As gêmeas siamesas Mercy e Goodness, de 15 meses, foram separadas com sucesso após uma série de quatro cirurgias realizadas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Nascidas unidas pelo topo da cabeça, as irmãs nigerianas seguem em recuperação depois de um procedimento considerado um dos mais complexos da medicina. Segundo especialistas, a probabilidade de um caso como o delas chegar à cirurgia de separação é de aproximadamente um em cada 10 milhões de nascimentos.
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As meninas nasceram com os crânios fundidos, além de partes do tecido cerebral e vasos sanguíneos interligados, condição conhecida como craniopagia.
As operações foram realizadas no Hospital Sheikh Khalifa Medical City (SKMC), em um tratamento que durou seis meses e envolveu mais de 60 médicos e profissionais de saúde dos Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Brasil e Nigéria, segundo o site emiradense The National News.
Mercy e Goodness nasceram com craniopagia, uma condição rara em que gêmeos siameses são unidos pelo crânio.
No caso delas, além dos ossos da cabeça, havia partes do tecido cerebral e vasos sanguíneos compartilhados, o que tornava a separação especialmente delicada.
Segundo o Hospital Great Ormond Street, no Reino Unido, apenas 5% dos casos de gêmeos siameses envolvem esse tipo de união.
O tratamento foi dividido em quatro operações realizadas ao longo de seis meses.
A equipe médica utilizou exames de imagem de alta resolução, simulações em realidade aumentada e modelos produzidos por impressão em 3D para mapear com precisão o cérebro e os vasos sanguíneos compartilhados pelas irmãs.
Mais de 60 profissionais participaram do procedimento, entre neurocirurgiões, cirurgiões craniofaciais, pediatras, anestesiologistas, radiologistas, enfermeiros e terapeutas de reabilitação.
A operação foi coordenada pela organização Gemini Untwined, especializada no tratamento de gêmeos craniópagos.
Mercy e Goodness permanecem nos Emirados Árabes Unidos, onde passam por reabilitação para desenvolver habilidades motoras e se adaptar aos movimentos independentes.
A expectativa da equipe médica é que, após a recuperação, elas retornem à Nigéria e possam levar uma vida normal.
— Isso representa mais do que um marco médico; é uma história de compaixão, coragem e colaboração global, que reflete o compromisso inabalável de Abu Dhabi em oferecer um sistema de saúde capaz de transformar vidas — declarou a ministra de Estado para Cooperação Internacional dos Emirados Árabes Unidos, Reem Al Hashimy.
— Temos orgulho de ter facilitado essa colaboração internacional e de sediá-la em nosso país, onde talentos de classe mundial e inovação de ponta se unem para oferecer esperança.
Por que o caso é tão raro?
Dados do Hospital Great Ormond Street mostram que gêmeos siameses ocorrem em aproximadamente um a cada 2,5 milhões de nascimentos.
Cerca de 40% dos gêmeos unidos pela cabeça nascem mortos ou morrem durante o parto. Outro terço morre nas primeiras 24 horas de vida.
Por isso, a probabilidade de um par de gêmeos craniópagos sobreviver até uma cirurgia de separação é estimada em aproximadamente um caso a cada 10 milhões de nascimentos.
— Essa conquista se soma ao histórico de excelência do setor e comprova nossa capacidade de oferecer atendimento de nível mundial, especialmente no tratamento das condições médicas mais complexas — afirmou o presidente do Departamento de Saúde de Abu Dhabi, Mansoor Ibrahim Al Mansoori.
Farhan Malik, fundador e diretor-geral do grupo PureHealth, responsável pela administração do Hospital Sheikh Khalifa Medical City, destacou o trabalho das equipes envolvidas.
— Nossas equipes atuaram dia e noite, não apenas nas fases pré-operatória e cirúrgica, mas também no monitoramento permanente e no suporte contínuo necessários para garantir o melhor atendimento pós-operatório e a reabilitação — afirmou: — Essa conquista permanecerá como um marco para o futuro da medicina de alta complexidade e como prova de que a cooperação internacional pode proporcionar o melhor atendimento possível.

