O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), fez um aceno às bases do partido no primeiro discurso de campanha, realizado neste domingo (16), no Estádio 1º de Maio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), onde o presidente Lula abriu a corrida pela reeleição com um comício. O petista recebeu posição de destaque no palco, assim como ocorreu há duas semanas, na convenção nacional do PT.
— Ele se rendeu ao povo brasileiro, da maneira como se rendeu, porque sempre se colocou ao lado do povo, como servidor do povo. Nunca baixou a cabeça pra nenhum líder político, para nenhum banqueiro, para nenhum empresário. Sempre tratou todo mundo igual — declarou Haddad sobre o padrinho político, que pode apoiá-lo na mesma situação em 2030.
Haddad ocupou uma das seis cadeiras destinadas às autoridades, ao lado da esposa Ana Estela. Foi o terceiro a discursar no palco, depois de Benedita da Silva (PT), que concorre ao Senado pelo Rio de Janeiro, e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Na sua vez de falar à militância, Lula reforçou a dobradinha com o petista e o projetou no comando do Executivo paulista nos próximos quatro anos.
O ex-ministro procurou destacar números positivos da economia no discurso. Ele disse que o governo de Jair Bolsonaro foi um “descalabro”, mas o de Lula entregou crescimento, empregos e colocou a inflação “de joelhos”. Lula tem como principal adversário nas urnas o filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
— O presidente Lula herdou aquilo que ninguém imaginava ser possível corrigir em três anos e deu condições para nós retomarmos o nosso sonho de uma nação soberana, democrática e justa — afirmou Haddad.
Houve menções ainda à sua própria trajetória. Haddad se apresentou como “filho de um comerciante que nunca pisou numa escola, porque veio do campo”. Ao ter acesso à educação, diferentemente do pai, ele diz ter se apaixonado por livros. E se posicionou como um defensor do diploma de graduação, lembrando de programas criados pelo PT, como Prouni e Fies, com os quais teve envolvimento.
— O presidente teve a obsessão de abrir a porta das universidades para o filho do trabalhador como nunca se abriu no passado. Muita gente aqui fez escola pública, fez universidade pública por cota, fez ProUni, fez Fies, porque tinha um homem com a sensibilidade do Lula, que também não pode estudar, para garantir a todos mais oportunidades.
Ele encerrou o ato segurando as bandeiras do Brasil e de São Paulo, junto com Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), mantido na composição com o petista para um novo mandato.
Haddad participa nesta segunda-feira (17), a partir das 10h30, de uma “caminhada com mulheres” na Praça da República, região central de São Paulo. O evento terá as duas postulantes ao Senado na chapa do PT, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
A intenção, segundo fontes da campanha, é explorar um dos pontos fracos identificados no grupo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o de não ter mulheres concorrendo aos principais cargos. De olho na questão, o atual governador de São Paulo fez uma roda de conversa com eleitoras hoje, na cidade de Osasco, na região metropolitana.

