Um dos maiores nomes do samba brasileiro, Arlindo Cruz morreu nesta sexta-feira, 8 de agosto de 2025, aos 66 anos, no hospital Barra D’Or, no Rio de Janeiro. O compositor, cantor e multi-instrumentista enfrentava complicações de saúde desde que sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico em março de 2017. Desde então, contou com o apoio incondicional de sua esposa, Babi Cruz, com quem compartilhou mais de 25 anos de vida. Foi ela quem confirmou a notícia da morte. Em nota, a família declarou: “Mais do que um artista, Arlindo foi um poeta do samba, um homem de fé, generosidade e alegria, que dedicou sua vida a levar música e amor a todos que cruzaram seu caminho.”
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Ao lado de Arlindo, Babi não apenas acompanhou sua trajetória artística, como também esteve presente durante os momentos mais difíceis dos últimos anos, entre internações, sessões de fisioterapia e cuidados em casa.
Juntos, construíram uma família com dois filhos, Arlindinho e Flora, e uma história marcada por afeto, parceria e resistência. A despedida de Babi é também o fim de uma jornada de amor e luta compartilhada com um dos grandes mestres do samba.
Mais do que uma esposa, Babi se tornou cuidadora, porta-voz, confidente e, por vezes, alvo de críticas em meio ao sofrimento silencioso que carregava. A trajetória da relação nos últimos oito anos oferece um retrato nu e cru de como o amor pode resistir, ou se transformar, diante da tragédia.
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Em 17 de março de 2017, Arlindo Cruz sofreu um AVC hemorrágico em casa. O cantor foi imediatamente hospitalizado e permaneceu internado por um ano e meio, lutando pelas funções vitais. Recebeu alta, mas nunca mais voltou a se apresentar em público. Desde então, sua vida foi marcada por internações frequentes, sequelas neurológicas severas e cuidados médicos ininterruptos.
Babi Cruz abandonou tudo para cuidar do marido: projetos pessoais, vida social e até a própria saúde. “Temos a missão de cuidar dele até o fim. Abri mão de muitas coisas da minha vida para cuidar da carreira, dos sonhos e planos dele. E não me arrependo”, disse em entrevista ao Gshow, em 2025.
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Durante esses anos, Babi relatou que o marido teve mais de 30 pneumonias, enfrentou infecções bacterianas e momentos críticos, como a caxumba que o levou a uma internação prolongada em 2023.
Em todas essas ocasiões, era ela quem aparecia diante das câmeras, quem divulgava boletins médicos e que pedia orações aos fãs. Em maio de 2025, ela agradeceu o apoio dos admiradores: “É uma luta de anos, e tenho certeza que seremos vitoriosos no destino que Deus e os Orixás nos permitir.”
Entre o amor e o esgotamento
Mas o papel de cuidadora teve um custo emocional imensurável. Em trechos da biografia O Sambista Perfeito, de Marcos Salles, Babi revelou um lado sombrio de sua jornada: depressão profunda, solidão e esgotamento físico e mental.
“Ninguém viu o meu sofrimento, a minha solidão, a minha depressão. Conheci o buraco mais fundo do que o fundo do poço”, desabafou. Segundo ela, durante cinco anos e meio dormiu sozinha e mal se alimentava. “Só tomava água, café, remédio para depressão e fumava cigarro.”
Foi em meio a esse desespero que, em 2023, Babi decidiu recomeçar. Assumiu publicamente um novo relacionamento com André Caetano. A decisão foi recebida com polêmica e gerou inúmeras críticas nas redes sociais. Muitos questionaram o que viam como um “abandono” de Arlindo.
Mas Babi foi categórica em sua defesa: “Não sou separada, não sou viúva, nem solteira. Tenho um marido com o diagnóstico de inconsciência definitiva, que não volta mais. E esse estado civil, pela lei, não existe.”
Em depoimentos recentes, Babi explicou que Arlindo já não respondia a estímulos. Após perder os pequenos avanços conquistados em fases anteriores da reabilitação, o artista passou a viver em completo silêncio, em seu próprio mundo.
“Hoje ele está bem dentro do mundinho dele, do universo dele. Bem distante”, afirmou em outro trecho do livro. O Arlindo que ela conheceu, com quem dividiu palco, casa e sonhos, já não estava mais presente.
Ainda assim, ela permaneceu ao seu lado. Foi ela quem acompanhou todas as internações, quem lutou pelo direito de manter viva a memória e o legado do sambista. Foi também ela quem esteve ao lado dele no desfile da Império Serrano em 2023, em uma emocionante homenagem da escola de samba.
O momento mais controverso dessa história aconteceu em 2024, quando Babi, em entrevista ao programa Geral do Povo, da RedeTV!, contou um episódio íntimo sobre o marido. Detalhou uma conversa em que relembrou momentos sexuais do casal para estimular Arlindo e afirmou que ele reagiu com um orgasmo espontâneo.
A fala gerou uma onda de críticas na internet, com muitos internautas acusando-a de expor desnecessariamente a intimidade de alguém em estado vulnerável. “Tem coisas que não precisa falar. Respeite a memória do teu marido”, comentou um usuário.
Ainda assim, Babi manteve-se firme em sua narrativa, com a convicção de que todas essas ações faziam parte da forma dela de se manter conectada ao homem que amava.