Abrir um negócio em outro país envolve muito mais do que transformar uma ideia em empresa. A internacionalização também passou a fazer parte dos planos de brasileiros que buscam novas oportunidades, incluindo celebridades que têm investido em negócios fora do país e ampliado sua atuação para outros mercados. Mas, por trás da expansão, existe um desafio que vale para qualquer empreendedor: entender uma realidade diferente antes de colocar uma operação em prática.
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Para quem decide empreender nos Estados Unidos, isso significa conhecer novos hábitos de consumo, custos, regras e formas de fazer negócios. O empresário brasileiro Dan Cunha, cofundador da GreatJobPro e com experiência na gestão de negócios de serviços na Flórida, acompanha de perto esse processo. Para ele, um dos principais desafios de quem chega ao país disposto a investir é perceber que um modelo que funcionou no Brasil pode precisar de ajustes antes de ser colocado em prática em outro mercado.
“É preciso reaprender a olhar para o consumidor, para os custos e para as regras locais. Uma ideia pode ser boa no Brasil e precisar de mudanças importantes para se tornar viável aqui”, afirma.
A presença de imigrantes no empreendedorismo americano ajuda a dimensionar esse cenário. Em 2021, eles eram responsáveis por 18,5% das empresas com funcionários nos Estados Unidos, segundo dados da Small Business Administration (SBA). Ao mesmo tempo, manter um negócio em funcionamento por muitos anos é um desafio para empreendedores de diferentes origens. Entre os estabelecimentos privados abertos em março de 2013, apenas 34,7% continuavam ativos dez anos depois, de acordo com o Bureau of Labor Statistics.
Os dados abrangem o mercado americano como um todo e não apontam as razões para o fechamento das empresas. Ainda assim, ajudam a mostrar que abrir as portas é apenas uma etapa de uma trajetória que depende de planejamento e capacidade de adaptação.
Um dos primeiros cuidados está na escolha da cidade. Antes de definir onde investir, a SBA recomenda analisar fatores como demanda, tamanho do mercado, localização dos clientes, concorrência, preços e nível de saturação.
Ter parentes, amigos ou uma comunidade brasileira por perto pode tornar determinado destino mais atrativo, mas não garante que exista público suficiente para sustentar a atividade. “A cidade precisa ser escolhida pelo potencial comercial da atividade, não apenas pela rede de contatos que o empreendedor já possui”, explica Cunha.
Também é preciso ter clareza sobre quanto a operação vai custar depois que as portas forem abertas. Salários, aluguel, seguros, impostos, licenças, taxas e regras de zoneamento variam conforme o estado, a cidade e o setor. Além das despesas iniciais, entra nessa conta o capital de giro necessário para atravessar o período em que a clientela ainda está sendo formada.
“O empreendedor pode ter dinheiro para inaugurar e não ter recursos para atravessar os primeiros meses. Quando despesas obrigatórias aparecem fora do planejamento, o caixa e a continuidade da empresa ficam comprometidos”, diz.
A precificação é outro ponto que exige atenção. Converter para o dólar o valor cobrado no Brasil ou simplesmente reproduzir a tabela de um concorrente não mostra se a atividade será rentável. Entre as recomendações da SBA está o cálculo do ponto de equilíbrio, que leva em conta custos fixos, despesas variáveis, preço e volume de vendas.
“O preço precisa nascer da operação americana. Faturar não significa ganhar dinheiro se cada venda deixa uma margem insuficiente para pagar as despesas e sustentar o crescimento”, afirma Cunha.
A proximidade com outros brasileiros pode ajudar na conquista dos primeiros clientes, especialmente em regiões com forte presença de imigrantes. O desafio aparece quando essa rede se transforma na única estratégia para fazer o negócio crescer.
Na avaliação do empresário, é importante testar a capacidade de chegar a outros públicos e entender como a empresa será encontrada, avaliada e escolhida por consumidores locais. “A comunidade brasileira pode ser a porta de entrada, mas não deve se transformar no teto da empresa”, declara.
Outro ponto está na adaptação do próprio modelo de negócio. Levar para os Estados Unidos um produto ou serviço pensado para a realidade brasileira pode exigir mudanças na comunicação, no atendimento e nos processos. Horários, contratos, prazos, formas de pagamento e maneiras de resolver problemas também fazem parte dessa adaptação.
“Internacionalizar um negócio não é apenas trocar o endereço, o idioma ou a moeda. É reconstruir a empresa a partir das regras, dos custos e do consumidor que existem naquele país”, conclui.
Dan Cunha falou sobre os desafios de empreender nos Estados Unidos
Divulgação CO Assessoria
Do Brasil aos EUA: o que é preciso reaprender ao começar de novo?
