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‘Está aquecendo a chama de ser artista’

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agosto 27, 2025
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Delacruz é o nome artístico de Daniel da Cruz, nascido e criado em Vigário Geral — Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Nem uísque, nem cerveja: é o vinho que tem feito a cabeça de Delacruz, o último romântico do rap nacional. Foi regado a garrafas de malbec que o músico de 27 anos concebeu o seu segundo e mais recente álbum, em outubro do ano passado, e com o qual tem rodado o país em turnê. “Vinho”, que tem estética tanto sonora quanto de palco inspirada no entusiasmo dionisíaco da bebida milenar, é sucesso não apenas de plays no streaming (bateu 40 milhões só no mês de lançamento), mas de público. Os shows têm esgotado ingressos em várias das casas por onde passa pelo Brasil, incluindo o Circo Voador, onde Delacruz deu sold out nas duas sessões que fez no início do ano, o Vivo Rio e a paulistana Audio, que também venderam tudo quando ele esteve por lá.

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— Eu sou um jovem senhor, cara, a realidade é essa — brinca Delacruz em entrevista ao GLOBO, concedida em seu estúdio, na Barra, Zona Oeste do Rio. — Meu rolé é de velho, sabe? Restaurante com a minha esposa, passeio com as crianças. E, quando estávamos produzindo o álbum, o Joker, que é meu produtor, e eu, percebemos que estávamos tomando vinho o tempo todo. E a gente meio que amarrou esse conceito, associando o processo de maturação do vinho à carreira artística, que melhora conforme amadurece.

Quanto ao conteúdo, Delacruz se diferencia da tradicional cena de rap cheia de testosterona, com autores que vivem a se vangloriar de feitos fabulosos na cama e de incontáveis mulheres à volta. Casado há nove anos com Gabriela, um amor de juventude, é nela que ele se inspira toda vez que põe a caneta pra trabalhar.

— Sim, a grande maioria das letras é sobre a minha esposa, sobre o nosso relacionamento. São várias perspectivas enquanto compositor. Passado, presente e futuro. Sempre gostei de escrever sobre o amor, sobre meus sentimentos. Sempre fui meio romântico na escrita, tá ligado? Depois que eu comecei a fazer rap, entendi que tinha um lance social e até cheguei a fazer coisas nesse sentido, mas entendi que era melhor quando falava sobre amor. E aí fui buscando referências, como Arlindo Cruz e MC Marcinho, que eram caras que falavam sobre amor de uma forma especial. Hoje meu som é uma mistura dessas referências com a minha própria identidade — explica.

Delacruz é o nome artístico de Daniel da Cruz, nascido e criado em Vigário Geral — Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Quanto à forma e ao gênero, trata-se mais de um disco de R&B e suas vertentes urbanas, explícitas desde a primeira faixa, “Afrodite”, que tem participação de Iza. “Quando estamos cara a cara, eu/ Sei que qualquer um repara”, diz um eu-lírico entregue, em meio ao groove aveludado pelo piano. “Para de falar”, com Gaab, “Só por hoje (seu marido)” e “Tão bem” remontam ao neo soul americano de nomes como Erykah Badu e D’Angelo. Estão lá, também, as mais radiofônicas, com estética mais pop, como “Último romântico”, com Lukinhas, que presta homenagem a MC Marcinho (1977-2023) e a bônus track “Ciúme bobo”, com MC Cabelinho.

— Tem uma pegada de R&B muito forte. Não é um som extremamente comercial, mas no fim acaba sendo, porque é o que a gente gosta. Minha mãe consumia e consome muito, até hoje, esse tipo de música, foi uma grande influência. Me encontrei nesse rap mais melódico. No fim das contas, está tudo nesse universo estético do álbum, essa coisa do vinho, o cenário que a gente levou pro show, plantinha, tapete, luz amarela — detalha o músico.

Nascido e criado em Vigário Geral, Zona Norte do Rio, Daniel da Cruz recebeu o apelido de Delacruz de uma professora de espanhol da escola. Conta que vem de uma família humilde, mas que nunca lhe faltou nada, e que era uma criança que gostava de brincar na rua. Manteve, quando pequeno, o sonho de se tornar jogador de futebol e, “quando a necessidade bateu”, já mais crescido, experimentou empregos como vendedor de roupas em shopping e corretor de seguro. Diz, no entanto, que a carteira de trabalho o “traumatizou”. A música foi o caminho.

— Vi que aquela vida de CLT não era pra mim. Foi um trauma. E isso só me deu força pra acreditar na carreira artística — relembra.

Depois de uma série de singles lançados de maneira independente, Delacruz alcançou projeção nacional em 2017, quando participou do projeto “Poesia acústica”. “Foi aí que o telefone começou a tocar”, ele conta. Seu primeiro disco, “Nonsense”, de 2019, não chegou a ter turnê por conta da pandemia. É com “Vinho”, então, que ele se lança na estrada pela primeira vez com um disco embaixo do braço:

— Estou me deparando com essa realidade e está sendo maravilhoso. Está aquecendo essa chama de ser artista, tá ligado?

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