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Em alta: Laranjeiras entra na lista de bairros mais legais do mundo feita por publicação inglesa; entenda

Laranjeiras sorriu e, satisfeito, comemorou a notícia: a Time Out cravou o bairro na 17ª posição do ranking que se propõe e listar as 40 vizinhanças mais legais do planeta em 2026. A seleção, divulgada anteontem pela publicação inglesa, é abrangente, com representantes de cinco continentes indicados por editores locais ligados à revista mundo afora. […]

Em alta: Laranjeiras entra na lista de bairros mais legais do mundo feita por publicação inglesa; entenda


Laranjeiras sorriu e, satisfeito, comemorou a notícia: a Time Out cravou o bairro na 17ª posição do ranking que se propõe e listar as 40 vizinhanças mais legais do planeta em 2026. A seleção, divulgada anteontem pela publicação inglesa, é abrangente, com representantes de cinco continentes indicados por editores locais ligados à revista mundo afora. A ordem final foi definida pela equipe de Londres. No texto de apresentação, a paragem da Zona Sul carioca é classificada como uma das mais charmosas e repletas de cultura na cidade.
O bairro surgido ao largo do que um dia já foi chamado de Vale do Carioca — referência ao rio que desce a Floresta da Tijuca e há muito serpenteia em galerias subterrâneas no seu trecho mais urbano — foi ganhando camadas ao longo do tempo que lhe conferem uma atmosfera única. Passou de localidade com caraterísticas rurais e chácaras voltadas à produção de alimentos a polo de atração dos endinheirados que ergueram por lá casas e palácios suntuosos a partir da primeira metade do século XIX.
Décadas depois, recebeu fábricas e vilas operárias. No século XX, viu surgir no seu entorno os túneis Rebouças e Santa Bárbara, e teve que absorver todo o movimento que veio junto. Passear por Laranjeiras — cujo nome deriva, dependendo da fonte, de supostos laranjais plantados por lá no tempo das chácaras a uma referência ao antigo bairro lisboeta homônimo — pode se transformar numa aula de história do Rio.
Confira abaixo algumas das principais atrações do bairro:
Parque Guinle
Espaço verde e arquitetura modernista convivem lado a lado no Parque Guinle
Márcia Foletto
Na extremidade da Rua Gago Coutinho, fica a entrada para o Parque Guinle. Para entrar é preciso contornar o antigo portão em ferro fundido. O anteparo, que em outros tempos guardava a entrada do Palácio Laranjeiras (1913) — antiga residência de Eduardo Guinle e sua família — permanece ali como obra de arte preservada. Já não barra ninguém. No parque de 25 mil metros quadrados, antigo jardim da mansão dos Guinle, é possível passar por entre alamedas arborizadas, gramados e os simpáticos patos, marrecos e congêneres, moradores antigos do local. No entorno do parque, para quem gosta de arquitetura moderna — com seus brises, cobogós e treliças — três joias projetadas por Lúcio Costa: os edifícios Nova Cintra (1947), Bristol (1950) e Caledônia (1953).
Palácio Laranjeiras
Subindo, à esquerda (do Parque Guinle), fica o imponente palácio que carrega o nome do bairro. Projeto dos arquitetos Joseph Gire e Armando da Silva Telles, o Palácio das Laranjeiras, foi erguido início do Século XX. Inspirado no Cassino de Monte Carlo, a construção impressiona por dentro e por fora. Um luxo que por muito tempo ficou longe dos olhos do público. Em maio o governo do estado inciou um programa de visitação guiada ao espaço que,pelo menos por enquanto, está restrito a grupos de estudantes da rede pública estadual e representantes do setor cultural.
Casas Casadas e Cine Carioca José Wilker
Casas Casadas e Cine Carioca José Wilker: bairro se destaque pela cultura
Márcia Foletto
Nos últimos anos, o advento de equipamentos culturais — como as Casas Casadas e seu vizinho, o Cine Carioca José Wilker, por exemplo — e a consolidação points gastronômicos variados têm contribuído para fortalecer a aura positiva do pedaço. Nas Casas Casas, mais cultura. Por lá funcionam o curso de cinema ABC, que tem à frente Affonso Beato, fotógrafo que tem no currículo filmes de Glauber Rocha e Pedro Almodóvar, por exemplo, e a lendária locadora Cavídeo.
