O Dossiê Mulher, divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) nesta quarta-feira, aponta que, no ano passado, o estado do Rio teve 5.870 descumprimentos de medidas protetivas. Esse é o maior número da série histórica, iniciada em 2018. Um em cada dez casos ocorreu em ambiente virtual, onde mensagens de WhatsApp, redes sociais e até transferências por PIX são usadas como forma de manter contato, monitorar e perseguir as vítimas.
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Em todo o ano passado, as Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs) contabilizaram ainda 2.521 vítimas de crimes praticados pela internet no estado em todo o ano passado, com ameaça (28,6% dos casos), injúria (20,6%) e descumprimentos de medida protetiva (7,7%) como os mais comuns.
Quando o tema é o feminicídio (crime que teve 205 registros em 2025), o dossiê aponta que 77,1% dessas vítimas não tinham medidas protetivas. Mas, por outro lado, 19% dos autores desses crimes tinham registros anteriores de violência doméstica.
— Mais da metade (das vítimas de feminicídio) sofreu violência doméstica anterior, mas não registrou — aponta Vanessa Cardozo, coordenadora do Dossiê Mulher.
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Pela primeira vez, o ISP se debruçou sobre publicações das redes sociais ao elaborar o Dossiê Mulher. Na análise do órgão, que foi além dos dados, o discurso “redpill” — que representa homens que entendem que estariam se opondo a um sistema que favoreceria as mulheres — e misógino — de desprezo ou ódio contra as mulheres — está presente em postagens na web, que incitam a violência contra elas, disfarçado com dados, que podem ser falsos, de fontes não confiáveis ou deturpados, para justificar as falas. Esse debate é justificado para evitar que esses discursos se transformem em registros policiais futuramente.
Ao todo, cem publicações feitas em cinco perfis diferentes no X (antigo Twitter) da esfera redpill, entre o ano passado e este, foram analisadas. A amostra é pequena, mas suficiente para entender como esse tipo de discurso se apresenta. O estudo analisou que essas contas se retroalimentam e, juntos, alcançaram mais de 23 milhões de visualizações, além de 210 mil curtidas.
— É uma média de circulação muito grande. Estamos falando de um comportamento que, apesar de soar como comportamento de nicho, algo escondido, tem um potencial de circulação muito grande que atinge qualquer tipo de público, dos mais jovens aos mais velhos — avalia Laura Mariana da Costa, analista da Coordenadoria de Gestão do Conhecimento do ISP. — O discurso está mostrando uma violência ensaiada, então a gente quer agir para evitar que isso se transforme em dados (com registro em delegacias) de um futuro dossiê.
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No ano passado, 159.041 mulheres e meninas foram vítimas de violência no estado do Rio — três por minuto —, com 114.895 registros em delegacia, número que cresce desde 2020. Os números de vítimas e de registros são 3% maiores que os mesmos indicadores de 2024. O perfil das mulheres alvos da violência é de maioria negra (52,3%), solteira (47,9%) e jovem (29,8% têm entre 18 e 29 anos).
Os agressores homens são maioria nos casos de violência contra a mulher (71,5%), que são integrantes do convívio da vítima na maior parte das ocorrências. Já os dias da semana com maior quantidade de casos são os fins de semana (sábado e domingo). A principal forma de violência contra a mulher é psicológica, seguida por física, moral, sexual e patrimonial, aponta o dossiê.
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