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setembro 24, 2026
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Em tom amistoso e brindes com referências históricas, Trump recebe Xi para jantar de Estado na Casa Branca

Por · setembro 24, 2026
Em tom amistoso e brindes com referências históricas, Trump recebe Xi para jantar de Estado na Casa Branca


Ao final do segundo dia da visita oficial do presidente da China, Xi Jinping, a Washington, o presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu um jantar de Estado na Casa Branca no qual celebrou o que chamou de “amizade” entre as duas nações, com direito a brindes com importantes referências históricas. Horas antes, os dois se sentaram por horas em uma reunião que abordou desde a guerra tarifária — com a extensão de uma trégua firmada no ano passado — até questões geopolíticas, o avanço da inteligência artificial e a chegada de pandas a um zoológico dos EUA.
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Em discurso antes do início do jantar, Trump louvou a história das relações entre EUA e China, fez referência aos planos para construir um salão de festas na Casa Branca, alvo de disputas na Justiça, e rasgou elogios ao seu convidado e lhe ofereceu a estátua de uma águia dourada como presente, sem tocar em temas políticos discutidos horas antes.
— A águia-de-cabeça-branca é um símbolo nacional dos Estados Unidos e a personificação do espírito livre e altivo da América —declarou. — Esperamos que ela encontre um bom lugar, um lugar maravilhoso em Pequim.
Xi destacou as celebrações de 250 anos da independência americana e os longevos contatos entre os dois lados— em uma das referências históricas, mencionou que George Washington, um dos “pais fundadores”, colecionava porcelanas chinesas. Também citou a “Diplomacia do Pingue-Pongue”, a série de visitas e torneios que ajudou na aproximação entre Washington e Pequim, em 1971.
— China e Estados Unidos precisam agir como dois países grandes e responsáveis, para atender às necessidades de nossos povos, acompanhar o ritmo de nossos tempos e explorar novas abordagens para que os países convivam bem entre si — disse o presidente chinês. — A amizade entre dois povos é uma causa válida, e que carrega grandes intenções. Vamos unir as mãos, caminhar lado a lado. Juntos, vamos escrever um novo capítulo em nossa relação amistosa.
De acordo com a Casa Branca, o menu de três tempos inclui pratos como um fricassé de cogumelhos selvagens, badejo com crosta de gergelim e crémeux de baunilha, dentre outros. A escolha, diz um comunicado, enfatiza ingredientes americanos, com uma “sutil influência chinesa”.
O brinde foi com um vinho espumante da mesma vinícola que protagonizou o chamado “Brinde da Paz”, feito entre o então presidente Richard Nixon e Zhou Enlai, premier chinês, durante a viagem do americano a Pequim em 1972, que criou as bases para as relações atuais entre as duas maiores economias do mundo. Trump, notório abstêmio, deu apenas um gole protocolar.
Entre os comensais havia membros dos dois governos, políticos, aliados de Trump e empresários, com destaque a nomes do Vale do Silício. Elon Musk, que ano passado estava no Gabinete de Trump, se sentou ao lado da primeira-dama americana, Melania. Tim Cook, presidente-executivo da Apple, estava perto da primeira-dama chinesa, Peng Liyuan.
Depois de receber Xi na pista da Base Aérea de Andrews na véspera, Trump abriu as portas da Casa Branca para o líder chinês no fim da manhã desta quinta-feira com uma pauta extensa pela frente, apesar de diplomatas alertarem para serem pequenas as chances de grandes acordos.
Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ambos concordaram em uma extensão de dois meses da chamada “Trégua de Busan”, que pausou a guerra tarifária intensificada pelo republicano após seu retorno ao poder, em 2025. Antes dos líderes se sentarem à mesa, Trump sinalizou que trabalhariam por uma “relação comercial mais equilibrada”, incluindo “novo acesso a mercados para agricultores e pecuaristas americanos”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, realizam uma reunião bilateral no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 24 de setembro de 2026
BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
Em tom mais contido, Xi fez um convite para que 100 mil estudantes americanos visitem a China nos próximos cinco anos. e anunciou que dois pandas chegarão, nos próximos dias, ao zoológico de Atlanta, usando uma conhecida ferramenta diplomática de Pequim. De acordo com um sumário da reunião, fornecido pelo lado chinês, as discussões abordaram “comércio, inteligência artificial, Taiwan, Oriente Médio e Ucrânia”.
Sobre inteligência artificial (IA), tema que encontra posições distintas entre os dois lados, Xi declarou que os dois governos devem “continuar a dialogar sobre IA, trocar pontos de vista sobre seus riscos e benefícios e prevenir conjuntamente o uso indevido ou abusos da IA”. Houve ainda gestos em defesa da “estabilidade estratégica” e recados sutis sobre a pressão contra empresas chinesas nos EUA, vetadas em setores como o automobillístico e de telecomunicações.
— A China mantém suas portas bem abertas e recebe de braços abertos as empresas americanas que desejam investir e fazer negócios no país — disse Xi Jinping, antes da reunião. — Esperamos que as empresas chinesas sejam tratadas de forma justa aqui nos Estados Unidos.
A visita será concluída nesta sexta-feira, com uma cerimônia do chá na Casa Branca e uma visita aos Arquivos Nacionais, onde serão apresentados documentos sobre as relações entre as duas maiores economias do mundo. Existe a possibilidade de mais dois encontros entre Xi e Trump em 2026: durante a cúpula do fórum da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em novembro, em Shenzhen, e na cúpula do G20, em Miami, em dezembro. Segundo o comunicado chinês sobre a reunião, os dois lados “apoiarão um ao outro” na organização dos eventos.

Em tom amistoso e brindes com referências históricas, Trump recebe Xi para jantar de Estado na Casa Branca