Nesta semana, uma das maiores notícias envolvendo Rosalía não teve a ver com sua voz, mas com seu silêncio. A polêmica começou quando o estilista espanhol Miguel Adrover tornou pública, pelas redes sociais, uma troca de mensagens com a equipe da cantora, na qual pediam um figurino personalizado para ela.
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Até então, tudo parecia seguir os trâmites normais: a equipe esperava que o trabalho fosse realizado entre os meses de setembro, mas a resposta que receberam não foi a esperada. Os assistentes de Adrover responderam que ele não trabalhava com artistas que não tivessem declarado publicamente apoio à Palestina.
Junto às capturas de tela, Adrover acrescentou uma mensagem direcionada à cantora:
“O silêncio é cumplicidade, ainda mais quando você tem um megafone poderoso com o qual milhões de pessoas te escutam quando canta”, escreveu ele.
“Por isso, você tem a responsabilidade de usar esse poder para denunciar esse genocídio. Rosalía, isso não é nada pessoal. Te admiro por todo o seu talento e por tudo o que você conquistou. E acredito que vocês são muito mais do que artistas que apenas se dedicam ao espetáculo e ao entretenimento. Agora temos que fazer ‘o que é certo’. Motomami.”
A publicação viralizou não apenas na Espanha, mas também em outros países onde a cantora é considerada uma estrela. A partir disso, ela passou a receber uma enxurrada de críticas em suas redes sociais, acusada de omissão.
Nesta quinta-feira, Rosalía decidiu se manifestar sobre o assunto, por meio dos stories do Instagram. Lá, escreveu:
“Tenho acompanhado com muita tristeza o que vem sendo dito nos últimos dias. Desde já reconheço que o que vou escrever aqui será incompleto e imperfeito, mas é a minha verdade e está escrito com a melhor das intenções.”
“O fato de eu não ter usado minha plataforma de forma alinhada ao estilo ou às expectativas alheias não significa, de forma alguma, que eu não condene o que está acontecendo na Palestina”, afirmou. E concluiu:
“É terrível ver, dia após dia, pessoas inocentes sendo assassinadas, e que aqueles que deveriam pôr fim a isso não o façam.”
Uma vez tendo se posicionado, ela decidiu comentar sobre a iniciativa do estilista de cobrar publicamente um posicionamento.
“Não acredito que envergonharmos uns aos outros seja a melhor maneira de seguir adiante na luta pela liberdade da Palestina. Acho que o apontamento deveria ser direcionado para cima (a quem decide e tem poder de ação), e não na horizontal (entre nós)”, refletiu.
“Num mundo como o de hoje, todxs vivemos em constante contradição; eu, em primeiro lugar, e embora pessoalmente eu sempre tente fazer ‘o que é certo’, provavelmente nem sempre vou conseguir. Mas, no processo, tento aprender e melhorar”, acrescentou.
“Lamentavelmente, este texto não é — e nunca será — suficiente diante de um contexto de violência extrema como o que está acontecendo. Por isso, gostaria de encerrar com profundo respeito e agradecimento às pessoas que realmente atuam: ONGs, ativistas, voluntárixs, profissionais da saúde, trabalhadores, cooperativas, associações e jornalistas que dedicam suas vidas a ajudar nessa causa e em tantas outras.”