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Em salvador, Paloma Amado e Pilar del Río recordam amizade de Jorge Amado e José Saramago: 'Ambos eram contra o pensamento único'

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abril 26, 2026
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Em salvador, Paloma Amado e Pilar del Río recordam amizade de Jorge Amado e José Saramago: 'Ambos eram contra o pensamento único'


O baiano Jorge Amado e o português José Saramago iniciaram uma amizade tardia nos anos 1990. Na última parte de suas vidas, com obra consolidada, compartilharam responsabilidades, viagens, trabalhos e brincadeiras, além do gosto pela palavra afrontosa, a independência intelectual e o Brasil.
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Após a morte de Amado (em 2001) e de Saramago (em 2010), o laço se manteve na amizade entre Paloma Amado, filha do best-seller brasileiro, e a espanhola Pilar del Río, viúva do Nobel de Literatura de 1998. Elas gerenciam as obras dos dois escritores e representam, respectivamente, a Fundação Casa de Jorge Amado e a Fundação José Saramago. Volta e meia, as instituições criam projetos em parceria, como a Casa Amado e Saramago, na Festa Literária Internacional de Paraty de 2017. No mesmo ano, foi lançado “Com o mar por meio. Uma amizade em cartas”, livro que reuniu a correspondência inédita dos dois escritores.
No último dia 18, na Bienal do Livro Bahia, em Salvador, Paloma e Pilar participaram da mesa O Sal da Vida, mediada por Joselia Aguiar, jornalista, escritora e biógrafa de Jorge Amado. Antes, conversaram com o GLOBO sobre a importância da memória e da preservação.
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— Amado era alegre e extrovertido; Saramago era sombrio e introvertido — lembra Pilar, jornalista, tradutora e escritora. — Mas (isso) quando estavam na frente dos outros. Juntos estavam sempre descontraídos.
Acima de ideologias
Escritora e pesquisadora gastronômica, Paloma ressalta os pontos em comum dos dois autores.
— Eles se relacionavam bem porque eram dois humanistas — diz ela, que também gerencia a obra de sua mãe, a escritora Zélia Gattai. — Um português, outro baiano, com toda a diferença que as duas culturas podem ter. Mas ambos eram contra o pensamento único. Contra as ditaduras, contra a lei mais forte, contra a falta de respeito. Colocavam o ser humano à frente de ideologias e partidos, e achavam fundamental pensar com a própria cabeça.
As obras de Saramago e Amado são representadas no exterior pela mesma Wylie Agency, do americano Andrew Wylie. O gerenciamento de dois autores publicados em mais de 50 países exige combinar qualidade editorial e interesse comercial. Enquanto outros herdeiros capitalizam até a última linha o legado de seus escritores, a brasileira e a espanhola defendem uma abordagem mais responsável.
Paloma, que tem negociado novas traduções da obra de Amado em grandes mercados como Rússia e China, dá um exemplo do que seria essa postura.
— Recentemente a obra de papai ficou liberada das suas três editoras na Itália, país onde ele é muitíssimo lido — conta ela. — Nossa prioridade na negociação não foi econômica. Escolhemos quem oferecia o melhor projeto para a obra.
A obra de Amado também acabou de ser traduzida pela primeira vez para o armênio, uma língua com potencial comercial limitado. A tiragem teve apenas três mil exemplares. O negócio saiu por US$ 500 — um valor simbólico, comparado a outros mercados.
— Teve gente que se escandalizou — revela Paloma. — Mas, se precisasse, eu pagaria do meu bolso os US$ 500 para ter o papai em armênio, língua que quando ele morreu ainda não existia no repertório. Os armênios fizeram tudo na flor. A própria letra do idioma parece um desenho. Você tem que ter uma noção do quanto uma edição é importante para cada lugar, e só daí pensar como você vai fazer o contrato.
Para Pilar, seu trabalho é, acima de tudo, defender o leitor:
— Uma coisa é a literatura, outra coisa é o mercado. Se quisermos falar de dinheiro, chamamos o agente. Mas nosso trabalho é outro. Quando falamos de literatura, falamos essencialmente de duas pessoas: quem escreve e quem lê. A nossa responsabilidade é com essa relação fundamental.
Instalada em Lisboa, no emblemático edifício histórico Casa dos Bicos, no bairro de Alfama, a Fundação José Saramago abriga uma exposição permanente dedicada ao autor de “A jangada de pedra” e “Ensaio sobre a cegueira”. Já a Casa José Saramago, em Lanzarote, onde o autor viveu boa parte da vida, abriga a sua biblioteca pessoal.
— Fazemos visitas guiadas, em que as pessoas entram na casa, percorrem a biblioteca, e podem tocar os livros — detalha Pilar. — Quando passam pela cozinha, oferecemos um café. As pessoas acabam “tomando um café com Saramago”. É uma forma de manter viva essa presença.
Nascido em Itabuna, Jorge Amado conta com dois equipamentos culturais em Salvador, sua cidade símbolo. O Memorial A Casa do Rio Vermelho fica na antiga residência em que o autor de “Tieta do Agreste”, “Dona Flor e seus dois maridos” e “Gabriela cravo e canela” viveu com Zélia Gattai durante 40 anos. Já a Fundação Casa de Jorge Amado, no Largo do Pelourinho, expõe objetos pessoais, manuscritos, edições raras e outros documentos do escritor.
— Papai achava que nunca mais iria ser assinado um contrato de livro depois da morte dele — lembra Paloma. — Ele dizia que seria esquecido por pelo menos 20 anos e agora sua casa é um dos equipamentos culturais mais visitados no país.
Com Sophia Loren
Como Pilar, Paloma é figura constante na fundação. Ela costuma produzir edições artesanais e distribuí-las pessoalmente aos visitantes. Um dos mais recentes é um livrinho com desenhos feitos por ela e uma receita de caruru de Santa Bárbara, prato tradicional da Bahia que em 4 de dezembro celebra a santa associada a Iansã. Na mesma época, Paloma viu uma mulher francesa muito bonita na fundação e lhe entregou a edição. Só depois foi informada de que era a atriz Isabelle Huppert, na cidade para apresentar o filme “A mulher mais rica do mundo”.
Paloma relembra:
— Quando voltei para cumprimentá-la, Isabelle sorriu para mim e me mostrou umas fotos do papai com a Sophia Loren e a Lina Wertmüller. Queria muito saber o contexto em que foram tiradas. Ela disse: “Você se importa de fazer uma foto comigo?” Eu respondi que ela estava pedindo errado (risos), porque quem tem que pedir para fazer foto com ela sou eu.
Bolívar Torres viajou a convite da Bienal do Livro da Bahia

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