Pular para o conteúdo
outubro 13, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,0090
News

Entenda como doações milionárias de Elon Musk aos republicanos podem (ou não) mudar a eleição nos EUA

Por · outubro 13, 2026
Entenda como doações milionárias de Elon Musk aos republicanos podem (ou não) mudar a eleição nos EUA


No fim de semana, o jornal americano New York Times revelou que o bilionário Elon Musk despejou, desde julho, US$ 276 milhões em campanhas republicanas para as eleições de novembro, em uma “operação de resgate” diante das pesquisas que apontam para uma vitória democrata no Congresso. Identificado com causas conservadoras — como a cruzada contra pessoas transgênero —, o orçamento eleitoral sem limites deixa evidente a preocupação de Musk com uma mudança de rumo em Washington, que pode lhe trazer problemas financeiros, políticos e legais.
Reaproximação com Trump: Elon Musk assume projeto ligado ao Pentágono sobre ‘futuro da guerra’ e volta a ocupar função no governo dos EUA
Mas a pergunta de um milhão de dólares, ou 276 milhões, é se essa enxurrada de verbas terá efeito prático nas urnas. Embora campanhas milionárias tenham garantido vitórias importantes no passado, são numerosos os exemplos de derrotas dispendiosas.
Com quem, ou o que, Musk gastou seus milhões?
Desde janeiro de 2025, quando Trump assumiu na Casa Branca, Musk doou US$ 366 milhões a causas políticas, sendo que os US$ 276 milhões da “operação de resgate” foram destinados quase na totalidade aos republicanos desde julho.
No sistema político americano, as doações podem ser feitas por indivíduos ou através dos comitês de ação política, os PACs. Há uma modalidade à parte, os Super PACs, que não precisam observar limites para doações, mas que não podem apoiar, ao menos oficialmente, candidatos específicos.
Segundo a listagem de gastos fornecida por um porta-voz de Musk à agência Reuters, ele destinou US$ 158 milhões ao Fundo de Liderança do Senado, um Super PAC destinado a manter o controle republicano da Casa, onde haverá uma renovação parcial em novembro. Outros US$ 20 milhões foram para o Fundo de Liderança do Congresso, alinhado ao presidente da Câmara, Mike Johnson. Há aportes ainda a um PAC que apoia a campanha de Ken Paxton para o Senado no Texas, à Associação de Governadores Republicanos e à Associação de Procuradores-Gerais Republicanos.
Por fim, há um repasse de US$ 76 milhões ao Super PAC de Musk, o America PAC, envolvido em disputas estaduais por vagas na Câmara e no Senado.
Na Europa: Elon Musk deu ‘apoio altamente importante’, diz líder de partido de extrema direita alemã após vitória nas urnas
Como o dinheiro de Musk funciona na prática?
No Texas, um estado onde o domínio republicano está ameaçado, o America PAC destinou alguns milhões de dólares para produzir panfletos, cartazes, propaganda enviada por e-mail e mensagens de texto centrados na demonização dos democratas. Um trabalho por vezes realizado de porta a porta — a organização diz ter ido a 6,5 milhões de residências em todo o país — e que complementa a blitz na TV, internet e eventos públicos.
Os anúncios também servem para impulsionar a “guerra cultural” que acompanha a persona política de Elon Musk. Anúncios no Texas afirmam que James Talarico, nome democrata para o Senado, e Gina Hinojosa, que tenta chegar ao governo do estado, defendem uma “agenda trans radical”, e teriam dito, no caso de Talarico, que “Deus é não binário”. Outra obsessão é a “ameaça socialista”, apresentada através das candidaturas de nomes progressistas como as deputadas Ilhan Omar e Alexandria Ocasio-Cortez.
De acordo com autoridades eleitorais de Washington e do Colorado, o America PAC está por trás de uma campanha de desinformação centrada no voto por correio, e um site mantido com dinheiro de Musk, o Vote Safe, foi classificado como um portal para obter dados dos eleitores e usá-los para fins pouco claros. Além disso, a informação disponibilizada ali nem sempre pode corresponder à realidade.
“Em vez de depender de um site que, ele próprio, alerta que suas informações sobre votação podem não ser precisas, obtenha informações corretas e atualizadas diretamente dos órgãos eleitorais estaduais e locais”, afirmou, em comunicado, o secretário de Estado de Washington, Steve Hobbs.
Por que Musk gasta tanto com política?
Não importa o país, doações podem ser a expressão de apoio político legítimo, como ocorre com os pequenos doadores, ou uma tentativa de avançar com agendas próprias ou moldar o sistema em termos mais favoráveis. Há 11 anos, Musk doou US$ 10 mil a campanhas democratas, e dizia que “se envolveria o mínimo possível com política”. Mas em 2017, primeiro ano de Trump no poder, houve uma guinada brusca: naquele ano, destinou US$ 90 mil aos republicanos, valores que parecem negligenciáveis se comparados à ofensiva pró-Trump de 2024, quando gastou US$ 290 milhões.
Musk, assim como os outros membros do clube de bilionários do Vale do Silício, temem que o controle democrata do Congresso os ponha na linha de frente de investigações e leve à aprovação de regras mais duras sobre campos como a inteligência artificial (IA). Há alguns dias, um Super PAC democrata, o “Tomorrow Together” (“Amanhã Juntos”), despejou US$ 4 milhões em anúncios que ligam os republicanos aos riscos da IA. De acordo com o New York Times, democratas planejam convocar Musk para prestar explicações no Congresso caso retomem o controle do Legislativo, e querem investigar os contratos firmados por empresas do bilionário com o governo federal.
— Tudo o que ocorreu nos dois primeiros anos desta administração é passível de investigação — disse Kevin Edgar, ex-consultor jurídico-chefe do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, à NBC News.
Initial plugin text
Os milhões garantem eleições?
No ciclo eleitoral de 2024, que reconduziu Trump à Casa Branca e lhe deu maioria na Câmara e Senado, o aporte milionário de Musk fortaleceu uma campanha pautada pelas críticas à inflação sob Joe Biden. Além do dinheiro a centenas de candidatos, a começar pelo próprio Trump, o bilionário ofereceu sortear US$ 1 milhão entre eleitores registrados que apoiassem uma petição apoiada por ele, em um claro desafio às leis eleitorais. Após a vitória, ganhou um cargo no agora impopular governo.
Mas nem sempre o dinheiro é a única resposta. Em 2025, logo depois da avalanche trumpista, Musk investiu US$ 21 milhões na candidata republicana a uma vaga na Suprema Corte do Wisconsin, mas perdeu. No começo do ano, o senador John Cornyn gastou o equivalente a US$ 45 por cada voto que recebeu nas primárias republicanas contra Ken Paxton, e foi derrotado por mais de 20 pontos percentuais. O democrata Tom Steyer, que almejava o governo da Califórnia, gastou mais de US$ 200 milhões em publicidade e terminou em terceiro nas primárias. Mas poucos se igualam ao ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg: em 2020, ele empenhou US$ 1 bilhão para tentar a indicação democrata à Presidência, mas desistiu após 104 dias de campanha.

Entenda como doações milionárias de Elon Musk aos republicanos podem (ou não) mudar a eleição nos EUA