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Entenda como celebridades omitem cirurgias plásticas e uso de hormônios nas redes sociais

BRCOM by BRCOM
agosto 9, 2025
in News
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Cinta modeladora para o rosto de Kim Kardashian — Foto: Reprodução/ Skims

Depois de passar por mudanças faciais abruptas em curto prazo, pouco plausíveis sem intervenções médicas ou cirúrgicas, a atriz e cantora Lindsay Lohan nunca falou abertamente sobre os procedimentos cirúrgicos que fez (e muitos dizem que foi um lifting muito bem-feito), mas seu pai veio a público dizer que ela havia realizado apenas “botox, peeling e preenchimento”.

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Negar que fez cirurgia plástica não é algo novo no mundo dos famosos, o problema é a estratégia de marketing de muitos influenciadores e celebridades, que vendem a ideia absurda de que as mudanças no corpo tem relação com determinação, dieta e treino, e no rosto foram resultado de gominhas, skincare e… faixa modeladora facial, lançada recentemente por Kim Kardashian que, depois de evidentes mudanças no rosto, nunca admitiu ter feito plástica, apenas revelou apostar em procedimentos injetáveis.

Cinta modeladora para o rosto de Kim Kardashian — Foto: Reprodução/ Skims

“Constrói-se uma narrativa de que o resultado é fruto de determinação, skincare e suplementos. Mais recentemente, esse lançamento da faixa modeladora faz crer que esse é um item essencial para o skincare se tornar verdadeiramente poderoso e esculpir o contorno do rosto. A ideia de que ele é enriquecido com fios de colágeno pode enganar as pessoas, pois o colágeno é uma macromolécula e não há nenhuma evidência de que, em contato com a pele, ele consiga penetrar nas camadas profundas para estimular proteínas de sustentação e remodelar o contorno facial, algo que é conseguido por meio de cirurgias”, explica Wellerson Mattioli, cirurgião plástico, diretor da Clínica Moderna Sculpt, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

“É claro que não há problema algum quando alguém decide esconder que fez uma cirurgia plástica ou faz uso de hormônios. Os pacientes nunca devem se sentir pressionados a explicar ou justificar suas escolhas. Na verdade, a questão problemática é influenciar pessoas com meias-verdades, dizendo que aquele rosto é resultado de skincare e que aquele corpo, com lipoaspiração HD e uso de hormônios, é fruto apenas de dieta e treino”, acrescenta o cirurgião plástico Dr. Romero Almeida, diretor da Clínica Moderna Sculpt e membro titular da SBCP.

Parece que entramos na era da estética da omissão, com celebridades vendendo a beleza com narrativas distorcidas. Não é incomum que elas neguem procedimentos como toxina botulínica e bioestimuladores para sobrevalorizar cremes. Quando não há escapatória e as mudanças são bruscas (em virtude de um procedimento cirúrgico), elas apelam para esses procedimentos invasivos.

“Essa falsa transparência entre celebridades pode ludibriar as pessoas em um discurso que fortalece a insatisfação pessoal com a própria imagem. E afasta as pessoas de uma consulta médica, com profissionais que podem realmente manejar o envelhecimento e promover melhorias estéticas no corpo”, explica Wellerson.

“As pessoas já começaram a perceber que muitos dos rostos impecáveis e corpos esculpidos que admiram não são apenas sorte ou genética. Muitas vezes, são o resultado de melhorias bem pensadas ao longo do tempo. Mas falar abertamente sobre isso é muito importante”, diz o Dr. Wellerson.

Em contrapartida, quando figuras públicas como Oprah reconhecem escolhas estéticas, como usar um medicamento GLP-1, e Khloé Kardashian, que listou todos os ajustes estéticos, incluindo rinoplastias, em posts no Instagram, isso envia uma mensagem: “Ajuda a normalizar a ideia de que a beleza pode ser realçada e que isso é aceitável”, comemora o cirurgião plástico. “A transparência pública também pode ajudar os pacientes a se sentirem menos sozinhos, explorando opções de autoaperfeiçoamento sem vergonha ou sigilo”, afirma o cirurgião plástico.

Mas até mesmo entre quem é transparente, as omissões são comuns. “Há uma diferença entre ser transparente e ser seletivamente transparente. Quando as pessoas omitem detalhes importantes ou sugerem que seus resultados são ‘naturais’ quando não são, isso pode criar expectativas irreais e gerar confusão”, reforça Romero.

“Quando celebridades afirmam que é ‘apenas Botox’, mas claramente fizeram um trabalho mais extenso, isso engana as mulheres e alimenta expectativas irreais. Glamourizar os resultados enquanto esconde a verdade não é empoderador”, comenta Wellerson.

Quanto à estética corporal, além das cirurgias, há o uso de hormônios. No Brasil, o uso de esteroides anabolizantes tem sido omitido mesmo com mudanças expressivas (em volume muscular) em pouquíssimo tempo. “O uso de hormônios anabolizantes e moduladores hormonais (como testosterona, GH e até drogas como SARMs) alteram significativamente o corpo em pouco tempo.

A própria lipoaspiração HD quando divulgada como “natural” pode gerar dismorfia corporal em seguidores e banalização de procedimentos de risco. Os efeitos colaterais da omissão deliberada são a normalização de padrões inatingíveis, a indução ao consumo impulsivo de produtos, o aumento de casos de transtornos alimentares, dismorfia corporal e depressão e a descredibilização dos profissionais de saúde, já que os resultados ‘milagrosos’ não são replicáveis em ambiente clínico realista”, destaca Romero.

“Além disso, as mídias sociais ainda são altamente selecionadas. Ajustes faciais, filtros e edição de fotos continuam comuns e podem distorcer a percepção do que é real ou alcançável. Celebridades e influenciadores não são apenas exemplos de estilo de vida, são formadores de opinião com responsabilidade social. Ao distorcerem a origem das mudanças corporais, perpetuam um ideal inatingível e frustrante para a maioria das pessoas”, diz o cirurgião.

“Ao verem celebridades atribuírem seus corpos esculpidos a dietas ou produtos de prateleira, principalmente os jovens tendem a internalizar a ideia de que, se não alcançam o mesmo resultado, é por incompetência pessoal, o que é extremamente danoso do ponto de vista psicológico”, finaliza Wellerson.

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