A Snap fechou um acordo em uma ação judicial movida por duas adolescentes que afirmam que anos de uso compulsivo do aplicativo de compartilhamento de fotos da empresa, com rolagem contínua de conteúdo e publicações frequentes, contribuíram para seus problemas de saúde mental.
Mais investimento: Anthropic prevê quase US$ 900 bilhões em gastos com IA nos próximos anos, diz FT
Processo finalizado: Meta chega a acordo em processo sobre vício de adolescentes em redes sociais e evita julgamento
O acordo, firmado durante o processo de seleção dos jurados em Los Angeles, permite que a empresa evite mais um julgamento de grande repercussão sobre dependência de redes sociais. O caso, que tramitaria na Justiça estadual da Califórnia, seria o mais recente teste de milhares de ações semelhantes. Os adolescentes já haviam chegado a acordos confidenciais com a Meta Platforms, o TikTok e o YouTube, do Google.
“Nosso objetivo final é responsabilizar essas empresas de redes sociais pelos impactos de suas ações sobre milhões de crianças em todo o país, e esses acordos nos permitem continuar avançando nessa direção”, afirmaram John Morgan e Emily Jeffcott, advogados de um dos adolescentes, em comunicado anunciando o acordo. Os termos não foram divulgados.
Em comunicado separado, a Snap afirmou que “as partes estão satisfeitas por terem conseguido resolver a questão de maneira amigável”.
Novas regras: Estado de Nova York restringe uso de chatbots por menores
Os dois processos, reunidos por decisão do juiz, seriam os segundos a chegar a julgamento entre as ações movidas por jovens usuários e seus familiares, que acusam as empresas de redes sociais de projetar suas plataformas para lucrar à custa da segurança e da saúde mental dos jovens.
As empresas negam as acusações e ressaltam que disponibilizaram ferramentas e recursos para ajudar pais de adolescentes que utilizam suas plataformas. Também procuram destacar as experiências positivas dos usuários no ambiente on-line.
Um porta-voz da Snap acrescentou nesta segunda-feira que a empresa criou mecanismos de proteção, lançou tutoriais e consultou especialistas. Segundo ele, a companhia continua comprometida com o fortalecimento da segurança, da privacidade e do bem-estar de sua comunidade on-line.
As ações da Snap subiram mais de 3% às 15h15 em Nova York nesta segunda-feira.
Menos fôlego: Crescimento da Apple desacelera, com vendas abaixo do esperado na China
Com valor de mercado de aproximadamente US$ 9,4 bilhões, a Snap é muito menor que suas concorrentes, o que a torna mais vulnerável à reação judicial contra as redes sociais, que vem ganhando força nos últimos cinco anos.
A Bloomberg Intelligence estima que a exposição da empresa a processos relacionados aos danos causados pelas redes sociais possa chegar a US$ 3 bilhões até 2029.
“O valor de mercado, a receita e o caixa relativamente menores da Snap reduzem sua capacidade de absorver acordos judiciais, e o mercado pode estar subestimando a exposição total da empresa”, afirmou Matthew Schettenhelm, analista da Bloomberg Intelligence, em relatório de 26 de outubro.
As adolescentes autoras da ação que estava programada para ser julgada nesta semana são identificadas nos documentos judiciais pelas iniciais S.J., uma menina de 16 anos de Illinois, e K.D.B., uma jovem de 18 anos do Mississippi.
Ataque: Hackers invadem supermercados europeus e elevam temperatura de freezers a 50ºC
Ambas alegam que o uso intenso do Snapchat e de outras plataformas de redes sociais provocou ou contribuiu para quadros de depressão, ansiedade e transtornos alimentares.
As famílias não deveriam precisar recorrer a julgamentos com júri “para resolver um problema dessa dimensão”, afirmou Mark Lanier, advogado responsável pela condução do caso em nome das autoras, em comunicado.
“O que essas adolescentes precisam é de uma solução permanente, de mudanças reais no design das plataformas que protejam as crianças, e não de medidas paliativas caso a caso. Enquanto isso não acontecer, continuaremos levando esses processos a julgamento”, acrescentou.
As ações de S.J. e K.D.B. foram selecionadas entre o conjunto mais amplo de processos para servir como casos-piloto, conhecidos como bellwether cases. Os resultados desses primeiros julgamentos podem estimular negociações mais amplas para acordos, ao permitir que os advogados avaliem os pontos fortes e fracos de seus argumentos e das provas apresentadas — e, em última análise, quanto valem os processos restantes.
O primeiro desses casos-piloto foi a julgamento no início deste ano contra a Meta Platforms, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, e a Alphabet., controladora do Google. Uma jovem de 20 anos recebeu uma indenização de US$ 6 milhões depois que o júri concluiu que as empresas foram negligentes na concepção e na operação de suas plataformas e deveriam ter alertado que seus produtos poderiam prejudicar usuários jovens. A Snap e o TikTok haviam firmado acordos confidenciais com a jovem antes daquele julgamento.
Dona do Snapchat fecha acordo para evitar julgamento em ação sobre dependência de menores de idade em redes sociais
