Com as provas do Enem 2025 marcadas para os dias 9 e 16 de novembro — e, em dois municípios do Pará, além da capital Belém, para 30 de novembro e 7 de dezembro, por conta da COP30 —, milhões de estudantes buscam estratégias que vão além dos livros e cadernos para chegar ao local de prova com a melhor preparação possível. Para ajudar os concurseiros, O GLOBO consultou especialistas em saúde e nutrição e reuniu dicas de bem-estar que podem ajudar a aumentar o rendimento nessa reta e na hora da prova.
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Segundo a neurologista Andrea Bacelar, vice-presidente da Academia Brasileira do Sono, o segredo para descansar ao máximo durante as horas com a cabeça no travesseiro é uma atitude simples: respeitar o próprio relógio biológico.
— É fundamental dormir e acordar sempre no mesmo horário. Não ficar privado de sono é essencial — explica a especialista. — Dormir menos do que o necessário diminui o aprendizado e compromete o desempenho. Isso é um boicote ao próprio estudo.
Segundo Bacelar, cada pessoa tem uma necessidade individual de sono, mas há médias recomendadas por faixa etária, conforme dados da Sleep Foundation.
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— Como a prova é às 13h (horário de Brasília), o candidato pode manter o seu ritmo natural, inclusive aqueles que rendem melhor no período vespertino — afirma. — Se costuma dormir às 2h e acordar às 10h, por exemplo, não há problema: respeitar esse padrão ajuda o corpo a render mais.
A médica afirma, ainda, que certos hábitos vendidos na internet como “macetes” para os concurseiros como o uso da melatonina, hormônio regulador do sono, e das power naps (sonecas poderosas, do inglês), que são sonecas curtas, de 20 a 30 minutos, feitas no intervalo entre os estudos, podem não ser exatamente grandes aliados na reta final.
— Tirar um cochilo de 20 a 30 minutos depois do almoço, por exemplo, é benéfico e aumenta o aproveitamento dos estudos à tarde. Mas precisa ser uma rotina, não algo esporádico — aponta. — Também não adianta começar a tomar melatonina agora. Ela deve ser usada com semanas de antecedência e serve para ajustar o fuso interno, adiantando o sono. Seria útil se a prova fosse de manhã, mas como o Enem é à tarde, não há necessidade.
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Na alimentação, a nutricionista Priscilla Primi Hardt recomenda atenção especial tanto durante os estudos quanto no dia da prova.
— O ideal é uma alimentação variada e caseira, com arroz, feijão, carne, legumes, salada, frutas, leite, iogurte e queijos. A típica comida brasileira, por exemplo, é muito saudável — afirma.
A especialista alerta, porém, para evitar experimentações ou grandes mudanças na semana do exame.
— Não é o momento de testar comidas diferentes ou comer fora de casa. Isso pode causar intoxicação ou reações inesperadas, como sensibilidade alimentar — destaca.
Para o lanche durante a prova, Priscilla sugere opções leves e que mantenham o nível de energia de forma constante. Frutas secas e oleaginosas, como banana passa, uva passa, castanha-de-caju e castanha-do-pará, por exemplo, são ótimas opções, pois fornecem fibras, gorduras boas e açúcares naturais que protegem e ajudam o cérebro a se manter ativo.
A especialista ressalta, ainda, que lanches muito artificiais e carregados de açúcar podem acabar atrapalhando, não só pela sua composição, mas também pelo manuseio da embalagem.
— O ideal é evitar doces e guloseimas com açúcar simples, que provocam picos de glicose e depois uma queda brusca, gerando sonolência e cansaço — pontua. — E frutas e nozes são silenciosas, ao contrário de pacotes de salgadinhos e chocolates, que fazem barulho e atrapalham a concentração.
A nutricionista destaca a importância da hidratação nos dias que antecedem o exame e durante o andamento da prova.
— São cinco horas de prova, então, é muito importante fazer essa hidratação porque ali você tem uma alta descarga energética, e é a água que mantém esse equilíbrio para todas as reações químicas acontecerem de maneira ideal — explica.
As provas do Enem serão aplicadas em 9 e 16 de novembro, com exceção dos municípios de Belém, Ananindeua e Marituba (PA), onde o exame ocorrerá em 30 de novembro e 7 de dezembro devido à realização da COP 30. Os portões abrem às 12h e fecham às 13h, com início da prova às 13h30, no horário de Brasília.
No primeiro domingo, os participantes respondem à redação, a 45 questões de linguagens (40 de português e 5 de inglês ou espanhol) e 45 de ciências humanas. No segundo, são aplicadas as provas de matemática e ciências da natureza.
O gabarito oficial será divulgado até o 10º dia útil após o segundo dia de aplicação — ou seja, 12 de dezembro para a maioria dos candidatos e 19 de dezembro para os municípios do Pará com datas especiais. A data de divulgação dos resultados individuais ainda será informada pelo Inep.
*Estagiário sob supervisão de Daniela Dariano

