O Partido Liberal (PL) foi a legenda que mais elegeu deputados federais por São Paulo (19 dos 70 da bancada do estado), e o mapa da distribuição de seus votos por município mostra o quanto o partido avançou na política regional paulista, superando inclusive grandes lideranças locais no interior.
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O partido do candidato a presidente Flávio Bolsonaro foi o mais votado em 425 das 645 cidades no estado (72%), e seu maior puxador de voto, Lucas Pavanato, liderou o ranking em 239 delas (37%) em 2026.
A análise da distribuição geográfica dos votos no estado mostra que o modelo de eleição para o legislativo no Brasil, a representação proporcional de lista aberta, tem favorecido mais ainda os nomes de grande alcance nas redes sociais. É normal que, em países sem voto distrital, esse desequilíbrio ocorra em algum grau, e nem sempre as grandes lideranças locais liderem os rankings.
O crescimento de lideranças de extrema-direita com discurso estridente, caso de Pavanato, provocou um enfraquecimento ainda maior do voto com perfil regional.
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Além dele, entre os dez candidatos mais votados, o único que conquistou o posto de maior votação em alguns municípios foi Maurício Neves (PP). Ele foi o deputado federal líder em 25 cidades, a maioria na região de Itapetininga (sudoeste do estado). Terminou eleito com 269.996 votos, o décimo da lista.
O segundo candidato que mais conquistou municípios em São Paulo foi Baleia Rossi (MDB), liderança forte na região de Ribeirão Preto (nordeste do estado). Mesmo tendo sido o mais votado em 42 cidades (6,5%), Baleia é apenas o 14º mais votado no estado na totalidade.
Outro cacique regional que teve destaque nesta eleição foi Guilherme Piai (Republicanos), na região de Presidente Prudente, onde conquistou 37 municípios. Capitão Augusto (PL) dominou a região de Assis e Marília e conquistou 29 cidades.
Outros dois bons desempenhos regionais do PL foram os de Márcio Alvino, ganhando em 18 municípios no Vale do Paraíba, e Renato Bolsonaro (irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro) ganhando em mais 10 no Vale do Ribeira.
Puxadores digitais
Quando considerada a soma total de votos, porém, esses nomes de destaque regional da direita ficaram atrás até mesmo de lideranças da esquerda que não foram as mais votadas em nenhum município.
Erika Hilton (PSOL), Tabata Amaral (PSB) e Samia Bomfim (PSOL) mostraram sua força com boa votação na região metropolitana (onde está metade da população do estado), mesmo tendo ficado atrás de adversários de direita em vários dos 39 municípios da Grande São Paulo.
Os nomes fortes em redes sociais, assim como Pavanato e Kim Kataguiri (Missão), diferem dos caciques regionais por terem votação muito mais dispersa.
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O Partido dos Trabalhadores foi a legenda mais votada em apenas 30 cidades, quase todas elas de população pequena, à exceção de Diadema, na região metropolitana, e Araraquara, no interior. Ali, o ex-prefeito Edinho Silva se candidatou para a Câmara Federal e ajudou o partido a liderar o voto para o cargo em outros seis municípios vizinhos.
O petista que mais conquistou municípios em São Paulo, porém, foi Arlindo Chinaglia (PT), candidato a deputado federal mais votado em nove cidades, espalhadas por todo o interior.
Vazio representativo
O desequilíbrio entre os puxadores de voto com grande presença digital e as lideranças regionais tornou essa eleição bastante vulnerável ao surgimento dos vazios de representação. Em 108 municípios, o candidato com maior votação nominal no município não conseguiu se eleger.
O caso mais emblemático desse fenômeno em 2026 foi o de Marco Vinholi (Republicanos). Mesmo tendo sido o candidato a deputado federal mais votado em 13 municípios menores da região de São José do Rio Preto (norte do Estado), ele não foi eleito, tendo somado apenas 12,5 mil votos.
Essa situação é esperada em alguma medida no sistema de voto proporcional com lista aberta e, normalmente, afeta áreas com população pequena. Em 2026, no entanto, foi observada também em alguns lugares mais populosos.
Kassab sob fogo
Em Piracicaba, o ex-prefeito Barjas Negri (PSD) foi o principal nome para deputado federal, com 54,5 mil votos. Fora de casa, porém, teve desempenho fraco e, após totalizar pouco mais de 60 mil votos, não conseguiu se eleger.
O mesmo aconteceu com Eduardo Borgo (NOVO), em Bauru, Orlando Morando (MDB), em São Bernardo; e Marcos Soliva (PSD), em Guaratinguetá. Esses locais evidenciam que o PL avançou sobretudo nos votos de outros partidos de direita com núcleos regionais fortes.
As lideranças locais do PSD, partido liderado por Gilberto Kassab, foram as principais vítimas da canibalização dos grandes puxadores de voto sobre nomes de força local. Em 28 cidades paulistas, o candidato a deputado federal mais votado era do PSD, mas não conseguiu se eleger.
A bancada paulista do partido de Kassab na Câmara Federal, apesar disso, cresceu um pouco (de três para seis deputados). O número, de todo modo, ainda é modesto quando considerado que o PSD conseguiu eleger 200 prefeitos nas últimas eleições municipais no estado de São Paulo.
