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'Ele tinha dito que já estava na estrada, voltando para casa', diz viúva de homem morto na Barra por PM

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abril 15, 2026
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'Ele tinha dito que já estava na estrada, voltando para casa', diz viúva de homem morto na Barra por PM


Morto após ser baleado por um policial militar, num restaurante na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, na madrugada da última segunda-feira, Ryan Victor Araújo dos Santos, de 28 anos, havia chegado à cidade no sábado, após uma viagem internacional a trabalho. Segundo a viúva, Amanda Bogas, ele havia dito que retornaria a Ribeirão Preto (SP), sua cidade natal, no domingo. No entanto, acabou indo para a casa noturna onde aconteceu o crime.
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— Ele veio para o Rio de carro para pegar o voo no dia 31 de março. Me disse que chegou de viagem no sábado e que voltaria para Ribeirão no domingo, só que foi a esse estabelecimento. Tinha dito que já estava na estrada, voltando para casa. Mentiu para mim e aconteceu isso — contou a viúva.
Ryan, de acordo com Amanda, trabalhava com assessoria financeira e também possuía uma loja de celulares. Os dois eram casado havia três anos. O rapaz deixou um filho de 1 ano e 3 meses.
— Ele era apaixonado pelo filho, fazia de tudo por ele. Agora, infelizmente, não vai poder ver o filho dele crescer.
Suspeito preso
A Justiça do Rio decretou, na madrugada desta quarta-feira, a prisão temporária por 30 dias do policial militar Milton Lopes dos Santos, lotado no 31º BPM (Recreio). O agente está preso desde a tarde desta terça-feira, quando se apresentou na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). De acordo com a decisão judicial, Milton confessou ter matado Ryan após uma discussão.
De acordo com o g1, testemunhas disseram que a confusão teria começado após a vítima e uma mulher que a acompanhava tentarem acessar um camarote e serem impedidas por seguranças, sendo retiradas do local. Do lado de fora, Ryan teria iniciado uma discussão.
Em depoimento, o sargento afirmou que interveio na briga e alegou ter agido em legítima defesa. Segundo ele, a vítima teria avançado em sua direção com uma garrafa de vidro, momento em que efetuou o disparo.
— Havia uma confusão no meio da boate e ele, como policial, tentou apartar essa confusão. A pessoa que estava envolvida foi para cima dele. Tentou, inclusive, jogar uma garrafa nele. Ele tentou se defender, tem um machucado na mão dele. E, instintivamente, atirou— disse o advogado do policial.
No entanto, a viúva afirmou que as imagens das câmeras de segurança do local mostram o marido caído dentro do bar e algumas pessoas retirando o corpo e o colocando na calçada:
Homem é carregado após ser baleado em casa noturna na Barra da Tijuca
— Quando fui prestar depoimento eu perguntei sobre as imagens e disseram que a qualidade era ruim, mas que tudo aconteceu lá dentro e que teria sido uma confusão mesmo.
De acordo com o delegado Renato Martins, foi uma “briga de bar” e Ryan estava bastante alterado no momento da confusão.
Amanda chegou ao Rio de Janeiro na noite de segunda-feira, acompanhada da mãe de Ryan, para a liberação do corpo. Na terça-feira, elas seguiram para São Paulo, onde será realizado o velório.
— Quando fui à delegacia, me informaram que já havia um autor. Logo que saí ele se entregou pelo que fiquei sabendo. Desde o início me disseram que era um PM, mas quando se trata de policiais, as pessoas têm medo de falar— relatou.
Emocionada, a viúva desabafou sobre a perda:
— Ele sempre tratou minhas duas filhas de outro relacionamento como se fossem dele. Dava o máximo para cuidar de nós. Tive um casamento muito feliz, um parceiro que vai fazer muita falta. Ele me apoiava em tudo.
O velório será realizado em São Paulo, mas a família optou por não divulgar o local. A cerimônia será restrita a familiares e amigos próximos.
Família negava briga
Antes, a família de Ryan contestou a versão apresentada primeiro pelo advogado do estabelecimento, e agora reiterada pelo suspeito, de que o jovem teria se envolvido em uma confusão dentro da casa noturna com algumas pessoas antes do crime.
“Com relação às declarações atribuídas ao advogado do estabelecimento, cumpre esclarecer que quaisquer afirmações sobre supostas condutas da vítima, bem como sobre a dinâmica dos fatos, carecem de confirmação oficial e não podem, neste momento, ser tratadas como verdade. É absolutamente inadequado e precipitado atribuir à vítima qualquer tipo de envolvimento em ‘confusão’, sobretudo sem a devida apuração pelas autoridades competentes, o que pode gerar interpretações equivocadas e injustas, além de ferir a memória e a dignidade de Ryan Victor Araújo dos Santos”, disse a nota.
O comunicado também reforçou que “não há, até o presente momento, conclusão investigativa que sustente tais alegações, motivo pelo qual repudia qualquer tentativa de antecipação de juízo ou construção de narrativa que possa distorcer os fatos”.
O que diz o restaurante
Também em nota, o advogado Gabriel Habib, que representa o Mia Lounge, afirmou que o restaurante “tem total interesse em colaborar com as investigações para tentar descobrir quem foi o autor dos disparos”:
“O que se sabe até agora, segundo testemunhas, é que autor dos disparos era um uma pessoa que estava na rua no momento da confusão. A vítima já tinha arrumado confusão dentro do restaurante com algumas pessoas. Quando os seguranças estavam conduzindo a vítima para a rua, o autor dos disparos, que estava na calçada, entrou na varanda do restaurante, próximo à calçada, efetuou o disparo e fugiu. O restaurante está buscando as imagens de câmeras para fornecer à Polícia”.
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