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Ed Motta, investigado por injúria após confusão em restaurante do Rio, é alvo de retaliação de nordestinos

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maio 19, 2026
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Ed Motta, investigado por injúria após confusão em restaurante do Rio, é alvo de retaliação de nordestinos


Ed Motta, investigado por injúria por preconceito após uma confusão no restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, virou alvo de retaliação de nordestinos nas redes sociais. O artista, segundo denúncia, teria proferido a frase “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas”, quando não aceitou pagar taxas de rolhas pelo consumo de cinco vinhos na madrugada do dia 2 de maio. Na porta da delegazia, Ed Motta negou o preconceito. Nos comentários de shows anunciados para este mês, dezenas de nordestinos se pronunciaram sobre o caso. O registro de ocorrência foi feito na 15ª DP (Gávea) e enquadra o caso como injúria por preconceito, prevista no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, além de injúria comum.
“Só não venha para a Paraíba”, “Que tal não vir para a Região Nordeste? Sendo assim, eu faço questão de nem lembrar de sua fala preconceituosa”, disseram alguns internautas.
Outra pessoa, ao comentar um vídeo musical, desabafou: “Estou extremamente decepcionada com a atitude do cantor Ed Motta. Sempre o enxerguei, desde criança, como referência musical… É deprimente quando as pessoas, na necessidade de parecer superior, quando os ânimos estão exaltados, procuram subterfúgios para atingir o próximo naquilo que acredita ser inferior… Como neta de nordestinos, me senti ultrajada e decepcionada. Não pela falta de orgulho do sangue nordestino, mas por ver uma figura pública, tão erudita e privilegiada dispensar um tratamento tão desonroso a quem trabalha e encontra no trabalho a sua dignidade. Que o rigor da lei lhe encontre”.
Segundo o barman do restaurante Grado, uma das pessoas que relatam ofensas, Ed Motta começou a insultá-lo após uma conversa entre clientes e funcionários do restaurante, de acordo com o depoimento: “Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba”, teria dito o cantor. Em seguida, ainda conforme o relato, ele colocou uma taça de vinho sobre o balcão e afirmou: “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas”. Ao deixar o local, teria acrescentado: “Cambada de paraíba” e, virando-se novamente para o funcionário: “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.
No dia 12 de maio, Ed Motta prestou esclarecimentos por cerca de duas horas, acompanhado dos advogados Pedro Ivo Velloso e Thatiana de Carvalho Costa, na 15ª DP (Gávea). Em depoimento, ele negou que tenha dirigido ofensas xenofóbicas a um barman do restaurante e classificou as acusações de ter chamado o funcionário de “paraíba” como “injustas” e “infundadas”.
Além de Ed Motta, a polícia colheu o depoimento do sócio do restaurante, Nello Garaventa, do barman, da caixa e de um garçom. Os acompanhantes do cantor, o empresário Diogo Coutinho do Couto, proprietário dos restaurantes Escama e Quinta da Henriqueta, e o advogado Nicholas Guedes Coppi, apontado pela Polícia Civil como o responsável por lançar uma garrafa de vinho contra um cliente e de tê-lo agredido com soco, também estavam previstos para depor.
No depoimento desta terça-feira, Ed Motta relatou que sentiu-se “chateado” e “desprestigiado” ao ser cobrado pela taxa de rolha, visto que essa cobrança nunca havia sido feita antes. Ele, então, reclamou com o gerente, que lhe teria dito que a taxa foi cobrada em virtude de a mesa estar cheia, ou seja, não eram apenas o cantor e a esposa, caso em que a taxa não seria cobrada — à mesa, estavam o cantor e mais seis pessoas. Em seguida, o artista levantou-se e disse: “Nunca mais volto aqui”.
Logo depois, “sob influência de emoção”, narrou, o cantor pegou uma cadeira e arremessou-a ao chão, “sem a intenção de acertar qualquer pessoa” — o assento, porém, resvalou numa mesa e acertou as costas de um garçom. Em virtude de seu tamanho, continuou, Ed Motta esbarrou em uma mesa onde havia dois casais. O cantor afirmou que não notou que, por conta desse esbarrão, uma bolsa de umas das ocupantes da mesa caiu ao chão e, logo em seguida, retirou-se do estabelecimento junto com sua mulher.

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