Um segundo trem descarrilou no sudeste da Inglaterra em menos de 24 horas, nesta sexta-feira, em meio à quinta onda de calor do verão britânico e a temperaturas que chegaram a 38°C em Londres. O acidente ocorreu perto da estação de Wickford, em Essex, a cerca de 48 quilômetros a leste da capital. Não houve registro de feridos entre os 62 passageiros que estavam a bordo.
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O trem, operado pela Greater Anglia, fazia o trajeto entre Southend e a estação London Liverpool Street quando dois vagões traseiros saíram dos trilhos pouco depois das 14h. As composições permaneceram na posição vertical. Passageiros relataram que o trem balançou violentamente antes de parar, seguido por um ruído de vibração e fumaça na parte traseira.
— O trem balançou violentamente por cerca de dez segundos, como se estivesse prestes a tombar — contou o passageiro Jon Young, de 37 anos, à BBC.
Equipes de bombeiros, paramédicos e policiais foram mobilizadas. Segundo o Serviço de Ambulâncias do Leste da Inglaterra, os 62 passageiros foram avaliados e liberados no local. As autoridades também auxiliaram na retirada de passageiros de outro trem que ficou impossibilitado de continuar a viagem por causa do descarrilamento.
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O acidente provocou a interdição de todas as linhas entre Wickford e Southend Victoria, afetando os serviços entre Londres e Southend. A National Rail alertou para grandes interrupções no transporte ferroviário durante a sexta-feira, enquanto a Southern recomendou que passageiros que pretendem viajar durante o fim de semana consultem a situação das linhas e considerem pelo menos uma hora adicional no trajeto.
Dois episódios em dois dias
O descarrilamento ocorreu menos de um dia depois de outro acidente ferroviário, em Lewes, no condado de East Sussex. Na quinta-feira, um trem que seguia de Londres para Eastbourne saiu dos trilhos, e três vagões tombaram para o lado. Cerca de 150 pessoas estavam na composição. Duas ficaram gravemente feridas e outras 18 sofreram ferimentos leves.
Vagões de um trem descarrilado são vistos de lado, perto da cidade de Lewes, no sul da Inglaterra, em 13 de agosto de 2026
CARLOS JASSO / AFP
As causas dos dois acidentes ainda são investigadas, e as autoridades pediram que não sejam feitas conclusões antecipadas. A Rail Accident Investigation Branch (RAIB), órgão britânico responsável pela investigação de acidentes ferroviários, enviou equipes aos dois locais.
Calor acende alerta
A sequência de acidentes, porém, levantou preocupações sobre os efeitos do calor extremo sobre a infraestrutura ferroviária. Na quinta-feira, Londres registrou 38°C, enquanto a temperatura chegou a 34°C nesta sexta. A onda de calor também vem acompanhada de condições excepcionalmente secas.
Segundo Martin Frobisher, diretor de segurança e engenharia da Network Rail, o clima quente e seco registrado no Reino Unido neste verão tem imposto “desafios excepcionais” ao sistema ferroviário. A empresa afirmou que vem monitorando de perto as temperaturas dos trilhos, adotando restrições de velocidade quando necessário e programando obras de renovação da infraestrutura de acordo com as condições de calor.
Especialistas afirmam que a expansão dos trilhos de aço pode ser um dos fatores investigados. Em trechos com trilhos soldados continuamente, o metal pode se expandir com o aumento da temperatura. Se não houver espaço suficiente para essa expansão, a estrutura pode sofrer deformações e formar uma espécie de ondulação, conhecida como “track buckle”, que aumenta o risco de descarrilamento.
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John Lawrence, presidente da Railway Technical Network, da Institution of Engineering and Technology, afirmou ao Science Media Centre que, caso os acidentes estejam relacionados à perda do alinhamento dos trilhos, a expansão causada pelo calor poderia explicar o problema. Segundo ele, o risco pode aumentar após vários dias e noites quentes, quando a infraestrutura não consegue dissipar adequadamente o calor acumulado.
A Network Rail, responsável pela infraestrutura ferroviária britânica, afirmou que os sistemas do país continuam entre os mais seguros do mundo e que a segurança é sua prioridade. A empresa disse que realizará investigações internas para analisar todas as possíveis causas e fatores envolvidos nos dois episódios.
As autoridades britânicas reforçaram que, até o momento, não é possível afirmar que o calor tenha provocado qualquer um dos dois descarrilamentos. A investigação dos acidentes deverá determinar se as altas temperaturas e as condições do solo tiveram participação nos episódios.

