Sandro Mazzola, que morreu aos 83 anos, foi um dos grandes símbolos da poderosa Inter de Milão dos anos 1960 e protagonista de uma das principais controvérsias da seleção italiana na Copa do Mundo de 1970.
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Filho de Valentino Mazzola, capitão do lendário Torino, construiu uma carreira marcada por títulos, gols e pela disputa de espaço com Gianni Rivera na equipe italiana que terminou como vice-campeã mundial.
Nascido em 8 de novembro de 1942, em Turim, Alessandro Mazzola carregou desde a infância o peso do legado do pai. Valentino morreu quando Sandro tinha apenas seis anos, no acidente aéreo de Superga, em 1949, que matou praticamente toda a equipe do Torino.
A família enfrentou dificuldades financeiras após a tragédia. A mãe de Sandro teve problemas para sustentar os filhos, embora tenha recebido ajuda de pessoas ligadas ao futebol, entre elas Giuseppe Meazza, outra grande estrela italiana das décadas de 1930 e 1940.
No futebol, Sandro seguiu os passos do pai. Jogador ofensivo e versátil, chegou a ser ignorado pelo Torino antes de ingressar na Inter de Milão, então presidida por Angelo Moratti.
Ídolo da Inter de Milão
Mazzola permaneceu 17 temporadas na Inter e se tornou um dos principais jogadores da história do clube. Com a equipe, conquistou quatro títulos da Serie A, duas Copas da Europa e duas Copas Intercontinentais.
Ao lado de Giacinto Facchetti, Mario Corso, Tarcisio Burgnich, Jair, Luis Suárez e Armando Picchi, integrou a equipe que dominou o futebol europeu em meados dos anos 1960.
As duas conquistas da Copa da Europa vieram em 1964, contra o Real Madrid, quando Mazzola marcou dois gols, e em 1965, diante do Benfica. As campanhas foram comandadas pelo técnico franco-argentino Helenio Herrera, adepto do catenaccio, sistema marcado pela forte preocupação defensiva.
Mesmo nesse contexto, Mazzola terminou como artilheiro do Campeonato Italiano em 1965. Em 1971, ficou em segundo lugar na votação da Bola de Ouro, atrás do holandês Johan Cruyff.
Em uma entrevista de 1988, Mazzola afirmou que sua popularidade também estava ligada à memória deixada pelo pai:
— Tive tantos admiradores porque também herdei os admiradores do meu pai.
A polêmica com Gianni Rivera
Pela seleção italiana, Mazzola disputou 77 partidas e marcou 22 gols. Sua trajetória com a Azzurra, porém, ficou especialmente marcada pela relação com Gianni Rivera, estrela do Milan, e pela decisão do técnico Ferruccio Valcareggi de alternar os dois durante a Copa do Mundo de 1970.
Nas quartas de final e na semifinal, Valcareggi dividiu o tempo de jogo entre os dois craques. A estratégia ganhou enorme repercussão e alimentou a percepção de que Mazzola e Rivera eram incompatíveis em campo.
Na final contra o Brasil de Pelé, vencida pelos brasileiros por 4 a 1, Mazzola começou jogando e só deixou o campo seis minutos antes do fim. A decisão reacendeu a discussão na imprensa italiana.
Apesar da rivalidade esportiva construída ao redor dos dois, Mazzola e Rivera mantiveram uma relação cordial. Após a morte do ex-companheiro, Rivera relembrou a amizade entre os dois em entrevista à Rádio 1 Rai:
— Embora ele fosse da Inter, tínhamos uma excelente relação, uma grande amizade.
Rivera também recordou a dificuldade para entender a estratégia adotada por Valcareggi:
— Houve um período em que preferiram nos fazer jogar alternadamente, e nenhum dos dois entendeu por quê.
Títulos e carreira fora dos campos
Mazzola também conquistou a Eurocopa de 1968 com a seleção italiana. Sua carreira internacional terminou com 77 partidas e 22 gols.
Depois de deixar os gramados, seguiu no futebol como dirigente. Foi diretor esportivo da Inter entre 1995 e 1999 e ocupou a mesma função no Torino entre 2000 e 2003.
Mazzola também trabalhou como comentarista de televisão, mantendo-se ligado ao futebol italiano após o fim da carreira como jogador.
Do legado do pai ao sucesso na Inter de Milão: quem foi Sandro Mazzola, jogador italiano que morreu aos 83 anos
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