Em alta nas redes sociais e cada vez mais presentes na rotina de celebridades, as canetas emagrecedoras também começam a repercutir no consultório de cirurgia plástica. À medida que aumenta o uso de medicamentos da classe dos GLP-1, cresce a procura de pessoas que, depois de emagrecer, passam a se incomodar com mudanças que permanecem no corpo, como flacidez, excesso de pele, perda de volume e pequenas áreas de gordura localizada. O movimento amplia uma discussão que vem depois da balança: o que fazer quando o peso muda, mas algumas características do corpo permanecem.
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A transformação também desperta interesse na indústria de estética. Em maio, a Reuters mostrou que empresas como Apyx Medical e InMode passaram a identificar nesse público uma nova frente de crescimento. A Apyx, por exemplo, projetou aumento de 9% a 11% na receita em 2026, considerando, entre outros fatores, a demanda por seu sistema minimamente invasivo de contorno corporal voltado ao tratamento da flacidez.
Para Alexandre Peruzzo, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, esse cenário também alterou o perfil de quem chega ao consultório.
“As canetas emagrecedoras trouxeram uma paciente diferente para a cirurgia plástica. Muitas já alcançaram uma perda de peso importante, mas continuam incomodadas com flacidez ou pequenas áreas de gordura localizada. Se a necessidade está concentrada em determinadas regiões, o planejamento também precisa ser localizado. Não faz sentido ampliar uma intervenção quando o problema é pontual”, afirma.
As alterações não ficam restritas ao corpo. Redução de volume no rosto, pele excedente e mudanças no contorno facial e corporal também aparecem entre as queixas relatadas por pessoas que passaram por uma redução significativa de peso.
O que permanece depois do emagrecimento
A relação entre os medicamentos e a cirurgia plástica também passou a integrar as discussões de entidades internacionais. A International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) observa que grandes reduções de peso associadas aos agonistas de GLP-1 podem vir acompanhadas de flacidez, redistribuição de gordura e mudanças no contorno facial e corporal. A entidade ressalta, porém, que os efeitos sobre músculos, ligamentos e a capacidade de retração da pele ainda não são completamente conhecidos.
Por isso, chegar a determinado peso não é, isoladamente, o que define a possibilidade de uma intervenção. Em agosto de 2026, a American Society of Plastic Surgeons publicou novas recomendações para pessoas que consideram procedimentos de contorno corporal depois de uma redução significativa de peso. Entre os pontos destacados está a necessidade de observar aspectos nutricionais e possíveis deficiências de proteínas, vitaminas do complexo B e vitamina D antes da operação.
“Antes de pensar na técnica, é preciso entender como ocorreu o emagrecimento, se o peso está estável, como estão a massa muscular, a alimentação, os exames e a qualidade da pele. O corpo pode ter mudado muito por fora, mas a indicação cirúrgica depende também de como esse organismo chega ao procedimento”, explica Alexandre.
O uso dos medicamentos é outro aspecto considerado nessa avaliação. A ISAPS recomenda atenção especial a pessoas que ainda estão na fase de aumento das doses ou que apresentam sintomas gastrointestinais, uma vez que os agonistas de GLP-1 podem retardar o esvaziamento do estômago. Nesses casos, a entidade orienta que intervenções eletivas sejam analisadas individualmente.
Quando a mudança está concentrada em uma região
Depois de uma mudança corporal significativa, algumas queixas podem se concentrar em regiões específicas. Nesses casos, a abordagem pode variar de acordo com a área envolvida, a quantidade de tecido e as condições apresentadas por cada pessoa.
Entre as opções mencionadas por Peruzzo está a Minilipolaser, utilizada para tratar áreas de gordura localizada. Dependendo da avaliação, recursos como laser e radiofrequência podem fazer parte da abordagem. Outra possibilidade, em situações selecionadas, é o nanofat graft corporal, que utiliza material obtido da própria gordura da paciente, processado antes de ser aplicado em regiões previamente definidas.
Para o cirurgião, essas alternativas não devem ser entendidas como uma etapa automática após o uso dos medicamentos.
“O crescimento das canetas emagrecedoras não significa que toda pessoa que emagreceu precise de cirurgia plástica. A questão é identificar o que permaneceu depois dessa transformação e verificar se existe uma indicação real para tratar aquela região. Muitas vezes, fazer menos é justamente o que torna o procedimento mais personalizado”, conclui.
Dr. Alexandre Peruzzo fala sobre cirurgia plástica após o emagrecimento com canetas
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Depois das canetas emagrecedoras: entenda quando a cirurgia pode ser considerada
