Uma década depois de ser palco de competições na Rio-2016, o destino do Campo Olímpico de Golfe, que fica na Área de Preservação Ambiental de Marapendi, na Barra da Tijuca, foi parar nos tribunais este ano. A disputa judicial, que até o momento não paralisou as atividades no local, onde foram realizados dezenas de torneios nacionais e internacionais nos últimos dez anos, uniu a prefeitura do Rio e a Tanedo S/A, proprietária da área, contra a CRF Empreendimentos, que administra o espaço. No meio da discussão sobre o campo, primeiro da cidade aberto ao público e não apenas a sócios, há acusações por parte da prefeitura de que a operadora desvirtuou o uso do equipamento. Ela teria provocado degradação ambiental ao decidir construir um campo de futebol; promover festas privadas e atividades, como exposições de carro; e utilizar como pista de pouso e decolagem de helicópteros para voos panorâmicos o terreno descampado onde só deveriam haver partidas de golfe.
Um laudo produzido em março por peritos do Instituto Carlos Éboli (ICE), que constatou remoção de vegetação, reforça as acusações. A CRF nega irregularidade e permanece à frente do equipamento por força de liminares.
A atual gestora assumiu a operação com base em um plano da prefeitura para viabilizar o complexo. Nos preparativos para a Olimpíada, inspeções realizadas pela Federação Internacional de Golfe e pelo Comitê Rio-2016 descartaram, por questões técnicas, os clubes mais tradicionais da cidade: o Gávea Golf Club e o Itanhangá. Para as primeiras competições em um campo saído do zero, de uma modalidade que voltava ao calendário olímpico depois de 112 anos, seriam necessárias obras de R$ 60 milhões.
Recorreu-se então, à iniciativa privada. Em troca do investimento que prevê manter o espaço como campo aberto ao público pelo menos até 2035 , a prefeitura alterou regras de construção de terrenos particulares no entorno, viabilizando novos prédios perto do condomínio Riserva Uno, onde uma unidade hoje não custa menos de R$ 7,5 milhões. Onde era permitida a construção de 96 prédios residenciais com seis andares foram liberados 22 prédios de 22 andares, cada, reduzindo a área total construída em 100 mil metros quadrados.
Cabia à prefeitura decidir quem administraria o espaço. A escolhida em 2015 foi a Confederação Brasileira de Golfe, que decidiu deixar a operação depois de dois anos, alegando não ter recursos para isso. O ex-prefeito Marcelo Crivella fez um aditivo ao contrato com a CRF até novembro de 2025, podendo ser prorrogado. Mas, em meio às acusações de irregularidades, a prefeitura decidiu não renovar a parceria. Dono da CRF, o empresário Carlos Favoretto questiona a decisão na Justiça:
– Não tem irregularidade. O contrato com a prefeitura previa que eu tinha direito a complementar as receitas com outras atividades (acessórias). A manutenção do espaço custa R$ 12 milhões por ano, sendo que R$ 100 mil por mês só em conta de luz. Apenas a receita com torneios e aluguel do campo não é suficiente para cobrir os custos do espaço – argumentou Carlos Favoretto: – De todo legado esportivo da Rio-2016, o que mais recebe torneios internacionais é aqui. Se fossemos organizar nova Olimpíada, só seria necessário instalar arquibancadas.
Em nota, a Tanedo informou que seguirá à risca as regras urbanísticas e de utilização do espaço após a retomada da área e disse que as receitas acessórias mencionadas “não guardam relação com o viéis esportivo proposto”‘. Lembrou ainda que, pela legislação, nenhum prédio pode ser construído no local.
“Para viabilizar a nova gestão, foi assinado protocolo de intenções com a Confederação Brasileira de Golfe’, de modo a assegurar que o campo siga as melhores práticas internacionais do esporte”, diz trecho da nota.

