A Estônia acusou, nesta terça-feira, a Rússia de ordenar um ataque incendiário contra a Milrem Robotics, empresa de armamentos que produz drones terrestres utilizados na Ucrânia. O incêndio ocorreu em 15 de agosto, em um prédio da companhia em Tallinn, e a investigação estoniana concluiu que a ação foi uma “sabotagem” encomendada pelos serviços de segurança russos. Moscou negou a acusação, enquanto líderes europeus e da Otan se uniram para apoiar a Estônia.
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O ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, afirmou, nesta terça-feira, que as autoridades chegaram a essa conclusão com base nas informações reunidas durante a investigação. Segundo ele, os responsáveis pelo ataque foram presos e “não representam mais uma ameaça”.
“Podemos concluir com certeza que o ataque incendiário contra as instalações da Milrem Robotics foi um ato de sabotagem encomendado pelos serviços especiais da Federação Russa”, afirmou Tsahkna em uma publicação no X.
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Dois suspeitos foram detidos na Letônia em 17 de agosto e um terceiro foi preso no dia seguinte. Os três, cidadãos letões, foram entregues às autoridades estonianas.
Segundo a agência de segurança nacional da Estônia, o incêndio foi deliberado e planejado com antecedência. A investigação apontou ainda que o modo de operação usado no ataque é compatível com outros atos de sabotagem realizados na Europa em nome da Rússia.
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O episódio não deixou vítimas nem provocou danos significativos, segundo informações divulgadas pela AFP. A Milrem Robotics é especializada na produção de veículos terrestres não tripulados.
Kremlin nega acusação
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou a acusação feita pela Estônia. Segundo ele, as declarações de Tallinn são “infundadas, irrefletidas, absolutamente não condizentes com a realidade” e não apresentam qualquer fundamentação.
— A Rússia não pode levar tais declarações a sério, e não levará — afirmou Peskov a jornalistas.
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O governo estoniano, por sua vez, afirmou que o ataque faz parte de uma campanha russa mais ampla na Europa, cujo objetivo seria intimidar os países que apoiam a Ucrânia e enfraquecer esse respaldo.
O primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, disse que a resposta do país será reforçar a segurança interna, ampliar o apoio à Ucrânia e aumentar a pressão sobre a Rússia.
— Não seremos intimidados — ressaltou.
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A Estônia, integrante da União Europeia e da Otan, acusa Moscou de realizar provocações híbridas desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022. O país também aumentou os gastos com defesa, assim como os vizinhos bálticos Letônia e Lituânia.
Apoio europeu
A acusação de Tallinn recebeu apoio da Europa e da Otan. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, afirmou que a Rússia continua uma campanha de ações hostis contra integrantes do bloco.
Segundo Rutte, Moscou está fracassando tanto no campo de batalha na Ucrânia quanto na tentativa de enfraquecer a unidade dos aliados e o apoio a Kiev.
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O ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kęstutis Budrys, afirmou que havia “impressões digitais” da Rússia no ataque em Tallinn. O primeiro-ministro lituano, Mindaugas Sinkevičius, também citou ataques híbridos registrados na Lituânia, na Polônia e na Alemanha.
A União Europeia declarou solidariedade à Estônia e classificou o incêndio como um ato “imprudente”. Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que Moscou tenta intimidar a Europa para reduzir o apoio à Ucrânia, mas que isso não acontecerá.
O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou o episódio de “escalada perigosa” e afirmou que a Rússia não conseguirá enfraquecer a unidade europeia nem a determinação de continuar apoiando a Ucrânia.
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O governo sueco também classificou a atribuição do ataque à Rússia como “extremamente grave”. O Reino Unido, por meio de sua embaixadora na Estônia, Jo Lomas, declarou apoio a Tallinn.
Segundo dados citados pelas autoridades estonianas, mais de 20 pessoas envolvidas em ataques realizados em nome dos serviços de segurança russos foram identificadas e detidas desde o início da guerra na Ucrânia. O país também afirma que cerca de 200 incidentes de suspeita de sabotagem russa e outras atividades hostis foram registrados na Europa desde 2022.
(Com AFP)
Estônia acusa Rússia de atacar fabricante de drones que fornece equipamentos à Ucrânia e recebe apoio da Otan e da União Europeia
