Berço de artistas e com fama de cidade musical, Niterói investe na musicalização, por meio de programas oficiais, projetos sociais e escolas públicas e particulares. Além do conhecimento adquirido, a socialização é outra vantagem apontada pelos pais de quem alcança as boas notas da música.
Em Icaraí, a Tathilândia Creche e Escola tem o trabalho com a música como diferencial desde que foi criada, em 1998, e agora, após a expansão, ele foi reforçado. Fundadora e diretora da instituição, Tathiana Harduim explica que a musicalização é linguagem de aprendizado em todas as áreas do desenvolvimento infantil. Ela conta que, desde o berçário, todas as turmas têm aulas semanais de musicalização integradas à grade curricular, ajudando as crianças a compreender o mundo com matemática pelo ritmo, linguagem pelas canções e emoções pelo som.
— A criança não aprende só ouvindo. Ela aprende sentindo. Aprende fazendo. Aprende criando. A música permite tudo isso de forma harmoniosa e natural. Cada metro quadrado foi pensado para que a criança explore sua curiosidade com o corpo inteiro, e a música é parte essencial desse processo — acrescenta Tathiana, ao falar da nova unidade, com acesso pela Rua Paulo Gustavo.
Em São Domingos, o Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni-UFF), com alunos em horário integral desde a educação infantil ao 3º ano do ensino médio, tem no projeto Ciranda uma janela musical para a cultura do país.
Baseada na educação antirracista a partir de práticas lúdicas e pedagógicas, a iniciativa da equipe multidisciplinar convida as crianças a construírem conhecimentos, valores, posturas e atitudes voltadas para o reconhecimento, a valorização e o respeito à pluralidade étnico-racial. A riqueza sonora do jongo, dos caboclinhos, da ciranda, do maracatu e do cavalo-marinho dá o tom da proposta.
— Depois de começar, no ano passado, levantando orientações pedagógicas que trouxeram referências brasileiras negras importantes, bem como vivências de valorização dos traços, tom de pele e tipos de cabelo, este ano o projeto celebra a diversidade de manifestações culturais brasileiras — diz a assistente social Lilia Candella, que desenvolve a iniciativa na escola com a psicóloga Juliana Gouvea.
Desenvolvido pela prefeitura desde 2001, o Aprendiz Musical é apresentado pelo município como o maior programa de musicalização em escolas públicas do país. Hoje, dez mil alunos das escolas da rede municipal participam das atividades, de um total de 11 mil integrantes do projeto. Além das aulas, músicos e cantores dão shows, como na recente participação na cantata natalina, na abertura do Natal Estrelado de Niterói, através dos coros e da Camerata de Cordas do Aprendiz.
Na próxima terça-feira, às 18h, vai acontecer a última edição do ano do Casa Aprendiz de Portas Abertas, na sede da Rua Antônio Silva 42, no Fonseca. É uma oportunidade para conferir talentos da Camerata de Cordas e do Coro Aprendiz Juvenil, com entrada gratuita.
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Fruto de uma parceria das secretarias municipais de Economia Criativa e Ações Estratégicas e de Educação, a administração do Aprendiz Musical informa que busca oferecer uma experiência social e cultural diversa, ampliando os horizontes de crianças e jovens.
Este é o mesmo objetivo da Orquestra da Grota, que nasceu em Niterói, hoje alcança outras cidades e está comemorando 30 anos de atividades. No último dia 23, uma apresentação celebrou a data no palco do Theatro Municipal, em três horas de espetáculo, com 60 músicos.
Todos passaram pelo projeto social, em São Francisco, em aulas de flautas doces, violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, sopros, instrumentos elétricos, bateria, percussão, canto e arranjos. Hoje, o projeto tem frutos como o Conjunto de Flautas da Grota, o Grupo Som Doce da Grota e a Orquestra da Grota.
Ponto de Cultura, o Espaço Cultural da Grota tem oficina de musicalização aberta também a pessoas de fora do projeto. Podem participar alunos de licenciatura em Música e professores de outros projetos sociais e de escolas públicas e particulares.
Na Escola Técnica Estadual Henrique Lage (ETEHL/Faetec), no Barreto, a oficina Cirandeando com o Cacique, aberta ao público, faz sucesso ao ensinar samba tendo como referências os bambas do bloco Cacique de Ramos e do grupo Fundo de Quintal. Os encontros acontecem às segundas-feiras, às 18h, até o final de janeiro.
Moradores do bairro Tenente Jardim, os primos Caio Jorge Oliveira e João Gabriel Pereira, de 15 anos, vão em busca das aulas de cavaquinho no projeto. Eles contam que já sabem tocar instrumentos de percussão, como o tamborim, mas querem se garantir também no cavaco, em busca de novas possibilidades nas rodas de samba.
Os professores do Cirandeando com o Cacique são os músicos do Grupo Ciranda: Rodrigo Jesus (pandeiro), Dinho Rosa (repique e surdo), Rodrigo Reis (tantan) e Leandro Saramago (violão), tendo como convidados Bebeto Sorriso (tamborim) e Daniel Scisinio (cavaco).
— Recebemos pessoas com e sem experiência, mas com muita vontade de aprender e curiosidade sobre a importância do Cacique de Ramos e do Fundo de Quintal na história da música brasileira —conta Rodrigo Jesus.
No Vital Brazil, o Clube Livre de Arte e Cultura (CLAC) também oferece educação musical para todas as idades, a partir dos 6 meses. A unidade particular oferece aulas de musicalização, oficina de percussão, especialização musical e instrumentos, além de laboratório do canto e de orientações para quem quer tocar um instrumento antes de o carnaval chegar.
*Esta matéria foi publicada em 30 de novembro, no especial Educação do GLOBO-Niterói

