AFP
A guerra em Gaza foi um dos principais temas de sua campanha. El-Sayed classificou a ofensiva israelense como genocídio. A posição ajudou a consolidar sua candidatura entre eleitores progressistas, mas também provocou resistência dentro do próprio Partido Democrata, especialmente entre setores mais próximos ao establishment da legenda.
Disputa dentro do partido
A primeira batalha de El-Sayed foi nas primárias democratas, quando derrotou por uma margem apertada a veterana política Haley Stevens, apoiada pelo establishment do partido. A vitória representou uma derrota para a ala mais tradicional da legenda e colocou em evidência a força da sua candidatura.
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Durante a campanha para o Senado, o médico também foi criticado por aparecer ao lado do streamer de esquerda Hasan Piker, conhecido por ter declarado, em 2019, que os EUA mereceram os atentados de 11 de Setembro. El-Sayed afirmou repetidamente que não concorda com a declaração.
A religião do candidato também se tornou alvo de ataques republicanos. Rogers o acusou de financiar sua campanha com dinheiro de grupos terroristas, enquanto El-Sayed foi questionado sobre a participação de sua mãe, na década de 1970, em atividades sociais da Irmandade Muçulmana, organização fundada no Egito em 1928. A Casa Branca designou algumas ramificações da Irmandade no Oriente Médio como grupos terroristas.
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Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu a menos de duas semanas da eleição. Durante um evento de campanha na pequena cidade de Caro, um homem identificado como Tommy perguntou se El-Sayed condenaria publicamente a Irmandade Muçulmana. O candidato respondeu afirmativamente, mas questionou a motivação da pergunta e afirmou que esse tipo de abordagem contribui para o aumento da islamofobia nos EUA.
O homem foi posteriormente identificado como Thomas Teepell, estrategista que já havia trabalhado para políticos republicanos. A conversa foi gravada e viralizou nas redes sociais. Durante o embate, El-Sayed comparou os questionamentos sobre sua lealdade religiosa aos ataques enfrentados pelo ex-presidente John F. Kennedy, primeiro católico a ocupar a Casa Branca, que também precisou responder a acusações de que sua fé poderia entrar em conflito com seus deveres constitucionais.
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Ao longo da campanha, o episódio se tornou um exemplo da maneira como o candidato procurou responder às críticas sobre sua religião e redirecionar o debate para a liberdade religiosa e os princípios constitucionais americanos.

Democrata Abdul El-Sayed é eleito como primeiro muçulmano ao Senado dos EUA