A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prepara novos conteúdos para explorar as mensagens envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, reveladas pela revista Veja nesta quinta-feira, cujo conteúdo foi confirmado pelo GLOBO. Segundo aliados do candidato, os novos diálogos serão usados explicitamente na campanha e já estão sendo incorporados à preparação das peças que irão ao horário eleitoral, que começa na próxima sexta-feira.
As revelações passaram a circular rapidamente entre integrantes do entorno de Flávio. Em grupos de mensagens ligados à campanha, aliados compartilharam trechos considerados de maior impacto das conversas, entre eles uma mensagem em que a empresária Roberta Luchsinger afirma: “Ou vamos ficar milionários ou vamos nos foder grande”, segundo trecho incluído na investigação realizada pela Polícia Federal (PF).
As novas informações foram classificadas internamente como uma “bomba” e passaram a ser tratadas como material com potencial para a campanha.
A estratégia representa uma ampliação do movimento que o QG de Flávio já havia iniciado, com a campanha focada em levar o caso envolvendo Lulinha para a propaganda eleitoral e associá-lo a suspeitas de tráfico de influência e às relações da empresária com integrantes do governo federal.
Agora, com as novas mensagens, a avaliação entre aliados é que a própria investigação oferece material para ser explorado eleitoralmente. Um interlocutor da campanha afirma, em tom irônico, que revelações desse tipo funcionam como um “motor criativo” para a equipe, uma vez que permitem construir novos conteúdos a partir de informações que chegam prontas, sem que seja necessário produzir o fato ou provocar o adversário.
Em uma das conversas reveladas pela Veja, Roberta afirma a um interlocutor que ela e Lulinha seriam “uma coisa só” e que, se um deles decidisse algo, seguiriam juntos. Em outro diálogo que compõe a apuração, ela diz que “Fábio não faz nada” e que ele “só entra em campo quando precisa”, acrescentando que ele precisava “se preservar”.
As mensagens atribuídas a Roberta integram o material anexado às apurações que apuram suspeitas envolvendo Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência e nega irregularidades.
A campanha de Flávio pretende usar os diálogos para reforçar um dos eixos de sua estratégia de confronto com Lula, baseado na associação do governo a suspeitas de corrupção e tráfico de influência. A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPI do INSS, como candidato a vice já havia colocado o combate às fraudes contra aposentados e o discurso anticorrupção entre os temas centrais da chapa.
Segundo as investigações, Roberta mantinha relações comerciais com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela Polícia Federal como um dos principais personagens do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo as investigações, ela recebeu R$ 1,5 milhão do empresário para tentar viabilizar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
A PF também identificou que Roberta enviou a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, uma minuta de contrato para a venda dos medicamentos ao ministério. Interlocutores de Marco Aurélio afirmam que foi inadequado receber o documento, mas negam qualquer favorecimento à proposta.
De Dark Horse a Lulinha
Dentro da campanha de Flávio, as novas revelações também são vistas como uma inversão da dinâmica vivida pelo candidato durante a crise do Dark Horse. Na ocasião, o caso envolvendo os contatos de Flávio com Daniel Vorcaro, do Banco Master, se tornou um dos principais flancos de sua campanha e passou a ser explorado por Lula e por integrantes da esquerda.
Aliados de Flávio fazem agora um paralelo entre os dois episódios. Na avaliação de um interlocutor, durante a crise do Dark Horse a oposição recebeu uma oportunidade pronta para atacar o candidato do PL. Agora, o movimento seria inverso, com as investigações da Polícia Federal produzindo material que Flávio pode usar contra o adversário.
A avaliação é que a campanha não precisa construir uma narrativa do zero, já que as novas mensagens já fornecem trechos que podem ser transformados em vídeos, inserções e peças para o horário eleitoral, além de conteúdos para as redes sociais — todas embasadas em uma investigação de um órgão federal.

