O acesso ao esgotamento sanitário está diretamente relacionado à saúde pública, à preservação ambiental e às condições de vida nas cidades. Embora muitas vezes seja tratado como uma questão exclusivamente ligada à infraestrutura urbana, o funcionamento adequado dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto tem efeitos que alcançam a rotina da população, a conservação dos recursos naturais e o desenvolvimento dos municípios.
No Brasil, ampliar esse atendimento continua sendo um dos principais desafios para a universalização do saneamento básico. Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) apresentados na matéria-base indicam que 55,4% dos domicílios brasileiros são atendidos por rede coletora de esgoto. Nas áreas urbanas, o índice chega a 60,9%, enquanto nos domicílios rurais é de apenas 3,5%. A diferença evidencia que a expansão da infraestrutura ainda precisa avançar de maneira significativa em diferentes regiões e contextos.
Quando o foco passa para o tratamento, o cenário também exige atenção. De acordo com os dados utilizados na matéria, 51,8% do volume estimado de esgoto gerado no país é tratado. Considerando somente o volume que efetivamente é coletado, o percentual de tratamento chega a 85,2%. A diferença entre os indicadores demonstra que ampliar a coleta continua sendo uma etapa essencial para permitir que uma parcela maior do esgoto produzido pela população seja encaminhada para tratamento adequado.
Saneamento também é uma questão de saúde pública
A ausência de sistemas adequados de coleta e tratamento ultrapassa o problema da infraestrutura. Quando o esgoto não recebe destinação apropriada, rios, córregos, solos e águas subterrâneas podem ser afetados, especialmente em locais onde esses recursos possuem importância para o abastecimento da população.
O Ministério das Cidades destaca a relação entre coleta e tratamento de esgoto, promoção da saúde pública e preservação dos recursos naturais. Por isso, a expansão dos serviços de saneamento deve ser compreendida como parte de uma estratégia mais ampla de proteção ambiental e melhoria da qualidade de vida.
A EBS, especializada em soluções para o setor de saneamento básico, evidencia que a adequação dos municípios depende de planejamento estratégico, capacidade técnica e investimentos contínuos. O processo envolve diferentes etapas, desde o diagnóstico das necessidades locais até a elaboração de projetos, definição de investimentos, licenciamento e implantação das estruturas necessárias.
A própria infraestrutura também exige acompanhamento permanente. Redes coletoras precisam ser inspecionadas e mantidas, estações elevatórias necessitam de acompanhamento operacional e as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) devem funcionar de acordo com as características de cada sistema e com os padrões aplicáveis aos efluentes tratados.
O prazo de 2033 aumenta a importância do planejamento
O Marco Legal do Saneamento estabeleceu uma meta de 90% da população com acesso à coleta e ao tratamento de esgoto até o final de 2033. No mesmo período, o objetivo para o abastecimento de água potável é alcançar 99% da população. Com o prazo definido, a organização antecipada dos municípios ganha importância para evitar que projetos e investimentos sejam concentrados nos últimos anos.
A implantação ou ampliação de um sistema de esgotamento sanitário envolve diagnóstico, planejamento, elaboração de projetos, investimentos, licenciamento, construção de redes, estações elevatórias e estações de tratamento. Depois da conclusão das obras, ainda é necessário manter uma estrutura operacional capaz de garantir o funcionamento contínuo do sistema.
A Norma de Referência nº 8/2024 da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico reforça a necessidade de ampliação progressiva do acesso aos serviços e estabelece mecanismos para acompanhamento das metas de universalização nos municípios e nas prestações regionalizadas.
Nesse cenário, o planejamento precisa considerar as características de cada localidade. A extensão das redes, as condições urbanas, a estrutura existente, as necessidades de manutenção e a capacidade de investimento são alguns dos fatores que podem influenciar a definição das soluções.
A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento examina que o avanço do esgotamento sanitário requer uma combinação entre infraestrutura, conhecimento técnico, profissionais qualificados, tecnologia e gestão eficiente. A análise das necessidades de cada sistema permite estabelecer prioridades e direcionar os investimentos para pontos que possam contribuir para a ampliação e a qualidade do atendimento.
Construir redes é apenas uma parte da solução
Um sistema de esgotamento sanitário eficiente não depende apenas da construção de novas redes. Depois de implantadas, essas estruturas precisam ser acompanhadas, mantidas e operadas adequadamente. O mesmo vale para estações elevatórias e unidades de tratamento.
Nas ETEs, os processos precisam considerar as características do esgoto recebido e resultar em efluentes compatíveis com as normas, legislações, outorgas e autorizações ambientais e de recursos hídricos aplicáveis. Dessa forma, a eficiência do saneamento depende tanto da infraestrutura física quanto da capacidade de operação e monitoramento.
Essa perspectiva também muda a forma como os investimentos devem ser avaliados. Uma obra representa uma etapa importante, mas seus resultados dependem da capacidade de manter o sistema funcionando de maneira adequada ao longo do tempo. Para os municípios, isso significa considerar, desde o planejamento inicial, as necessidades futuras de operação e manutenção.
A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento destaca ainda a importância da tecnologia e da estrutura técnica qualificada para acompanhar os sistemas de saneamento. A combinação desses elementos pode contribuir para identificar necessidades, organizar prioridades e melhorar a gestão da infraestrutura existente.
No contexto da universalização, o avanço do esgotamento sanitário representa uma oportunidade de enfrentar simultaneamente desafios de saúde pública, preservação ambiental e desenvolvimento urbano. Ampliar a coleta significa permitir que mais pessoas tenham acesso a uma estrutura adequada para destinação dos resíduos. Ampliar o tratamento significa reduzir a pressão sobre os recursos naturais e melhorar a proteção dos corpos hídricos.
Os próximos anos, portanto, serão decisivos para os municípios brasileiros. O prazo de 2033 estabelece uma referência clara, mas alcançar as metas depende de decisões tomadas desde já, com diagnóstico, planejamento, investimentos e capacidade operacional.
Mais do que cumprir uma meta de infraestrutura, ampliar o esgotamento sanitário significa criar condições para cidades mais preparadas, recursos naturais mais protegidos e melhores condições de vida para a população.

