Com o salto no barril do petróleo e a pressão do avanço das taxas dos títulos globais, o dólar e os juros futuros subiram no Brasil. A moeda americana encerrou a quinta-feira em avanço de 0,89%, aos R$ 5,22. A Bolsa encerrou em leve avanço, impulsionada por papéis de petrolíferas.
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Os rendimentos do Título do Tesouro Americano de 10 anos, que servem de referência global para investimentos mundo afora, alcançaram taxas vistas pela última vez em julho de 2002, a 5,68%. Já os de 30 anos também saltaram, a 5,61%, recorde de taxa em 24 anos.
Nesta quinta-feira, os rendimentos dos ‘gilts’ britânicos de 30 anos subiram a 6% pela primeira vez desde 1998. A última vez que uma das sete maiores economias do mundo registraram um rendimento acima de 6% foi em 2012, quando a Itália enfrentava uma crise da dívida soberana e bancária.
Toda essa liquidação no mercado de dívida soberana, que faz os rendimentos saltarem, contribuiu com a força da moeda americana. Das 31 moedas mais negociadas no mundo, apenas o franco suíço se valorizou frente o dólar nesta quinta-feira.
— Desde a manhã as curvas de juros sobem bastante. Fica mais forte a expectativa de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) tenha que subir mais duas vezes o juro no ano — avalia Alexandre Viotto, chefe de câmbio e banking da EQI Investimentos, que vê a aproximação do primeiro turno contribui com a volatilidade. Como fatores externos para a piora nas taxas, ele aponta a resiliência da economia americana e o petróleo sendo negociado acima de US$ 100 há quase um mês.
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O óleo disparou nesta quinta-feira após informações de que os EUA estão enviando um terceiro porta-aviões para o Oriente Médio. O petróleo tipo Brent (referência internacional) avançou 4,37% na sessão, aos US$ 102,31. Por isso, os papéis de petrolíferas deram a tônica da sessão da Bolsa brasileira nesta quinta-feira.
Ainda assim, a Bolsa segue em trajetória de estabilidade. Desde o dia 2 de setembro, o Ibovespa oscilou em torno de uma linha praticamente horizontal, aos 185 mil pontos.
Christian Keleti, CEO da gestora Alpha Key Capital, afirma que a Bolsa brasileira vive uma “mola comprimida”. Na visão dele, os investidores estão em compasso de espera para o resultado eleitoral e, daí, traçar previsões para o rumo dos juros e fazer suas apostas no mercado acionário:
— Se houver uma agenda fiscal propositiva, com corte de gastos e desindexações, isso abre espaço para dólar cair para abaixo de R$ 5. Consequentemente, o BC pode acelerar os cortes de juros, fazendo com que as empresas paguem menos juros de dívidas. Com despesas financeiras menores, os resultados melhoram — afirma ele sobre o atual estado de ‘stand by’ dos investidores.
A crise dos juros no exterior, ele avalia, não reduz a trajetória de ímpeto que a Bolsa pode ter a partir de um compromisso de revisão dos gastos públicos. Isso porque, com a redução dos juros, a migração para a renda variável virá do investidor brasileiro:
— Este movimento inicial virá do (investidor) local, que acumulou patrimônio no CDI nos últimos anos. Se falarmos de 1% de todo o dinheiro de pessoa física investido hoje, são R$ 150 bilhões, duas vezes e meia o pico do que o estrangeiro aportou em 2026 no Brasil — afirma Keleti. O saldo do investidor estrangeiro alcançou R$ 65 bilhões até meados de abril, quando a extensão da guerra e o aumento do apetite por companhias ligadas à inteligência artificial mudou os rumos dos aportes internacionais no país.
A consolidação fiscal também é apontada pelo Goldman Sachs como fundamental para a trajetória do câmbio. De acordo com o banco americano, os juros elevados do Brasil contribuem com o atual desempenho do dólar, mas o resultado eleitoral também vai guiar o futuro da moeda.
Para o Sachs, o dólar poderia ir aos R$ 4,80 caso haja compressão total do prêmio fiscal embutido no valor da moeda desde a crise que se abateu no fim de 2024. No fim daquele ano, a moeda chegou aos R$ 6,30. “Em um cenário fiscal negativo, o dólar pode ir a 5,80, refletindo um prêmio fiscal semelhante ao observado em dezembro de 2024, enquanto R$ 5,40 refletiria um prêmio semelhante ao de setembro de 2024”, diz trecho de relatório do banco americano.
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Dólar vai a R$ 5,22 em dia de estresse nos juros globais. Bolsa fica em 'stand by' por eleições
