Morar fora do Brasil é um assunto que aparece com frequência nas redes sociais, especialmente quando celebridades e influenciadores compartilham mudanças de país, temporadas no exterior ou experiências de vida longe daqui. Zilu Godoi, por exemplo, anunciou em 2023 que havia recebido o Green Card e se tornado residente nos Estados Unidos.
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Histórias como essa ajudam a colocar em evidência uma decisão que também faz parte dos planos de outros brasileiros: como organizar a vida profissional para quem pretende trabalhar e morar nos Estados Unidos? Para quem considera uma mudança de longo prazo, entender as possibilidades de imigração e se preparar com antecedência são etapas que podem fazer parte do planejamento.
Entre as alternativas existentes está o EB-2 NIW, categoria de imigração destinada a determinados profissionais com formação avançada ou habilidade excepcional. A modalidade prevê, em determinadas circunstâncias, a possibilidade de solicitar a dispensa de uma oferta de emprego, desde que os critérios estabelecidos pela legislação americana sejam atendidos.
A documentação apresentada ajuda a mostrar a formação e a trajetória profissional do candidato. Por isso, quem pensa em fazer uma aplicação em 2027 pode começar a organizar informações sobre a própria carreira com antecedência.
Segundo Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional, um currículo extenso não é o único elemento considerado.
“Grande parte das aprovações não acontece porque a pessoa simplesmente possui um bom currículo. O que faz diferença é a capacidade de demonstrar impacto profissional, relevância da atuação e como esse trabalho pode beneficiar os Estados Unidos”, explica.
O que é o EB-2 NIW?
A categoria faz parte das modalidades de imigração baseadas em emprego nos Estados Unidos e contempla profissionais com formação avançada ou habilidade excepcional. No caso do NIW, existe a possibilidade de solicitar uma dispensa de determinados requisitos relacionados à oferta de emprego e ao processo conduzido por um empregador.
A análise segue critérios definidos pelas autoridades americanas e considera as características de cada caso. Ter determinada profissão ou um currículo extenso, portanto, não significa automaticamente estar qualificado.
“Muitos profissionais são excelentes tecnicamente, mas nunca organizaram sua trajetória de maneira estratégica. O currículo existe, mas as provas ainda não”, afirma Toledo.
Que informações podem ser organizadas?
Para quem considera esse caminho, reunir documentos ao longo do tempo pode facilitar o acesso à própria trajetória profissional e ajudar a identificar quais informações estão disponíveis.
Documentos profissionais
Diplomas, certificados, registros profissionais, contratos e comprovantes de experiências anteriores podem fazer parte do material apresentado. Manter esses arquivos organizados também pode ser útil em outras situações profissionais.
Um currículo atualizado, com cargos, projetos, cursos e experiências relevantes, ajuda a concentrar essas informações.
Produção e reconhecimento na área
Artigos, livros, palestras, participação em congressos, entrevistas, premiações e atividades acadêmicas são exemplos de registros que podem compor o histórico profissional, dependendo da área de atuação e das características do caso.
“Autoridade não se constrói em poucas semanas. Ela precisa ser desenvolvida ao longo da carreira”, diz o advogado.
Resultados profissionais
Também é possível reunir documentos que mostrem trabalhos realizados e resultados obtidos. Projetos, pesquisas, desenvolvimento de produtos ou tecnologias, atuação empresarial e outras contribuições podem ajudar a contextualizar a experiência de cada profissional.
A importância de cada registro depende dos critérios aplicáveis ao pedido.
Relações profissionais
Cartas de recomendação também podem integrar a documentação. Nesse contexto, relações construídas ao longo da carreira podem ser relevantes quando estiverem relacionadas ao histórico profissional apresentado.
Planejamento financeiro
A decisão de morar em outro país envolve despesas que vão além da documentação migratória. Moradia, transporte, alimentação, seguro, educação, deslocamentos e custos de instalação são alguns dos itens que podem entrar na conta, de acordo com a realidade de cada família.
Também vale considerar quanto seria necessário para os primeiros meses no novo país e como a mudança afetaria a rotina financeira.
O que entra na decisão de morar nos Estados Unidos?
Uma mudança internacional costuma envolver questões pessoais e profissionais. Para quem pretende trabalhar no país, área de atuação, formação, mercado de trabalho e possibilidades de carreira podem fazer parte da decisão.
No caso dessa modalidade de imigração, a trajetória profissional é um dos elementos analisados no pedido. Segundo Daniel, a residência permanente permite ao profissional trabalhar e desenvolver atividades nos Estados Unidos dentro das regras aplicáveis à condição de residente.
“O Green Card representa muito mais do que autorização de residência. Ele permite que o profissional construa uma carreira de longo prazo, empreenda, tenha liberdade para trocar de empregador e planeje o futuro da família com mais estabilidade”, avalia.
A residência permanente também pode permitir, conforme os requisitos previstos na legislação, a inclusão de determinados familiares no processo. Existem ainda regras específicas para quem pretende futuramente solicitar a cidadania americana.
O que considerar para uma aplicação em 2027?
Quem pensa em fazer o pedido no próximo ano pode aproveitar os meses anteriores para organizar documentos e reunir informações sobre sua trajetória. Isso inclui verificar diplomas e certificados, atualizar o currículo, guardar registros de trabalhos realizados e localizar documentos relacionados à experiência profissional.
O período também pode ser usado para entender quais requisitos se aplicam ao próprio caso e quais documentos podem ser necessários. Como as regras de imigração podem mudar, é importante consultar as informações oficiais no momento da aplicação.
“Na prática, o processo começa quando o profissional decide investir na própria carreira. O Green Card costuma ser consequência de uma trajetória bem construída, e não o seu ponto de partida”, conclui.
Dr. Daniel Toledo fala sobre os caminhos para brasileiros que planejam morar nos Estados Unidos
Divulgação
Além das malas: o que muda na carreira de quem decide morar nos EUA
