Pergunte a famílias da Alemanha e do Reino Unido o que acontece quando mais e mais energia solar e eólica, supostamente barata, é acrescentada à matriz energética do país. Basta elas olharem para o último boleto, que a resposta será: a conta fica bem mais cara. Isso vai contra tudo o que nos acostumamos a ouvir.
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A ideia de que os custos serão mais baixos com mais energia verde só é verdadeira se usarmos a eletricidade apenas quando o sol estiver brilhando e o vento soprando. Mas as sociedades modernas precisam de energia 24 horas por dia.
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Quando não há sol ou vento disponível, precisamos recorrer a um plano B, normalmente à base de combustíveis fósseis. Isso significa que pagamos não apenas por um, mas por dois sistemas de energia. Além disso, como o sistema à base de combustíveis fósseis acaba sendo menos usado, precisa recuperar o custo do investimento em menos horas, tornando tudo ainda mais caro.
Por isso os custos reais da energia solar e eólica são bem mais altos. Um estudo sobre a China mostrou que a energia solar acaba custando, em média, o dobro da produzida à base de carvão. Outro estudo revisado por pares na Alemanha e no Texas mostrou que sol e vento são, muitas vezes, mais caros que os combustíveis fósseis.
Dados recentes da Agência Internacional de Energia deixam claro que há uma forte e evidente correlação entre o uso maior de energia solar e eólica e preços médios bem mais altos para famílias e fábricas.
Num país com pouca ou nenhuma energia solar ou eólica, o custo médio da eletricidade fica pouco acima de US$ 0,11 por quilowatt-hora (kWh). Para cada 10 pontos percentuais desse tipo de energia, o custo aumenta em mais de US$ 0,04 por kWh.
Tome o caso da Alemanha, onde US$ 0,34 por kWh representa mais que o dobro do custo nos Estados Unidos e quase quatro vezes o preço na China. A Alemanha instalou tanta energia solar e eólica que, em plena capacidade, pode produzir duas vezes sua demanda por eletricidade. Na prática, em dias ensolarados e com vento, a energia renovável atende a cerca de 70% da necessidade alemã.
A imprensa raramente menciona os dias cinzentos e parados, quando os renováveis não entregam quase nada. Duas vezes no último inverno, quando o tempo na Europa estava nublado e sem vento, a energia solar e eólica atendeu a menos de 4% da demanda diária na Alemanha.
As baterias não dão conta. Todo o armazenamento na Alemanha se esgota em cerca de 20 minutos. Isso significa que mais de 23 horas de energia dependerão principalmente de combustíveis fósseis. O resultado: durante os períodos de escassez, a Alemanha registrou alguns dos custos mais altos de energia, com valores no atacado chegando a impressionantes US$ 1 por kWh.
Os países pobres são especialmente prejudicados com a mentira da energia verde barata. Os ricos agora se negam a ajudá-los com projetos baseados em combustíveis fósseis.
Se a energia solar e eólica fosse realmente barata, os países mais pobres teriam uma maneira acessível de superar a pobreza energética atual. Toda a infraestrutura de energia nova seria solar e eólica. Mas isso só ocorre nos países ricos, onde o consumo de eletricidade está em declínio, existem subsídios generosos e uma infraestrutura reserva à base de combustíveis fósseis.
Só conseguiremos enfrentar a mudança climática e realizar uma transição quando a energia verde realmente se tornar mais barata que os combustíveis fósseis. O investimento em pesquisa e desenvolvimento na área deve ser prioridade — para alcançar a energia nuclear de quarta geração e baterias que sejam bem mais baratas.
Mas, acima de tudo, precisamos encarar a verdade. A ideia de que energia solar e eólica barata está substituindo os combustíveis fósseis é uma mentira cara e perigosa.
*Bjørn Lomborg é presidente do Consenso de Copenhague

