Cercando o portão 122 do Aeroporto da Cidade do Panamá, um amontoado de torcedores de Flamengo e Palmeiras tiveram a primeira amostra do que lhes aguarda no Estádio Monumental de Lima neste sábado. Prestes iniciar a última parte do trajeto rumo à capital peruana para a final da Libertadores, foi em meio às diferentes conexões de voos que vários deles assistiram lado a lado a uma rodada que quase definiu o Brasileirão.
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No final das contas, o título nacional não saiu na noite de ontem. O alviverde até perdeu para o Grêmio, por 3 a 2, resultado que ajudava o rubro-negro. Mas a equipe de Filipe Luís precisava vencer o Atlético-MG, e ficou apenas no empate por 1 a 1.
O voo marcado para decolar às 21h15 locais, ou às 23h15 de Brasília, causava o temor em todos por embarcar para Lima sem saber o resultado final. O sinal da internet no aeroporto também não colaborava e fazia adversários se desdobrarem entre celulares e tablets para assistir aos jogos ou acompanhar aplicativos de resultados — assim como o repórter do GLOBO que seguia no trajeto.
— Se o Flamengo for campeão hoje, o ruim é que os caras vão comemorando no avião — comentou um palmeirense mais desconfiado, antes de ser alertado:
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O grito ecoou entre os presentes no saguão, que rapidamente identificaram a origem verde daquele som. Facundo Torres fez um Palmeiras reserva abriu o placar em Porto Alegre, e colocou fogo na disputa. O Flamengo, que empilhou gols perdidos no primeiro tempo, levou depois o gol de Bernard. Naquele momento, a diferença entre ambos caía para apenas um ponto.
— O time reserva do Palmeiras está melhor que o titular — disse um dos flamenguistas que se juntou em torno do tablet de Mikael, também torcedor rubro-negro, que via o jogo imediatamente atrás de um trio de palmeirenses.
O homem está indo para a primeira final de Libertadores na vida, e levou o filho Samuel junto na aventura. Mikael conta que também tem o sonho de ir a uma final de Champions League e à Copa do Mundo, mas, no momento, só pensa em uma coisa.
— Estou vendo o jogo aqui, mas a cabeça está no sábado — admite.
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O clima no saguão era descontraído e temperado com conversas sobre os episódios da rivalidade recente entre Flamengo e Palmeiras. Também cabia provocações a outros rivais. Na hora que a maioria já se levantava para entrar no avião, o Grêmio empatou o jogo antes do intervalo, com Amuzu.
Camisas vermelhas e pretas, verdes e brancas, e celulares foram aparecendo de todos os lados na fila do embarque, e os espertos ficavam logo ao lado de algum desconhecido para espiar um lance e dar uma cornetada. Já nas poltronas da aeronave, reinou a pergunta “quanto tá o jogo aí?”. E principalmente:
— Espera, piloto! Não decola agora, não! — gritava alguém no fundo.
— Bota o jogo do Flamengo aí, comandante!
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Curiosamente, foi nesse momento que os jogos esquentaram. O Grêmio virou com Carlos Vinicius e ampliou com Willian, o que já rendia comemoração rubro-negra e provocações ao Palmeiras. Em Belo Horizonte, Bruno Henrique empatou para o Flamengo e deixou o time a um gol do título. Que não saiu. No final, o alviverde diminuiu com Benedetti, mas não evitou a derrota.
Vai ficar no imaginário das poucas dezenas de presentes a dúvida sobre os pilotos da aeronave estarem acompanhando a rodada do Brasileirão ou não é. Fato é que o voo decolou atrasado e permitiu que todos soubessem o resultado ainda em solo.
Com 75 pontos, o Flamengo será campeão se vencer o Ceará, no Maracanã, na próxima quarta-feira. No mesmo dia, o Palmeiras, com 70, visita o Atlético-MG. Mas antes de se preocupar com isso, um deles está a 90 minutos de se tornar o primeiro brasileiro tetracampeão da Libertadores. E essa é a maior preocupação de quem viu a rodada entre uma conexão aqui e um voo acolá.
— Acabou, pode ir embora, piloto!
— Manda marcha, esperou direitinho.
— O piloto é Flamengo!

