Uma réplica da famosa escultura “O Pensador”, de Auguste Rodin, instalada em frente à sede das Nações Unidas, começou a ser lentamente coberta por lixo plástico nesta segunda-feira (4), em um protesto simbólico que marca o início das negociações para um tratado global contra a poluição plástica.
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A escultura será gradualmente soterrada por camadas de resíduos — como garrafas, brinquedos, redes de pesca e outros materiais descartados — ao longo dos dez dias de discussões que começam nesta terça-feira. O objetivo é pressionar os representantes dos 193 países-membros da ONU a finalizarem o primeiro acordo internacional para enfrentamento da crise ambiental provocada pelo plástico.
Com seis metros de altura, a instalação intitulada “O Fardo do Pensador” é assinada pelo artista e ativista canadense Benjamin Von Wong. Ele espera que a obra faça os diplomatas refletirem sobre “os impactos da poluição plástica na saúde, não apenas da nossa geração, mas das futuras”, disse ele à agência AFP.
Na instalação, o “Pensador” está sentado sobre uma representação da Mãe Terra, segurando garrafas plásticas amassadas em uma mão, enquanto encara um bebê na outra.
“Ao longo dos próximos 10 dias, vamos adicionar mais e mais plástico à obra para simbolizar o custo crescente repassado às gerações futuras”, explicou Von Wong.
“Se queremos proteger a saúde, precisamos pensar nos produtos químicos tóxicos que estão entrando no ambiente. Precisamos debater limites à produção de plástico e lutar por um tratado ambicioso e eficaz”, afirmou.
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Atualmente, mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas por ano em todo o mundo. Desse total, metade corresponde a itens de uso único. Embora 15% do lixo plástico seja coletado para reciclagem, apenas 9% de fato passam pelo processo. Quase metade (46%) vai parar em aterros sanitários, 17% são incinerados e 22% têm descarte inadequado, virando lixo no meio ambiente.
Em 2022, os países firmaram um compromisso para encontrar uma solução até o fim de 2024. No entanto, a última rodada de negociações, realizada em dezembro do ano passado em Busan, na Coreia do Sul, terminou sem consenso devido a divergências fundamentais entre as delegações.
Estudos recentes revelam que o plástico se fragmenta em partículas microscópicas, capazes de penetrar no ecossistema e até no sangue e órgãos humanos — consequências que ainda estão sendo estudadas, mas já acendem alertas em especialistas do mundo todo.