— A abertura das Casas Casadas foi uma luta muito grande dos moradores. Nós lutamos para que elas não virassem um edifício, que era o objetivo do último proprietário. Houve um incêndio, mas conseguimos que a Prefeitura finalmente assumisse e fizesse o restauro. Isso, juntamente com outras iniciativas ,tem dado um clima diferente ao bairro. Você começa a ver restaurantes cheios de jovens, casais, famílias — atesta o escritor e historiador Nireu Cavalcanti, morador do bairro há 52 anos e ex-presidente da associação de moradores local.
— Laranjeiras, para mim, sempre foi um lugar muito tranquilo. Isso era bom por um lado, mas ruim do outro, porque eu sentia falta de opções culturais. De uns dez anos para cá, isso está mudando. Laranjeiras está assumindo um protagonismo que já deveria ter tido há muito tempo. Porque Laranjeiras é lotada de artistas, lotada de gente da cultura, de gente que gosta de cultura — atesta o Cavi Borges, diretor e produtor de cinema, dono da Cavídeo.
Rua General Glicério e a Praça São Salvador
A região da Rua General Glicério e a Praça São Salvador são paradas obrigatórias de qualquer roteiro que se preze por Laranjeiras. A primeira, aos sábados, abriga uma feira livre cheia de borogodó. Há 25 anos, por lá, as manhãs são embaladas por uma roda de choro de qualidade regada a cervejinha gelada e bons drinks. A segunda é palco de constante burburinho ao longo da semana embalado por jazz, samba,forró e variada gama de manifestações artísticas. No domingo, a feira de artesanato e gastronomia já virou tradição.
— Na General Glicério, estou há 25 anos, desde que o grupo Choro na Feira chegou ali para fazer uma roda de choro. De lá já vieram outros grupos. Da mesma maneira na São Salvador. Começou a roda e eu pedi licença para aportar lá com a minha barraca de drinks. Fui muito bem recebido e estou até hoje. Sou fã de Laranjeiras. É um bairro extremamente cultural, muito musical e gastronômico — derrete-se Luizinho Mandarino, morador há 15 anos, e muito popular na área por ser responsável por garantir as melhores caipirinhas (e outros birinaites nas duas feiras famosas).
Mercado São José
O Novo Mercado São José voltou a abrir as portas na Rua das Laranjeiras depois de seis anos fechado.
Márcia Foletto
As opções do bairro vão além das praças. Reaberto há um ano, em setembro de 2025, o Mercado São José, bem na Rua das Laranjeiras — principal via e espécie de espinha dorsal do bairro — ajuda a conferir aquele charme extra observado pelos avaliadores londrinos.
Palácio Guanabara
Palácio Guanabara, construído em meados do século XIX abrigou de membros da família imperial a presidentes e, mais recentemente, passou a ser sede do Governo do Estado do Rio
Márcia Foletto
Construído em meados do século XIX, inicialmente foi a residência da família do comerciante português José Machado Coelho. Em 1864, é compradopelo imperador D. Pedro II e dado de presente para sua filha, a princesa Isabel, e seu marido, o Conde d’Eu. Após a Proclamação da Repúblicapassou ao patrimônio da União e tornou-se residência oficial de presidentes da República no Rio. Desde a transferência da capital para Brasília, em 1960, o Palácio Guanabara é a sede do governo do Estado do Rio de Janeiro.
Rua Pires de Almeida
Rua Pires de Almeida, em Laranjeiras, considerada uma das mais fotogênicas do Rio
Márcia Foletto
Incrustado no coração do bairro de Laranjeiras, o lugar tem atmosfera peculiar e acolhedora. Sem saída, com traçado levemente curvo, começa na Rua das Laranjeiras e se estende por apenas 275 metros em suave elevação até um platô. Ao longo do caminho, estão distribuídos 23 prédios de quatro a seis pavimentos. Construídos na década de 1920, em estilo art déco, formam um conjunto harmônico que inspira comparações com recantos europeus, mas a vista inconfundível do Cristo Redentor no alto do Corcovado não deixa dúvidas: é Rio de Janeiro na veia.

Em alta: Laranjeiras entra na lista de bairros mais legais do mundo feita por publicação inglesa; entenda

Autor

BRCOM