Neste sábado, a Polícia Civil deflagrou uma operação para prender os envolvidos no atentado contra o contraventor Luizinho Drumond, ocorrido no último dia 11. O carro em que ele estava foi metralhado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, após ser monitorado por criminosos. O veículo foi atingido por 30 disparos, mas o bicheiro conseguiu escapar sem ferimentos graves. As investigações apontam quatro suspeitos de participação no crime, entre eles um ex-policial militar e um PM da ativa. Com a identificação do grupo, a polícia passou a apurar uma possível ligação entre os envolvidos e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
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O principal elemento que conecta Adilsinho ao ataque contra Drumond é a suposta participação de Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira. Antes de ser apontado pela polícia como um dos envolvidos no atentado, ele já era citado em inquéritos sobre a máfia do cigarro e sobre o novo Escritório do Crime, quadrilha de matadores de aluguel que atua a serviço da nova cúpula do jogo do bicho.
O nome de Cachoeira aparece, por exemplo, em conversas com Ryan Patrick Barboza de Oliveira, mais conhecido como Motinha ou Visão, um dos integrantes da quadrilha de matadores. Segundo investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Motinha era responsável pelo monitoramento das vítimas e chegava a passar dias inteiros seguindo os passos dos alvos, repassando, em tempo real, todas as informações à quadrilha realizar as execuções.
Em uma das mensagens obtidas pela polícia, Ryan pede a um comparsa que confirme com Cachoeira a identidade de um alvo:
“Pergunta ao Cachoeira se é branco e tem tatuagens coloridas no braço esquerdo”, escreveu Ryan.
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Cachoeira também é citado em um funk criado por integrantes da quadrilha de Adilsinho para comemorar o homicídio de Marquinhos Catiri, miliciano rival de Adilsinho. Em um arquivo de áudio encaminhado poucos minutos após o assassinato, uma voz masculina canta uma música cuja letra cita os apelidos de vários integrantes da organização criminosa que, possivelmente, participaram da execução, segundo a polícia. A letra diz:
“A notícia eu vou te dar agora como é que foi. SEM ALMA está de luneta pra te buscar em casa. CORINGA tá de AK, com pentão de goiabada. PQD e CACHOEIRA palmeando não passa nada. Enquanto KING dá rajada, o PESTINHA taca a granada. CHACAL e PELO DE RATO progredindo de cantinho. Retaguarda o TH junto com o mano NOVINHO (…)”
Além disso, Cachoeira já foi preso por um crime diretamente ligado aos negócios de Adilsinho. No dia 12 de dezembro de 2022, ele e outros dois comparsas sequestraram uma mulher que tinha relação com o comércio ilegal de cigarros. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio, a vítima estava na loja da cunhada, por volta das 18h, quando dois homens entraram no estabelecimento, de capuz e com colete da Polícia Civil. De acordo com o MP, eles estavam usando armas longas quando seguraram a vítima pelo braço e a levaram à força dentro do carro, que empreendeu fuga.
No momento do sequestro, dois PMs estavam próximos da região e foram acionados para a ocorrência. Eles conseguiram alcançar o veículo e realizar a abordagem, prendendo Cachoeira, Uanderson Costa de Souza, que dirigia o carro, e Fábio César Moura Pereira.
Após a prisão do trio, a Polícia Civil apurou que a companheira de Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, recebeu dinheiro do grupo de matadores. Com a quebra do sigilo telefônico, os investigadores descobriram que, logo após o crime, Rafael do Nascimento Dutra, conhecido como Sem Alma, enviou a chave Pix da mulher a um comparsa e pediu que fosse transferido “qualquer valor”, afirmando que “lá eles dão o jeito deles”.
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Sem Alma é apontado por investigações policiais como chefe de um grupo de pistoleiros que atua a serviço da contravenção e da máfia de cigarros ilegais em Duque de Caxias.
Relação Drumond x Adilsinho
Adilsinho e Vinicius eram aliados, mas já vinham se desentendendo desde meados de 2024. Vinicius não teria aceitado a saída de Manuel Agostinho Rodrigues Miranda — ex-braço direito de seu pai e responsável pela gestão dos bingos da família — para o lado de Adilsinho. O funcionário alegou que se aposentaria, o que não era verdade.
Em setembro daquele ano, Agostinho foi assassinado em Del Castilho, na Zona Norte, dentro de um carro blindado. Os criminosos dispararam, pelo menos, 38 tiros em direção à porta do motorista. O impacto foi tão violento que a maçaneta foi arrancada, o que permitiu a entrada das balas no veículo. Os investigadores da DHC têm como principal linha de investigação o envolvimento de Vinicius no homicídio.
Adilsinho, por sua vez, não teria deixado o caso passar em branco. A polícia investiga o homicídio do ex-PM André da Silva Aleixo, segurança de Vinicius, no mês seguinte, como um possível acerto de contas.
Operação para prender envolvidos
Neste sábado, a Polícia Civil realizou uma operação para prender quatro pessoas envolvidas no ataque contra Drumond. Deivyd Bruno Nogueira Vieira, o Piloto, ex-policial militar, foi localizado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele havia sido expulso da corporação após envolvimento com receptação de veículo roubado e tráfico de drogas. Além do cumprimento do mandado de prisão temporária expedido a partir da investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Deivyd também foi autuado em flagrante por porte de arma de uso restrito.
Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, Adriano Carvalho de Araújo, e e o policial militar da ativa Luís César da Cunha, lotado no 15º BPM, seguem foragidos.
Como foi o atentado contra Vinicius Drumond?
No último dia 11, o Porsche em que Vinícius Drumond estava foi atingido por mais de 30 tiros em uma das vias mais movimentadas da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. O atentado ocorreu por volta das 11h, na Avenida das Américas, nas proximidades do VillageMall.
Os criminosos emparelharam um veículo ao lado do Porsche e dispararam tiros de fuzil. Apesar dos disparos, Vinícius foi ferido apenas por estilhaços.
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De acordo com as investigações, os automóveis envolvidos na ação criminosa seguiram pela Avenida das Américas e acessaram a Avenida Lúcio Costa, a partir de onde passaram a seguir por caminhos distintos. O carro de onde partiram os tiros foi encontrado no bairro de Guaratiba, abandonado, com um dos pneus estourado, enquanto o outro seguiu para o município de Duque de Caxias.
Segundo a Polícia, após abandonarem o automóvel em Guaratiba, os ocupantes, portando armas longas e balaclavas, abordaram a proprietária de outro veículo e a obrigaram a transportá-los até Nova Iguaçu, às margens da Rodovia Presidente Dutra. Lá, foram “resgatados” por outro integrante da organização criminosa.
As investigações apontaram que o grupo responsável pela tentativa de homicídio monitorou o contraventor nos dias que antecederam a ação.