No julgamento que mandou Jair Bolsonaro para o banco dos réus, o ministro Flávio Dino criticou o discurso de que a tentativa de golpe não foi grave porque não houve mortos no 8 de Janeiro.
“No dia 1º de abril de 1964 também não morreu ninguém. Mas centenas e milhares morreram depois. Golpe de Estado mata. Não importa se isso ocorre no dia, no mês seguinte ou alguns anos depois”, disse o ministro.
O alerta de Dino está correto, mas ele cometeu uma imprecisão histórica. É falsa a ideia de que a quartelada de 1964 não resultou em derramamento de sangue. A Comissão Nacional da Verdade contabiliza ao menos cinco mortos no dia que instaurou a ditadura.
No Recife, os estudantes Jonas José de Albuquerque Barros, de 17 anos, e Ivan Rocha Aguiar, de 24, foram mortos a tiros ao protestar contra a deposição do governador Miguel Arraes.
No Rio, Ari de Oliveira Mendes Cunha e Labibe Elias Abduch foram assassinados numa manifestação em frente ao Clube Militar, na Cinelândia. Baleada no peito, a dona de casa Labibe buscava informações sobre o paradeiro de um filho. Era imigrante síria e tinha 65 anos de idade.
Em Governador Valadares (MG), uma milícia rural matou Augusto Soares da Cunha, que militava a favor da reforma agrária. Os pistoleiros também alvejaram seu pai, Otávio Soares Ferreira da Cunha. Ele morreu três dias depois, aos 66 anos.
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