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Escândalo de corrupção desgasta imagem de Milei nas redes e nas ruas e cobra alto custo político

BRCOM by BRCOM
agosto 28, 2025
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Cartaz do partido A Liberdade Avança, de Javier Milei, é vandalizado em Lomas de Zamora, na província de Buenos Aires — Foto: Juan Mabromata/AFP

Enquanto o presidente da Argentina, Javier Milei, e sua irmã e secretária-geral da Presidência do país, Karina Milei, tentam conter a crise desencadeada pelas denúncias de suposta corrupção na Agência Nacional de Deficiência (Andis, na sigla em espanhol), alvo de uma investigação judicial, o já chamado pela mídia local de “Karinagate” viralizou nas redes sociais, território que, nos últimos tempos, deixou de ser dominado pela tropa digital aliada ao partido governista A Liberdade Avança (LLA). Segundo duas empresas de consultoria que analisam o universo das redes sociais, o escândalo disparou as menções negativas sobre a irmã do presidente, supostamente envolvida num esquema de pagamento de propinas na Andis, e, também, sobre Milei. O efeito já é sentido nas ruas: ontem, o presidente teve que abandonar às pressas uma carreata, em meio a protestos e arremesso de objetos e pedras.

  • Veja vídeo: Milei abandona carreata às pressas em meio a protestos e arremesso de objetos e pedra
  • Diego Spagnuolo: Saiba quem é o advogado pessoal de Milei que virou pivô de escândalo de corrupção no governo argentino

Antes do comício, Milei citou pela primeira vez os áudios do ex-diretor da Andis, Diego Spagnuolo, nos quais o ex-funcionário descreve um suposto esquema de corrupção do qual participaria Karina.

— Tudo o que ele diz é mentira — afirmou.

Nas redes, a amostra digital recolhida reflete, em grande medida, o que se ouve nas ruas de Buenos Aires. Em conversas informais fica claro que o caso da Andis impactou com força e muito negativamente a imagem do governo. Mas isso não significa, coincidem os analistas, que o partido do presidente sofrerá inevitavelmente um revés nas eleições legislativas de 7 de setembro na província de Buenos Aires — onde vive um terço do eleitorado nacional — e em 26 de outubro no restante do país.

Mostra, no entanto, uma mudança de tendência, que começou a ser percebida após o escândalo da criptomoeda Libra, promovida pelo chefe de Estado em sua conta no X, no início do ano.

Existe um clima de crescente decepção com Milei entre os argentinos que apostaram no economista nas presidenciais de 2023. O presidente, por sua vez, passou à defensiva, e, em meio a denúncias que vão parar nos tribunais de Buenos Aires, vem perdendo a capacidade de sustentar a narrativa que o levou ao poder. O Karinagate, concordam os analistas, derrubou a bandeira do combate à casta política — na campanha de 2023, associada por Milei à corrupção.

Desde que o escândalo da Andis veio à tona, na semana passada, a agência Enter Comunicação calcula que 1,7 milhão de internautas comentaram o assunto. O número é superado pelos 4,5 milhões que dialogaram virtualmente sobre o caso Libra, e pelos 2,8 milhões que comentaram a condenação por corrupção e prisão domiciliar da ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015). Mas há elementos do Karigate que são preocupantes, alerta Pablo Pérez, diretor da Enter.

— O caso Libra nasceu nas redes, já o caso da Andis demorou alguns dias para chegar ao mundo virtual. Quando chegou, já tinha uma força e negatividade enormes. As pessoas já começam a falar sobre o escândalo com uma posição tomada, e condenando virtualmente a irmã do presidente.

A hashtag #karinacoimera (coima em espanhol significa propina), viralizou no X e, segundo o monitoramento da Enter, 62,90% dos comentários foram negativos. Karina, irmã de Milei, foi a figura mais mencionada nas redes nos últimos dias (até ontem, 565.393 mil vezes). O presidente foi o segundo mais citado, com 528.157 menções.

  • Investigação em curso: Análise preliminar indica que mensagens foram apagadas do celular de pivô de escândalo de corrupção envolvendo irmã de Milei

— Existe uma crise de comunicação quando a negatividade sobre algum assunto começa a penetrar na nuvem ou bolha contrária. O caso Andis começou em meios opositores, mas rapidamente passou para meios mais alinhados com o governo, ou, pelo menos, não tão críticos. Jornalistas próximos a Milei se somaram às denúncias — afirma Pérez.

Os memes com a imagem de Karina associada ao pagamento de propina estão espalhados por milhões de celulares na Argentina. Seguidores do presidente ainda tentam defender o governo, alegando que o escândalo é uma operação política da oposição, para prejudicar Milei nas eleições parlamentares. Foi o que ouviu o professor de Educação Física Iván de alguns de seus alunos, segundo comentou ao GLOBO.

Já a professora Luciana Jiménez, que trabalha em uma escola particular, diz estar “decepcionada e desnorteada”.

— Para os que acreditamos que Milei representava uma mudança é difícil assimilar este escândalo. Não temos alternativa.

Eleitores como Luciana, assegura Javier Correa, diretor da empresa de comunicação Ad Hoc, poderiam optar pela abstenção nas eleições.

— O problema deste novo escândalo é o contexto: o governo sofreu 40 derrotas legislativas nos últimos meses, tem problemas macro e microeconômicos, juros superando 60% ao ano, e uma agenda que está cada vez mais desconfortável. Não sabemos qual será o impacto eleitoral, mas haverá custo político.

Segundo a Ad Hoc, há sete meses a negatividade predomina nas conversas digitais sobre Milei. A cada dez menções a Karina, só uma é positiva. A imagem da irmã do presidente, considerada tão poderosa quanto ele, vem sofrendo um processo de estigmatização.

Cartaz do partido A Liberdade Avança, de Javier Milei, é vandalizado em Lomas de Zamora, na província de Buenos Aires — Foto: Juan Mabromata/AFP

— Nos grupos focais, vemos eleitores desiludidos, mas sem saber o que fazer com seu voto — comenta o analista. — Os memes têm uma potência enorme, porque são uma maneira de fazer humor com elementos compartilhados por todos. Os memes de Karina como aliciadora estão por todos os lados, e para o governo deveria ser um sintoma de algo preocupante.

Desde que Milei foi empossado, em dezembro de 2023, sua presença nas redes teve momentos gloriosos, no primeiro ano de mandato, atingindo 14 milhões de menções por mês, segundo a Ad Hoc. Este ano, a partir do caso Libra, o número entrou em declínio persistente, e hoje, confirma Correa, o presidente é mencionado entre 5 e 6 milhões de vezes por mês nas redes.

— O governo tem uma equipe dedicada apenas a redes e, pela primeira vez, parece estar perdendo o controle da narrativa — conclui o analista.

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