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outubro 1, 2026
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Dia Internacional das Pessoas Idosas: mulheres vivem mais, mas estão envelhecendo mais sozinhas?

Por · outubro 1, 2026
Dia Internacional das Pessoas Idosas: mulheres vivem mais, mas estão envelhecendo mais sozinhas?


Elas vivem mais, encerram carreiras, veem os filhos construírem suas próprias famílias e, em alguns casos, atravessam a perda do companheiro e de amigos de uma vida inteira. A longevidade feminina é uma conquista, mas também traz uma questão que começa a ganhar espaço nas conversas sobre envelhecimento: como fazer com que os anos a mais sejam também anos de conexão, autonomia e pertencimento?
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Neste 1º de outubro, Dia Internacional das Pessoas Idosas, falar sobre solidão feminina significa ir além da imagem de uma mulher que mora sozinha. É possível viver só e manter uma rede afetiva intensa, assim como estar cercada pela família e ainda experimentar solidão.
— A perda do companheiro ou de amigos pode modificar profundamente a rotina de uma mulher mais velha. Não é apenas a ausência daquela pessoa. Mudam os programas, os hábitos, as conversas e até pequenos rituais construídos durante décadas. Quando várias dessas perdas se acumulam, reconstruir uma rede social pode se tornar mais difícil — explica a geriatra Priscila Guerra.
Quando a solidão se torna um problema?
Para Cristiane Belmonte, psicóloga, neuropsicóloga e psicanalista, o sinal de alerta aparece quando essa sensação de sentir só começa a ocupar diversos espaços da vida.
— A solidão passa a ser preocupante quando deixa de ser pontual e começa a se repetir como padrão, afetando sono, apetite e o ânimo para as atividades do dia a dia. Também é importante diferenciar solidão de solitude. Existem mulheres que escolhem passar mais tempo sozinhas e estão bem assim. O sinal de alerta é quando estar sozinha não é uma escolha — explica.
A aposentadoria, por exemplo, pode representar liberdade, mas também retirar uma estrutura que, durante décadas, organizou horários, relações e parte da identidade. Para quem concentrava boa parte da vida social no trabalho, deixar de encontrar colegas diariamente pode produzir um vazio inesperado.
— Para quem teve toda a identidade ligada ao trabalho e a vida social girando em torno dos colegas, a aposentadoria pode deixar um vazio real. Mas esse risco não é um destino. É um momento de transição que merece atenção da própria mulher e também de quem está ao redor — diz Cristiane.
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Priscila chama atenção para o fato de que envelhecer com qualidade não depende apenas do controle de doenças.
— Quando pensamos em envelhecimento saudável, precisamos olhar para a pessoa de maneira integral. Autonomia, vínculos, estímulo cognitivo, atividade física e participação social também fazem parte da saúde. Ter com quem conversar, sair, compartilhar interesses e continuar tomando decisões sobre a própria vida não é um detalhe — afirma a geriatra.
Amizades na terceira idade
A construção e a manutenção das amizades também podem ter um papel importante nessa etapa. Isso não significa transformar a agenda depois dos 60 em uma maratona social. Há mulheres que querem viajar com amigas, dançar e descobrir novos grupos, enquanto outras preferem um café semanal, encontros familiares, atividades religiosas, um clube de leitura ou uma caminhada acompanhada.
— Vida social ativa não significa a mesma coisa para todo mundo. Algumas mulheres se sentem plenas com um círculo pequeno, enquanto outras prosperam em grupos maiores. O que importa não é o tamanho desse círculo, mas a qualidade dos vínculos e se eles realmente nutrem aquela pessoa — explica Cristiane.
Dentro de casa, existe ainda uma linha delicada entre cuidado e excesso de proteção. Filhos que passam a resolver tudo pela mãe, por exemplo, podem acabar retirando pequenas decisões que ajudam a preservar sua independência. Para Priscila, a família precisa estar presente sem substituir a autonomia da mulher.
— A família pode estar presente sem ocupar todos os espaços. Perguntar o que ela deseja, incluí-la nas decisões, incentivar atividades de que realmente goste e respeitar sua capacidade de escolha também são formas de cuidado. A mulher não deixa de ter desejos, preferências e projetos porque envelheceu — reforça.
A longevidade feminina traz, portanto, uma reflexão que começa muito antes da velhice: construir uma vida que não dependa exclusivamente do casamento, dos filhos ou do trabalho para produzir pertencimento. Viver mais é uma conquista, mas manter vínculos, escolhas, autonomia e razões para continuar participando da própria vida também precisa fazer parte desse processo.

Dia Internacional das Pessoas Idosas: mulheres vivem mais, mas estão envelhecendo mais sozinhas?