Sócio e presidente da Bankrow, uma das fintechs investigadas na megaoperação que mirou um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando do Capital (PCC), Marcelo Dias de Moraes chegou a ser sócio de uma distribuidora de combustíveis implicada na investigação, segundo mostra a decisão da Justiça de São Paulo que autorizou a ação policial desta quinta-feira.
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Moraes foi sócio da distribuidora de combustíveis Petroribe por intermédio da empresa MDM Class Serviços, da qual é proprietário. A distribuidora ficava sediada na cidade de Jardinópolis, em um endereço também usada por outras empresas do setor, como a Rede Sol Fuel e Duvale, demonstrando, segundo os investigadores, “interconexão das entidades e o uso compartilhado de infraestrutura pelo grupo”.
A Petroribe tem, no momento, como um de seus donos Valdemar Bortoli Júnior, proprietário da Rede Sol e descrito como “pessoa de sólidos vínculos com diversas entidades e indivíduos envolvidos nas fraudes e lavagem de capitais”.
A estrutura da Rede Sol Fuel teria sido “apossada” por Mohamad Hussein Mourad, o “primo” ou “João”, apontado como um dos principais elementos do esquema do PCC no setor de combustíveis. Ele seria o responsável por chefiar a organização e usar as empresas para fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.
Por meio de nota publicada nas redes sociais, a Rede Sol Fuel disse não ser alvo da operação deflagrada nesta quinta-feira. “A base logística localizada no município de Jardinópolis é uma estrutura compartilhada por diversas empresas do setor, e a Rede Sol mantém parte de suas operações nesse espaço”, diz o texto. No entanto, endereços ligados à empresa estão entre aqueles alvos de mandado de busca e apreensão, conforme consta na decisão de 23 de agosto do juiz Sandro Leite, que autorizou a operação.
O envolvimento de Moraes com o esquema também se dá em outra frente, aponta a investigação. A empresa da qual ele é presidente, a Bankrow, mantém “procurações cruzadas” com outra empresa do setor, a BK Instituição de Pagamento. Uma diretora financeira da BK, por exemplo, era titular de uma procuração emitida pela Bankrow. Além disso, as duas empresas compartilham a mesma sede em Campinas (SP).
As duas empresas também fizeram transações entre si. Segundo as investigações, a BK recebeu R$ 311.212.235,80 e enviou outros R$ 65.777.482,90 para a Bankrow.
A BK seria uma das principais fintechs envolvidas no esquema. “Há uma rede de postos de combustíveis ligada aos investigados que movimentou mais de R$ 54 bilhões, pagando apenas 0,17% desse valor em tributos, o que é considerado ínfimo comparado à carga tributária normal, com a infraestrutura financeira da BK Instituição de Pagamento sendo um ‘duto’ para essas operações fraudulenta”, descreve a decisão.
Descrito como “figura-chave” do esquema, Ricardo Romano é dono de um posto de combustível que usou a BK para enviar recursos a Leandro Cavallari, vinculado ao PCC, segundo a investigação. O delator da facção Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no aeroporto de Guarulhos, denunciou ter sido ameaçado por Romano.
Procurada a Bankrow afirmou ter sido pega de surpresa pela operação e afirmou ser uma “empresa auditada pelo Banco Central”. Veja abaixo a íntegra da nota:
“Fomos pegos de surpresa, estamos ainda sem entender porque a Bankrow foi inserida na operação já que é uma empresa auditada pelo Banco Central, com envio diário de todas movimentações; e somente conseguiremos fornecer maiores informações, depois que tivemos acesso aos autos, o que ainda não aconteceu!”, disse a empresa, em nota.