Anitta viveu uma experiência cultural profunda ao participar do ritual Kuarup, uma das cerimônias mais sagradas dos povos indígenas do Alto Xingu, em Mato Grosso. A cantora esteve no território indígena acompanhada do apresentador Luciano Huck e do cineasta Bob K, com quem gravou um especial para o programa “Domingão com Huck”.
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As imagens despertaram a curiosidade do público, que se impressionou com o envolvimento de Anitta em um evento tão simbólico. “Extremamente necessária!”, escreveu uma internauta. “É a artista que mais se esforça em mostrar a realidade dos povos indígenas, das nossas florestas e da natureza. Não é à toa que ela está onde está hoje”, destacou outra. “Ela faz o que poucas artistas fazem”, opinou uma terceira.
Realizado anualmente, o Kuarup é um ritual tradicional que celebra o fim do luto e a libertação das almas de pessoas importantes que faleceram. Segundo a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), a cerimônia representa a despedida final dos mortos, permitindo que seus espíritos façam a travessia para outro plano espiritual. O evento é realizado cerca de um ano após a morte do ente querido e reúne diversas aldeias da região do Alto Xingu.
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Durante o Kuarup, troncos de madeira, cuidadosamente esculpidos e decorados, são colocados no centro do pátio da aldeia. Esses troncos simbolizam os mortos homenageados. Ao longo da cerimônia, acontecem rituais com cantos, danças, lamentações e orações, que expressam a dor da perda e a importância da passagem espiritual. No momento final, os troncos são lançados no rio Kuluene, gesto que simboliza a libertação das almas para o mundo espiritual.
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O ritual também incorpora outras cerimônias importantes para a cultura local. Uma delas marca o fim do período de reclusão das meninas que passam pela puberdade. Após um ano isoladas da vida social, elas são apresentadas à comunidade como mulheres adultas, em um momento de grande valor simbólico. Outro destaque é a Huka-Huka, luta corporal entre jovens guerreiros que testam força, coragem e preparo físico, reforçando os laços culturais e sociais entre os povos presentes.
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A origem do Kuarup remonta à figura do Pajé Mavutsinim, personagem mitológico que, segundo a tradição, tentou trazer os mortos de volta à vida por meio de troncos de madeira que ganhariam forma humana. No entanto, a desobediência de um indígena teria interrompido o ritual de ressurreição. Desde então, acredita-se que o Kuarup não devolve a vida, mas sim liberta os espíritos para que possam seguir em paz para outro mundo.