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Em guerra contra a ‘ameaça existencial’ do Irã, Israel criou arsenal nuclear cuja existência não é confirmada ou negada

BRCOM by BRCOM
março 10, 2026
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Potências internacionais aumentam gastos em armas nucleares; investimento em todo o mundo aumentou US$ 10,8 bilhões em 2023 em relação ao ano anterior — Foto: SIPRI/Editoria de Arte

Uma semana e meia depois de lançar, ao lado dos EUA, a maior guerra no Oriente Médio desde a invasão americana do Iraque, em 2003, o chanceler israelense, Gideon Saar, afirmou que o conflito com o Irã “continuará até o momento em que nós e nossos parceiros considerarmos apropriado interromper as atividades”. Era uma resposta aos sinais enviados pela Casa Branca de que a ofensiva estava perto do fim, apesar dos bombardeios contra o território iraniano se intensificarem.

— Queremos eliminar, a longo prazo, as ameaças existenciais do Irã a Israel — disse Saar, em entrevista coletiva, se referindo em seguida ao programa nuclear iraniano, acusado pelos israelenses e pelo Ocidente de ter fins militares.

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Desde os anos 1990, Israel afirma que o regime busca obter armas nucleares, e revelações feitas por grupos de oposição no início do século pareciam dar corpo às acusações — para o premier Benjamin Netanyahu, se tratava de uma “ameaça existencial” ao seu país. Antes da guerra, negociações entre Teerã e Washington estavam centradas em um novo acordo, com limites estritos às atividades de enriquecimento de urânio, e havia sinais de avanço. Com os bombardeios em curso, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã estava perto de obter uma ogiva, o que não foi confirmado pela Agência Internacional de Energia Atômica.

O Irã nega ter planos para militarizar suas atividades atômicas, e não são poucos os integrantes do regime a acusarem o Ocidente de “hipocrisia” sobre o tema: afinal, lembram, Israel tem um arsenal nuclear secreto, sem supervisão internacional, e que por pouco não foi usado em combate.

Estimativas de organizações como a Associação para o Controle de Armas afirmam que o país teria cerca de 90 ogivas, além de material suficiente para construir outras 200. Informações de documentos sigilosos e relatos de dissidentes, como o cientista Mordechai Vanunu, sugerem que o país montou uma tríade nuclear, com capacidade de lançar ataques com mísseis balísticos — incluindo o Jericho-3 —, com submarinos e aeronaves de combate, com o apoio de aviões de reabastecimento.

Potências internacionais aumentam gastos em armas nucleares; investimento em todo o mundo aumentou US$ 10,8 bilhões em 2023 em relação ao ano anterior — Foto: SIPRI/Editoria de Arte

Os relatos sobre possíveis testes são esparsos, e apontam para detonações subterrâneas no Deserto de Negev. Em 1979, no chamado Incidente Vela, um satélite dos EUA detectou o que poderia ser uma explosão nuclear no Oceano Índico, conduzida em conjunto por Israel e pela África do Sul, na época controlada pelo regime do apartheid e que, nos anos 1990, se tornou o primeiro país do mundo a abrir mão do arsenal atômico.

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Israel jamais admitiu ou negou a existência de suas armas, uma política conhecida como “ambiguidade deliberada”, mas com a ressalva de que “não será o primeiro país a introduzir” um arsenal atômico no Oriente Médio.

A ideia de ter armas nucleares era compartilhada pelos fundadores do Estado de Israel, “para que nunca mais tenhamos que ser as ovelhas levadas ao matadouro”, como disse em 1952 Ernst Bergmann, primeiro chefe da comissão nuclear local. As crises em anos seguintes, como a Crise de Suez, no final da década de 1950, consolidou a política, até hoje mantida em sigilo absoluto.

Segundo pesquisadores, a central nuclear de Dimona, construída com apoio francês, foi adaptada para enriquecer urânio em grau necessário para uso militar, e em 1967 os israelenses tornaram capazes de construírem suas próprias bombas. Um estudo posterior da Federação de Cientistas Americanos apontou que, em 1973, os EUA “estavam convencidos de que Israel tinha armas nucleares”.

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Embora as autoridades do país digam, à sua maneira, que não têm planos para usar armas nucleares em combate, por pouco elas não foram empregadas na Guerra do Yom Kippur, em 1973. Em entrevista ao Wilson Center, em 2013, membros do então Gabinete da premier Golda Meir revelaram que, diante do ataque surpresa a Israel lançado pelos vizinhos árabes, Moshe Dayan, ministro da Defesa, disse que “deveriam ser iniciados os preparativos para usar as bombas atômicas”. Ao longo de tensas discussões, Meir decidiu não empregar o arsenal contra as forças lideradas por Egito e Síria.

Nos EUA, principal aliado de Israel, o tema também parece ser tabu. Em 2008, em resposta a uma pergunta da veterana jornalista Helen Thomas, o então presidente, Barack Obama, disse que “não iria especular” se havia algum Estado nuclear no Oriente Médio. Em maio do ano passado, o deputado republicano Randy Fine recebeu olhares de reprovação ao defender um ataque nuclear (de Israel) contra a Faixa de Gaza para “forçar a rendição” do Hamas.

Ao contrário de outros 191 países, dentre os quais o Irã (signatário desde 1970), Israel não integra o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, mas é um dos 180 membros da Agência Internacional de Energia Atômica, cujos inspetores jamais foram a Dimona. Um relatório do Instituto de Pesquisa da Paz Internacional de Estocolmo afirmou que imagens de satélite sugerem a possível construção de um reator voltado à produção de plutônio.

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