A SpaceX, empresa espacial e de inteligência artificial (IA) do bilionário Elon Musk, divulgou hoje o seu primeiro balanço de resultados financeiros após sua oferta pública inicial (IPO), em junho, que bateu recorde na compra de ações por investidores.
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A receita da SpaceX superou as expectativas de Wall Street, com uma receita de US$ 7,8 bilhões, acima da estimativa média de US$ 6,81 bilhões feita por analistas consultados pela Bloomberg.
A empresa também revelou um prejuízo operacional de US$ 1,26 bilhão em seu negócio de inteligência artificial, resultado melhor do que a expectativa do mercado, que previa uma perda de US$ 2,39 bilhões.
O documento — que virou uma obrigação trimestral da empresa espacial e inteligência artificial (IA) de Elon Musk com a sua entrada na Bolsa de Nova York — era um dos relatórios mais aguardados por operadores do mercado de ações dos EUA e do mundo, sedentos por dados que possam dar motivos para uma recuperação do valor das ações da empresa, que acumulam queda de 15% em relação ao IPO.
A empresa de satélites, exploração espacial e IA fez entrou na Bolsa em junho a US$ 135 por papel, e desde então os papéis passaram por uma verdadeira montanha-russa: dispararam para US$ 225 nos primeiros dias de negociação e depois caíram para abaixo do preço da oferta.
Na segunda-feira, fecharam cotados a US$ 114,53, queda de 15% em relação ao IPO e de 49% em relação ao pico registrado em 16 de junho, apagando mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde aquele topo.
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As ações da SpaceX, no entanto, subiram 5,7% só na segunda-feira, após despencarem 37% em julho, e voltaram a avançar hoje, na expectativa do balanço. Chegou a subir 6,4%, para cerca de US$ 122.
A divulgação dos resultados é uma oportunidade para os investidores de reavaliar a ação e as expectativas dos analistas, que ainda mantêm uma visão otimista sobre a empresa.
O problema é que a SpaceX ainda não é lucrativa e opera em um negócio altamente especulativo neste momento. Assim, os resultados podem acabar levantando mais dúvidas do que respostas. Mesmo após a forte queda das ações, elas continuam sendo negociadas a uma avaliação extremamente elevada, o que dificulta atrair novos compradores.
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Wall Street esperava que a SpaceX reportasse um prejuízo de US$ 0,24 por ação no segundo trimestre, com receita de US$ 6,8 bilhões. As projeções, entretanto, variaram bastante, já que havia pouquíssimas informações disponíveis sobre o negócio. Nos últimos 30 dias, os analistas ampliaram suas estimativas de prejuízo em 18%.
O principal foco de investidores e analistas são dados sobre o avanço da empresa em inteligência artificial, na Starlink e em seu negócio de lançamento de foguetes. Os analistas esperavamm que a empresa registrasse US$ 18,5 bilhões em investimentos (capex) no trimestre e US$ 45,5 bilhões ao longo de 2026.
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Os resultados da SpaceX chegam logo após uma forte temporada de balanços das grandes empresas que vêm investindo pesadamente em inteligência artificial, incluindo Alphabet, Microsoft e Amazon. Os investidores têm recompensado especialmente as empresas que demonstram retorno claro sobre seus elevados investimentos de capital. Como exemplo, as ações da Amazon e da Microsoft dispararam após a divulgação de seus resultados.
Com um valor de mercado de aproximadamente US$ 1,5 trilhão, a SpaceX rivaliza em tamanho com diversas gigantes de tecnologia e já supera a outra empresa de Musk, a Tesla. No entanto, seus números financeiros ainda estão longe dos dessas companhias, o que pode levar investidores a analisar com mais rigor seus planos de investimento.
O principal desafio enfrentado pelas ações da SpaceX continua sendo sua avaliação extremamente elevada. O papel é negociado a cerca de 448 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses, o maior múltiplo entre todas as empresas do índice Nasdaq 100, além de aproximadamente 26 vezes a receita estimada, uma das dez maiores relações preço/vendas do índice.
Para tornar o cenário ainda mais desafiador, uma enxurrada de novas ações da SpaceX está prestes a chegar ao mercado. O primeiro período de lock-up — que impede investidores iniciais de venderem suas ações — termina dois dias após a divulgação do balanço. Cerca de 911,5 milhões de ações, avaliadas em mais de US$ 100 bilhões, serão liberadas para negociação em 6 de agosto.
E isso será apenas o começo: bilhões de ações adicionais poderão ser negociadas antes do fim do ano. Esse aumento expressivo na oferta de papéis tende a pressionar os preços simplesmente pela dinâmica de oferta e demanda.

